João Pessoa ・ Sabado ・ 15 de agosto de 2026 ・ 26º C

Dólar R$ 5,18 ・ Euro R$ 6,01

Banner

Paraíba

Homem acusado de se passar por pastor para abusar de mulher é ouvido pela Justiça; vítima relatou momentos de medo

Publicado em 14/08/2026 às 06:00 Por Lucas Rodrigues
Foto: Imagem gerada por IA / Gemini
Foto: Imagem gerada por IA / Gemini
Um homem acusado de se passar por pastor para entrar na casa de uma mulher e cometer violência sexual, em Cabedelo, na Grande João Pessoa, foi ouvido durante audiência de instrução no Fórum Criminal. O processo corre em sigilo e ainda aguarda decisão da Justiça.

O caso aconteceu no dia 21 de agosto. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o acusado teria ido à residência sob o pretexto de realizar uma oração e, durante a visita, teria tocado as partes íntimas da mulher sem consentimento.

Ele foi preso em flagrante no dia seguinte, mas posteriormente teve a prisão preventiva revogada e passou a responder em liberdade, mediante medidas cautelares. O acusado confirma que esteve na residência, mas nega ter cometido o crime.

Vítima contou que homem pediu para entrar na casa

O relato dado pela mulher após o episódio detalha como o encontro teria começado. Segundo ela, o homem chegou ao portão afirmando que pertencia a uma igreja e pediu autorização para entrar.

“Ele chegou aí no portão dizendo que era da igreja. Aí ele disse: ‘Deixa eu entrar’. Disse: ‘Não, olhe daí mesmo que daqui dá para me ouvir’”, contou.

Mesmo inicialmente resistente à entrada do homem, a mulher afirmou que acabou permitindo que ele entrasse.

Segundo a vítima, durante a conversa, o homem teria contado que já havia realizado uma suposta oração em outra mulher e que, naquela ocasião, teria pedido para que ela se deitasse enquanto ele permanecia sobre seu corpo.

A mulher afirmou que imediatamente recusou qualquer situação semelhante.

“Eu nem vou me deitar, nem quero o senhor em cima de mim”, relatou.

“Comecei a me tremer”

A vítima contou que começou a sentir medo ainda enquanto o homem permanecia dentro da residência. Em determinado momento, segundo ela, o suspeito foi até a cozinha sob a justificativa de que estaria fazendo uma oração.

“Eu comecei nervosa, já comecei a me tremer”, relembrou.

O momento mais grave, conforme o relato, aconteceu posteriormente. A mulher afirmou que retornava para a sala quando o homem teria entrado no quarto e a puxado para dentro.

Depois do episódio, segundo ela, o acusado ainda teria feito uma ameaça para impedir que o caso fosse contado a outras pessoas.

“Ele disse assim: ‘Olhe, não conte para ninguém que passou aqui’.”

A vítima contou que esperou o homem deixar a residência e, quando ficou sozinha, entrou em desespero.

“Depois que ele saiu, eu botei para tremer, eu botei para gritar e eu botei para chorar, atrás de alguém que viesse para me socorrer.”

Processo aguarda próximos passos

Na audiência de instrução, foram ouvidas a vítima, testemunhas de acusação e defesa e o próprio réu. O advogado Caio Cabral afirmou que o acusado nega os atos atribuídos a ele.

O Ministério Público informou que, como o processo corre em sigilo, não poderia fornecer detalhes. A fase de instrução já foi encerrada e o processo segue para as alegações finais antes da sentença. A audiência não significa que o acusado tenha sido condenado ou absolvido.

Como denunciar

O caso reforça a importância de denunciar situações de violência sexual, principalmente quando o agressor utiliza ameaças, religião ou alguma relação de confiança para se aproximar da vítima.

Nenhuma justificativa religiosa autoriza contato íntimo sem consentimento. Em situações de risco imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. Casos de violência contra a mulher também podem ser comunicados pelo Ligue 180 ou diretamente às forças de segurança.
Banner

Relacionadas