Paraíba
Homem acusado de se passar por pastor para abusar de mulher é ouvido pela Justiça; vítima relatou momentos de medo
Publicado em 14/08/2026 às 06:00 Por Lucas Rodrigues
O caso aconteceu no dia 21 de agosto. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o acusado teria ido à residência sob o pretexto de realizar uma oração e, durante a visita, teria tocado as partes íntimas da mulher sem consentimento.
Ele foi preso em flagrante no dia seguinte, mas posteriormente teve a prisão preventiva revogada e passou a responder em liberdade, mediante medidas cautelares. O acusado confirma que esteve na residência, mas nega ter cometido o crime.
Vítima contou que homem pediu para entrar na casa
O relato dado pela mulher após o episódio detalha como o encontro teria começado. Segundo ela, o homem chegou ao portão afirmando que pertencia a uma igreja e pediu autorização para entrar.
“Ele chegou aí no portão dizendo que era da igreja. Aí ele disse: ‘Deixa eu entrar’. Disse: ‘Não, olhe daí mesmo que daqui dá para me ouvir’”, contou.
Mesmo inicialmente resistente à entrada do homem, a mulher afirmou que acabou permitindo que ele entrasse.
Segundo a vítima, durante a conversa, o homem teria contado que já havia realizado uma suposta oração em outra mulher e que, naquela ocasião, teria pedido para que ela se deitasse enquanto ele permanecia sobre seu corpo.
A mulher afirmou que imediatamente recusou qualquer situação semelhante.
“Eu nem vou me deitar, nem quero o senhor em cima de mim”, relatou.
“Comecei a me tremer”
A vítima contou que começou a sentir medo ainda enquanto o homem permanecia dentro da residência. Em determinado momento, segundo ela, o suspeito foi até a cozinha sob a justificativa de que estaria fazendo uma oração.
“Eu comecei nervosa, já comecei a me tremer”, relembrou.
O momento mais grave, conforme o relato, aconteceu posteriormente. A mulher afirmou que retornava para a sala quando o homem teria entrado no quarto e a puxado para dentro.
Depois do episódio, segundo ela, o acusado ainda teria feito uma ameaça para impedir que o caso fosse contado a outras pessoas.
“Ele disse assim: ‘Olhe, não conte para ninguém que passou aqui’.”
A vítima contou que esperou o homem deixar a residência e, quando ficou sozinha, entrou em desespero.
“Depois que ele saiu, eu botei para tremer, eu botei para gritar e eu botei para chorar, atrás de alguém que viesse para me socorrer.”
Processo aguarda próximos passos
Na audiência de instrução, foram ouvidas a vítima, testemunhas de acusação e defesa e o próprio réu. O advogado Caio Cabral afirmou que o acusado nega os atos atribuídos a ele.
O Ministério Público informou que, como o processo corre em sigilo, não poderia fornecer detalhes. A fase de instrução já foi encerrada e o processo segue para as alegações finais antes da sentença. A audiência não significa que o acusado tenha sido condenado ou absolvido.
Como denunciar
O caso reforça a importância de denunciar situações de violência sexual, principalmente quando o agressor utiliza ameaças, religião ou alguma relação de confiança para se aproximar da vítima.
Nenhuma justificativa religiosa autoriza contato íntimo sem consentimento. Em situações de risco imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. Casos de violência contra a mulher também podem ser comunicados pelo Ligue 180 ou diretamente às forças de segurança.
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