A reação ocorreu depois de Cícero chamar de “operaçãozinhas” algumas ações das forças estaduais e afirmar que elas estariam prendendo “trombadinhas”, em vez de atingir integrantes mais influentes do crime organizado. A declaração foi dada durante sabatina na Correio FM nesta quinta-feira.
“Ele não tem moral para falar do tema de segurança pública, nem no Estado e muito menos no município”, afirmou Jean.
O secretário também associou o grupo político do adversário às investigações realizadas pela Polícia Federal durante as eleições municipais de João Pessoa em 2024. As afirmações mais duras feitas por Jean são acusações políticas do secretário e não equivalem a uma conclusão judicial sobre responsabilidade pessoal de Cícero.
Secretário chama fala de desrespeitosa
Jean Nunes disse que a utilização dos termos “operaçãozinhas” e “trombadinhas” desconsidera o trabalho desenvolvido pelos profissionais das forças de segurança.
“Isso é uma fala desrespeitosa com as forças de segurança, demonstra que não tem respeito pela nossa Polícia Militar, pela nossa Polícia Civil, pelo nosso Bombeiro”, declarou.
Segundo o secretário, operações realizadas no estado envolvem ações conjuntas da Polícia Civil, Polícia Militar, Ministério Público, por meio do Gaeco, e Polícia Federal.
Jean afirmou que, entre 2025 e 2026, foram realizadas mais de 2,9 mil operações relacionadas ao enfrentamento ao crime organizado, com mais de 3,9 mil prisões de pessoas que, segundo os dados apresentados por ele, seriam integrantes de facções ou estariam ligadas a organizações criminosas.
Os números foram citados pelo próprio secretário durante a entrevista.
Ele também declarou que ações da Polícia Civil resultaram no bloqueio ou apreensão de valores atribuídos ao crime organizado, citando R$ 264 milhões em 2025 e R$ 203 milhões em 2026.
Jean cita operações Território Livre e Mandare
Na parte mais dura da resposta, Jean Nunes citou as operações Território Livre e Mandare, deflagradas pela Polícia Federal a partir de investigações sobre a atuação de organizações criminosas e possíveis interferências na política de João Pessoa.
“Quem deu guarida, quem deu espaço, quem deu emprego em prefeitura foi exatamente o ex-prefeito e o grupo dele na Prefeitura de João Pessoa, o que foi tornado claro nas operações da Polícia Federal, Operação Território Livre, Operação Mandare”, acusou Jean.
A Operação Mandare investigou suspeitas de influência de uma facção criminosa em setores da administração municipal. Já a Território Livre apurou, entre outros pontos, suspeitas de aliciamento e coação de eleitores em comunidades de João Pessoa. Em uma das fases, a Polícia Federal apreendeu dinheiro, documentos e contracheques de funcionários municipais.
As investigações alcançaram pessoas ligadas à gestão e à família de Cícero. Documentos da época, porém, registraram que a Polícia Federal não dispunha naquele momento de elementos sobre participação direta do então prefeito; a Justiça também negou um pedido de afastamento de Cícero destacando que ele não figurava como investigado naquela etapa.
Cícero, por sua vez, sempre negou envolvimento com facções e, durante as investigações de 2024, afirmou que era alvo de acusações políticas e de tentativas de relacionar sua administração ao crime organizado.
“Operaçãozinhas” provocaram reação
A discussão começou quando Cícero criticou a política estadual de segurança durante a sabatina na Correio FM.
“O governo faz maquiagem com essas operações, com ‘operaçãozinhas’, talvez prendendo trombadinhas, prendendo quem menos influencia esse sistema”, declarou o candidato.
Cícero também afirmou que a responsabilidade pela segurança pública é do Governo do Estado e criticou os salários pagos aos policiais.
Jean respondeu afirmando que o atual governo tem resultados para apresentar no enfrentamento às organizações criminosas.
“Quem tem moral para falar de combate ao crime no Estado é o Governo do Estado, são as forças de segurança do Estado. Nós temos moral para falar”, disse.
O confronto coloca a segurança pública e o combate às facções criminosas novamente no centro da campanha pelo Governo da Paraíba, a pouco mais de duas semanas do primeiro turno das Eleições 2026.

