Com 51 anos de atividade recém completados, o Lojão da Econômica carrega uma trajetória que se mistura ao crescimento urbano da Região Metropolitana da capital paraibana. A empresa, fundada pelo empresário Everildo Alves, acompanhou a expansão de bairros populares, participou indiretamente da construção de milhares de residências e se tornou uma marca reconhecida por diferentes gerações de consumidores.
“Eu não tinha ambição de ser grande. Eu tinha vontade de ter o meu negócio”, resume Everildo ao recordar os primeiros passos da empresa.
Natural do município do Conde, no Litoral Sul paraibano, Everildo Alves conta que o contato com o comércio surgiu ainda na infância. Segundo ele, aos 11 anos já realizava pequenos negócios para conseguir dinheiro próprio.
A experiência empresarial viria anos depois, em Santa Rita, cidade que se tornaria o berço da marca. O início foi modesto. A primeira unidade funcionava em um espaço reduzido, próximo ao Mercado Central do município. O cenário era distante da estrutura atual, que reúne lojas em diferentes cidades e emprega cerca de 250 trabalhadores diretos.
Ao longo dos anos, a expansão aconteceu de forma gradual. Sem grandes investimentos externos, o crescimento foi sustentado pela reinversão dos recursos obtidos no próprio negócio e pela ampliação da base de clientes.
“Não pensa em chegar no topo. Pensa em crescer um pouco de cada vez”, aconselha o empresário ao falar sobre empreendedorismo.
A história da empresa também ajuda a contar parte da transformação urbana da Grande João Pessoa.
Nas últimas décadas, regiões como Mangabeira, Valentina Figueiredo, Gramame e outros bairros da Zona Sul passaram por forte crescimento populacional e imobiliário. Em muitos desses locais, o comércio de materiais de construção acompanhou o movimento de famílias que compravam terrenos e construíam suas casas aos poucos.
Esse processo foi particularmente visível nos anos em que programas habitacionais ainda eram limitados e a autoconstrução representava o principal caminho para a conquista da casa própria.
Ao longo desse período, o Lojão da Econômica consolidou sua atuação justamente em áreas de expansão urbana e em bairros de perfil popular.
“Participamos da construção de muitas casas, apartamentos e sonhos”, afirma Gilberto Marcelino, colaborador da empresa há quase duas décadas.
Hoje, além de Santa Rita, a rede possui unidades em bairros como Mangabeira, Valentina, Rangel e no município de Bayeux.
Observar e reinventar
Manter-se ativo por mais de meio século exigiu adaptação constante.
Everildo lembra que uma das mudanças mais significativas aconteceu quando decidiu abandonar o modelo tradicional de balcão, predominante no comércio da época, para adotar o sistema de autosserviço.
A decisão encontrou resistência.
Segundo ele, havia quem previsse o fracasso da iniciativa. O receio era que os consumidores não se adaptassem a circular livremente pela loja e escolher os produtos diretamente nas prateleiras.
A mudança, porém, acabou se mostrando acertada.
“Diziam que o cliente iria embora. Não foi o que aconteceu”, recorda.
Segundo eles um dos desafios permanentes enfrentados pelo varejo é acompanhar transformações sem perder a identidade construída ao longo dos anos.
Everildo lembra que uma das mudanças mais significativas aconteceu quando decidiu abandonar o modelo tradicional de balcão, predominante no comércio da época, para adotar o sistema de autosserviço.
A decisão encontrou resistência.
Segundo ele, havia quem previsse o fracasso da iniciativa. O receio era que os consumidores não se adaptassem a circular livremente pela loja e escolher os produtos diretamente nas prateleiras.
A mudança, porém, acabou se mostrando acertada.
“Diziam que o cliente iria embora. Não foi o que aconteceu”, recorda.
Segundo eles um dos desafios permanentes enfrentados pelo varejo é acompanhar transformações sem perder a identidade construída ao longo dos anos.
Se antes a concorrência acontecia entre pequenos comerciantes locais, hoje ela inclui grandes redes nacionais, marketplaces e plataformas digitais.
Para Gilberto Marcelino, que iniciou a trajetória na empresa em 2007, passando por diferentes funções até chegar à gestão, o ambiente de negócios se tornou mais dinâmico e exigente.
“O cliente hoje consegue comprar sem sair de casa. Isso muda completamente a forma como as empresas precisam se relacionar com ele”, afirma.
A digitalização do varejo e o avanço do comércio eletrônico figuram entre os principais desafios para empresas tradicionais do setor de construção.
Ao mesmo tempo, o aquecimento da construção civil na Paraíba abriu novas oportunidades.
Há cerca de seis anos, o grupo criou o Atacadão Econômico, braço voltado para construtoras, incorporadoras e revendedores de materiais de construção.
A iniciativa permitiu ampliar a atuação para um segmento corporativo, diferente do varejo tradicional que consagrou a marca.
Para Gilberto Marcelino, que iniciou a trajetória na empresa em 2007, passando por diferentes funções até chegar à gestão, o ambiente de negócios se tornou mais dinâmico e exigente.
“O cliente hoje consegue comprar sem sair de casa. Isso muda completamente a forma como as empresas precisam se relacionar com ele”, afirma.
A digitalização do varejo e o avanço do comércio eletrônico figuram entre os principais desafios para empresas tradicionais do setor de construção.
Ao mesmo tempo, o aquecimento da construção civil na Paraíba abriu novas oportunidades.
Há cerca de seis anos, o grupo criou o Atacadão Econômico, braço voltado para construtoras, incorporadoras e revendedores de materiais de construção.
A iniciativa permitiu ampliar a atuação para um segmento corporativo, diferente do varejo tradicional que consagrou a marca.
Funcionários que atravessam gerações
Um dos aspectos mais frequentemente citados pelos gestores ao explicar a longevidade da empresa é a relação construída com colaboradores.
Entre os exemplos mencionados está o de um funcionário que acompanha o negócio desde antes da formalização da empresa e hoje soma 51 anos de atuação ao lado da família fundadora.
Histórias como essa ajudam a explicar a permanência de profissionais por décadas em uma organização que cresceu junto com eles.
“Não é apenas um funcionário. É alguém que faz parte da história”, afirma Everildo.
A valorização das relações pessoais aparece como um tema recorrente em sua fala. Ao longo da entrevista, o empresário repete diversas vezes a ideia de que prefere construir amizades a simplesmente conquistar clientes.
Ao longo dos anos, o slogan “mania de vender barato” passou a integrar o imaginário popular paraibano, tornando-se mais conhecido, em alguns casos, do que o próprio nome da empresa.
A marca também aparece em relatos de clientes que associam suas memórias familiares às compras realizadas nas lojas.
Segundo Everildo, não são raros os encontros com pessoas que contam ter acompanhado os pais em viagens para adquirir materiais de construção ou que lembram da participação indireta da empresa na construção de suas casas.
Entre os exemplos mencionados está o de um funcionário que acompanha o negócio desde antes da formalização da empresa e hoje soma 51 anos de atuação ao lado da família fundadora.
Histórias como essa ajudam a explicar a permanência de profissionais por décadas em uma organização que cresceu junto com eles.
“Não é apenas um funcionário. É alguém que faz parte da história”, afirma Everildo.
A valorização das relações pessoais aparece como um tema recorrente em sua fala. Ao longo da entrevista, o empresário repete diversas vezes a ideia de que prefere construir amizades a simplesmente conquistar clientes.
Além disso, talvez um dos indicadores mais curiosos da consolidação da empresa esteja fora dos balanços financeiros.
Ao longo dos anos, o slogan “mania de vender barato” passou a integrar o imaginário popular paraibano, tornando-se mais conhecido, em alguns casos, do que o próprio nome da empresa.
A marca também aparece em relatos de clientes que associam suas memórias familiares às compras realizadas nas lojas.
Segundo Everildo, não são raros os encontros com pessoas que contam ter acompanhado os pais em viagens para adquirir materiais de construção ou que lembram da participação indireta da empresa na construção de suas casas.
Mesmo após cinco décadas de atuação, os planos de expansão continuam sobre a mesa.
O grupo já atua também no segmento de construção de pequenos empreendimentos residenciais, especialmente edifícios de menor porte voltados ao mercado popular.
Além disso, avalia novas oportunidades ligadas à expansão imobiliária da Grande João Pessoa, impulsionada pela verticalização da capital e pelo crescimento de condomínios residenciais.
A cautela, no entanto, segue como princípio.
“Nada acontece da noite para o dia”, resume Everildo.
A trajetória do Lojão da Econômica não pode ser explicada apenas pelos números, pelas lojas ou pelos produtos vendidos. Ela também passa pela capacidade de adaptação, pela leitura das transformações urbanas e, principalmente, pelas relações construídas ao longo do caminho.
Ao olhar para trás, Everildo prefere não falar em sucesso.
Fala em continuidade.
Aos 79 anos, ele ainda frequenta as lojas diariamente. Diz que não vai trabalhar, mas “brincar”. E talvez seja justamente nessa frase simples que esteja a chave de uma história empresarial que atravessou gerações na Paraíba.
Porque, para quem começou em uma pequena sala comercial em Santa Rita, permanecer por 51 anos já é, por si só, uma conquista rara.
O grupo já atua também no segmento de construção de pequenos empreendimentos residenciais, especialmente edifícios de menor porte voltados ao mercado popular.
Além disso, avalia novas oportunidades ligadas à expansão imobiliária da Grande João Pessoa, impulsionada pela verticalização da capital e pelo crescimento de condomínios residenciais.
A cautela, no entanto, segue como princípio.
“Nada acontece da noite para o dia”, resume Everildo.
Em um ambiente econômico onde empresas abrem e fecham em ritmo acelerado, completar meio século de atividade tornou-se uma exceção.
A trajetória do Lojão da Econômica não pode ser explicada apenas pelos números, pelas lojas ou pelos produtos vendidos. Ela também passa pela capacidade de adaptação, pela leitura das transformações urbanas e, principalmente, pelas relações construídas ao longo do caminho.
Ao olhar para trás, Everildo prefere não falar em sucesso.
Fala em continuidade.
Aos 79 anos, ele ainda frequenta as lojas diariamente. Diz que não vai trabalhar, mas “brincar”. E talvez seja justamente nessa frase simples que esteja a chave de uma história empresarial que atravessou gerações na Paraíba.
Porque, para quem começou em uma pequena sala comercial em Santa Rita, permanecer por 51 anos já é, por si só, uma conquista rara.
