Sandra Marrocos costuma dizer que sua história não é apenas dela. É, antes de tudo, a história de muitas mulheres nordestinas que cresceram entre a escassez material e a abundância de coragem.
Décima filha de um casal sertanejo do Vale do Piancó, no interior da Paraíba, ela carrega no próprio percurso as marcas sociais que hoje orientam sua atuação política: filha de trabalhador rural, criada em uma família numerosa e formada na escola pública, chegou a João Pessoa ainda jovem, como tantas outras famílias nordestinas, em busca de oportunidades.
Mas a mudança geográfica não foi o que moldou sua trajetória. Foi a indignação.
“Eu olhava para dentro da minha casa e tinha quase nada. Quando abria a porta, tinha menos ainda”, recorda. A ausência de escola de qualidade, de saúde e de oportunidades a fez compreender cedo aquilo que muitos demoram a perceber: desigualdade não é acaso, é estrutura.
Foi dessa inquietação que nasceu a militante — e, anos depois, a vereadora.
Três identidades que moldam uma trajetória
Sandra costuma organizar sua história a partir de três identidades que, segundo ela, orientam sua visão de mundo.
A primeira é a identidade de gênero. Mulher, mãe de três filhos e prestes a se tornar avó, ela afirma que a experiência feminina moldou seu olhar político. Para ela, compreender a desigualdade entre homens e mulheres exige olhar além da superfície.
“Disseram para as mulheres que o lugar delas era o espaço privado, dentro de casa. E para os homens o espaço público. Isso não faz bem para ninguém”, afirma.
A segunda é a identidade de classe. Filha de trabalhador rural e de uma funcionária pública, Sandra se identifica como parte da classe trabalhadora. Esse pertencimento, diz, define suas prioridades políticas.
“Se eu estiver na Presidência da República, eu sei qual é minha prioridade.”
A terceira é a identidade política. Embora atualmente esteja filiada ao Podemos, ela se define como integrante do campo democrático e popular, defendendo um projeto de sociedade voltado para inclusão social, direitos humanos e combate à pobreza.
A primeira é a identidade de gênero. Mulher, mãe de três filhos e prestes a se tornar avó, ela afirma que a experiência feminina moldou seu olhar político. Para ela, compreender a desigualdade entre homens e mulheres exige olhar além da superfície.
“Disseram para as mulheres que o lugar delas era o espaço privado, dentro de casa. E para os homens o espaço público. Isso não faz bem para ninguém”, afirma.
A segunda é a identidade de classe. Filha de trabalhador rural e de uma funcionária pública, Sandra se identifica como parte da classe trabalhadora. Esse pertencimento, diz, define suas prioridades políticas.
“Se eu estiver na Presidência da República, eu sei qual é minha prioridade.”
A terceira é a identidade política. Embora atualmente esteja filiada ao Podemos, ela se define como integrante do campo democrático e popular, defendendo um projeto de sociedade voltado para inclusão social, direitos humanos e combate à pobreza.
A militância começa na igreja
Antes da política institucional, Sandra encontrou seu primeiro espaço de mobilização na Igreja Católica.
Participou da Pastoral da Juventude, da Pastoral Universitária e de diversos movimentos eclesiais que, segundo ela, funcionavam como espaços de formação política e social.
Paralelamente, mergulhou no movimento estudantil, primeiro no ensino médio e depois na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde se formou e concluiu mestrado em Serviço Social.
Foi nesse ambiente que começou a perceber as barreiras enfrentadas pelas mulheres dentro dos espaços de decisão.
“Eu comecei a perceber por que era mais difícil para mim ocupar esses lugares”, diz.
A constatação de que o machismo é estrutural — tão profundo quanto o racismo — marcou sua trajetória política dali em diante.
Participou da Pastoral da Juventude, da Pastoral Universitária e de diversos movimentos eclesiais que, segundo ela, funcionavam como espaços de formação política e social.
Paralelamente, mergulhou no movimento estudantil, primeiro no ensino médio e depois na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde se formou e concluiu mestrado em Serviço Social.
Foi nesse ambiente que começou a perceber as barreiras enfrentadas pelas mulheres dentro dos espaços de decisão.
“Eu comecei a perceber por que era mais difícil para mim ocupar esses lugares”, diz.
A constatação de que o machismo é estrutural — tão profundo quanto o racismo — marcou sua trajetória política dali em diante.
Da militância feminista à gestão pública
Antes de chegar ao parlamento, Sandra atuou em organizações sociais. Foi coordenadora da ONG feminista Acorda Mulher, que desenvolvia trabalho com marisqueiras no litoral paraibano.
Mais tarde, integrou a equipe política de Ricardo Coutinho quando ele se tornou prefeito de João Pessoa.
Foi nesse período que assumiu um dos desafios mais marcantes de sua trajetória: estruturar o Orçamento Democrático Municipal, mecanismo de participação popular criado na capital paraibana.
Sandra afirma que sua gestão trouxe um olhar diferente para a política participativa.
Ao observar a baixa presença feminina nas assembleias populares, identificou um problema concreto: muitas mulheres não participavam porque não tinham onde deixar os filhos.
A solução foi simples e reveladora.
Criar espaços de recreação e creches durante as reuniões comunitárias.
“É o olhar de uma mulher na gestão pública”, resume.
Mais tarde, integrou a equipe política de Ricardo Coutinho quando ele se tornou prefeito de João Pessoa.
Foi nesse período que assumiu um dos desafios mais marcantes de sua trajetória: estruturar o Orçamento Democrático Municipal, mecanismo de participação popular criado na capital paraibana.
Sandra afirma que sua gestão trouxe um olhar diferente para a política participativa.
Ao observar a baixa presença feminina nas assembleias populares, identificou um problema concreto: muitas mulheres não participavam porque não tinham onde deixar os filhos.
A solução foi simples e reveladora.
Criar espaços de recreação e creches durante as reuniões comunitárias.
“É o olhar de uma mulher na gestão pública”, resume.
O desafio da socioeducação
Outro capítulo importante de sua carreira foi a presidência da Fundação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente (Fundac), responsável pelo sistema socioeducativo da Paraíba.
A experiência revelou, segundo ela, uma realidade dura.
“Tinham adolescentes para quem a primeira vez que o Estado chegou foi para prendê-los.”
Sandra defende que o sistema socioeducativo precisa garantir todos os direitos — exceto a liberdade — previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE): educação, saúde e acompanhamento psicológico.
Durante sua gestão, segundo ela, 17 adolescentes privados de liberdade conseguiram ingressar em universidades públicas.
Para ela, o resultado evidencia uma conclusão simples:
“O que falta muitas vezes não é capacidade. É oportunidade.”
Foi também nesse período que percebeu uma ausência básica nas políticas públicas: a falta de recursos para itens de higiene menstrual.
“Não havia rubrica para comprar absorvente para meninas privadas de liberdade.”
A constatação reforçou sua convicção de que políticas públicas precisam considerar as especificidades de gênero.
A experiência revelou, segundo ela, uma realidade dura.
“Tinham adolescentes para quem a primeira vez que o Estado chegou foi para prendê-los.”
Sandra defende que o sistema socioeducativo precisa garantir todos os direitos — exceto a liberdade — previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE): educação, saúde e acompanhamento psicológico.
Durante sua gestão, segundo ela, 17 adolescentes privados de liberdade conseguiram ingressar em universidades públicas.
Para ela, o resultado evidencia uma conclusão simples:
“O que falta muitas vezes não é capacidade. É oportunidade.”
Foi também nesse período que percebeu uma ausência básica nas políticas públicas: a falta de recursos para itens de higiene menstrual.
“Não havia rubrica para comprar absorvente para meninas privadas de liberdade.”
A constatação reforçou sua convicção de que políticas públicas precisam considerar as especificidades de gênero.
Leis que marcaram sua atuação
Durante três mandatos como vereadora em João Pessoa, Sandra Marrocos apresentou projetos que dialogam com diferentes dimensões da política social.
Entre eles:
Família Acolhedora
Programa que oferece alternativa aos abrigos institucionais para crianças e adolescentes afastados de suas famílias, priorizando o acolhimento em lares temporários acompanhados por equipes multidisciplinares.
Lei Antibaixaria
Impede que eventos financiados com recursos públicos contratem artistas cujas músicas ou apresentações desqualifiquem ou incentivem violência contra mulheres.
Lei Marielle Franco
Determina que conteúdos relacionados à Lei Maria da Penha sejam trabalhados nas escolas, como forma de prevenção à violência de gênero.
Combate ao assédio sexual nos transportes coletivos
Uma das primeiras leis municipais do país voltadas especificamente ao enfrentamento do assédio em ônibus.
Humanização da via de nascimento
Garante que a mulher tenha autonomia para escolher seu acompanhante no parto, evitando que agressores estejam presentes em momentos de vulnerabilidade.
Além disso, Sandra destaca projetos urbanísticos como o Parque Linear das Três Ruas, nos Bancários, que transformou o que seria apenas um corredor viário em espaço público de convivência.
Entre eles:
Família Acolhedora
Programa que oferece alternativa aos abrigos institucionais para crianças e adolescentes afastados de suas famílias, priorizando o acolhimento em lares temporários acompanhados por equipes multidisciplinares.
Lei Antibaixaria
Impede que eventos financiados com recursos públicos contratem artistas cujas músicas ou apresentações desqualifiquem ou incentivem violência contra mulheres.
Lei Marielle Franco
Determina que conteúdos relacionados à Lei Maria da Penha sejam trabalhados nas escolas, como forma de prevenção à violência de gênero.
Combate ao assédio sexual nos transportes coletivos
Uma das primeiras leis municipais do país voltadas especificamente ao enfrentamento do assédio em ônibus.
Humanização da via de nascimento
Garante que a mulher tenha autonomia para escolher seu acompanhante no parto, evitando que agressores estejam presentes em momentos de vulnerabilidade.
Além disso, Sandra destaca projetos urbanísticos como o Parque Linear das Três Ruas, nos Bancários, que transformou o que seria apenas um corredor viário em espaço público de convivência.
Política, violência e resistência
Apesar da trajetória consolidada, Sandra afirma que a política também deixou marcas duras.
Ela relata ter sido vítima de violência política de gênero ao ser destituída da presidência municipal de um partido o qual fazia parte em João Pessoa.
“Fui retirada faltando 45 minutos para que um homem assumisse a presidência”, afirma.
Segundo ela, a experiência foi dolorosa não apenas no plano pessoal, mas simbólico.
“A violência política contra uma mulher atinge todas as mulheres.”
Após o episódio, Sandra passou um período em Brasília, onde trabalhou no Ministério das Mulheres, coordenando iniciativas nacionais e participando da organização de encontros feministas e políticas públicas voltadas à igualdade de gênero.
Ela relata ter sido vítima de violência política de gênero ao ser destituída da presidência municipal de um partido o qual fazia parte em João Pessoa.
“Fui retirada faltando 45 minutos para que um homem assumisse a presidência”, afirma.
Segundo ela, a experiência foi dolorosa não apenas no plano pessoal, mas simbólico.
“A violência política contra uma mulher atinge todas as mulheres.”
Após o episódio, Sandra passou um período em Brasília, onde trabalhou no Ministério das Mulheres, coordenando iniciativas nacionais e participando da organização de encontros feministas e políticas públicas voltadas à igualdade de gênero.
A política que vem pela frente
Hoje filiada ao Podemos, Sandra Marrocos se apresenta como pré-candidata a deputada federal nas eleições de 2026.
Entre suas prioridades estão:
Sandra cita exemplos como o impacto das usinas eólicas e a necessidade de preservar biomas como a Caatinga.
“A gente precisa pensar desenvolvimento, mas em diálogo com a natureza.”
Entre suas prioridades estão:
- defesa dos direitos das mulheres
- combate à violência de gênero
- políticas para pessoas idosas
- proteção ambiental e justiça climática
- fortalecimento das políticas sociais
Sandra cita exemplos como o impacto das usinas eólicas e a necessidade de preservar biomas como a Caatinga.
“A gente precisa pensar desenvolvimento, mas em diálogo com a natureza.”
Um país que ainda precisa incluir mulheres na política
Apesar de representarem mais de 52% do eleitorado brasileiro, as mulheres ainda são minoria nos parlamentos.
Na Câmara Municipal de João Pessoa, por exemplo, apenas duas vereadoras ocupam assentos.
Para Sandra, mudar esse cenário exige três ações fundamentais:
Na Câmara Municipal de João Pessoa, por exemplo, apenas duas vereadoras ocupam assentos.
Para Sandra, mudar esse cenário exige três ações fundamentais:
- fortalecer os partidos políticos
- investir na formação de mulheres para a política
- combater a violência política de gênero
“Ousar continua sendo necessário”
Aos 55 anos, Sandra Marrocos afirma viver uma fase de maturidade política e pessoal.
Continua na militância, na formação acadêmica e na construção de novos caminhos políticos.
Mas deixa um recado direto para as mulheres que acompanham sua trajetória:
“Temos que ousar. Temos que nos cuidar e construir uma grande ciranda de solidariedade entre nós.”
Para ela, o futuro da política brasileira passa necessariamente pela ampliação da participação feminina.
E a história de uma menina do sertão que decidiu enfrentar a desigualdade continua sendo escrita.
Continua na militância, na formação acadêmica e na construção de novos caminhos políticos.
Mas deixa um recado direto para as mulheres que acompanham sua trajetória:
“Temos que ousar. Temos que nos cuidar e construir uma grande ciranda de solidariedade entre nós.”
Para ela, o futuro da política brasileira passa necessariamente pela ampliação da participação feminina.
E a história de uma menina do sertão que decidiu enfrentar a desigualdade continua sendo escrita.

