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Paraíba

De Nossa Senhora das Neves a João Pessoa: os cinco nomes que contam a história da capital paraibana

Publicado em 31/07/2026 às 22:55 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
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>Quem vive hoje em João Pessoa talvez conheça a cidade por suas praias, pelo Centro Histórico, pelo Rio Sanhauá ou pelos prédios que atravessaram séculos. Mas a capital paraibana carrega, no próprio nome, diferentes capítulos de sua história. Antes de ser João Pessoa, a cidade já foi Nossa Senhora das Neves, Filipéia de Nossa Senhora das Neves, Frederica e Parahyba — ou Parahyba do Norte.

>Fundada em 5 de agosto de 1585, às margens do Rio Sanhauá, a capital chega a 441 anos em 2026. Ao longo de mais de quatro séculos, as mudanças de denominação acompanharam acontecimentos que marcaram profundamente a formação política e territorial da Paraíba.

>A história dos nomes da cidade, portanto, é também uma maneira de compreender diferentes momentos da ocupação portuguesa, da União Ibérica, da presença holandesa no Nordeste e, já no século XX, das tensões políticas que culminaram na Revolução de 1930.

Nossa Senhora das Neves: o primeiro nome


>A história começa em 1585, quando os portugueses fundaram a cidade às margens do Sanhauá. Diferentemente de outras capitais brasileiras que se desenvolveram inicialmente junto ao litoral, o núcleo urbano de João Pessoa surgiu no interior do estuário, em uma posição considerada estratégica para a ocupação e defesa do território.

>O primeiro nome foi Nossa Senhora das Neves, uma referência à santa celebrada pela Igreja Católica em 5 de agosto, data da fundação da cidade e que permanece associada à identidade histórica da capital. A região onde ocorreu esse primeiro núcleo de ocupação corresponde atualmente à área do Porto do Capim, no bairro do Varadouro.

>A escolha do nome também está relacionada à forte presença religiosa na formação das cidades coloniais. A devoção a Nossa Senhora das Neves permaneceu na identidade pessoense e a santa é, até hoje, considerada padroeira da capital.

>Mas a primeira denominação não permaneceria por muito tempo.

Filipéia: a cidade em homenagem ao rei


>Ainda no século XVI, a cidade recebeu uma nova denominação: Filipéia de Nossa Senhora das Neves.

>A mudança aconteceu no contexto da chamada União Ibérica, período em que as Coroas de Portugal e Espanha estiveram sob o domínio dos mesmos monarcas. A nova denominação fazia referência ao rei Filipe II da Espanha, que também reinava sobre Portugal como Filipe I.

>Segundo registros históricos disponibilizados pela Prefeitura de João Pessoa, a denominação Filipéia vigorou entre 1588 e 1634. O próprio sistema de informações geográficas do município utiliza o nome “Filipeia” como referência à evolução histórica da cidade.

>O período também revela como a identidade da cidade estava diretamente ligada às relações de poder da época. O nome não era apenas uma forma de identificar o lugar: carregava consigo a representação política da monarquia que dominava o território.

Frederica: a marca do domínio holandês


>A história da cidade sofreria uma nova ruptura no século XVII.

>Em 1634, os holandeses ocuparam a Paraíba. Com a mudança de domínio, a cidade também mudou de nome. Filipéia de Nossa Senhora das Neves passou a ser chamada de Frederica, ou Frederikstadt, em homenagem ao príncipe Frederico de Orange.

>A mudança não aconteceu de maneira isolada. Ela estava inserida no processo de expansão neerlandesa pelo Nordeste brasileiro e na disputa pelo controle de áreas estratégicas para a produção e comercialização do açúcar.

>Durante aproximadamente duas décadas, a cidade esteve sob domínio holandês. O período deixou marcas na história da Paraíba e também na própria configuração do núcleo urbano que se desenvolvia às margens do Sanhauá.

>A presença holandesa, porém, chegaria ao fim em 1654, quando os neerlandeses foram expulsos e a região voltou ao domínio português.

>Com a retomada do controle português, veio também uma nova mudança de nome.

Parahyba: o nome que atravessou séculos


>Depois da expulsão dos holandeses, a cidade passou a ser conhecida como Parahyba, denominação que também aparece como Parahyba do Norte.

>Desta vez, a mudança seria muito mais duradoura. O nome permaneceu associado à capital por quase três séculos, atravessando diferentes períodos da história da Paraíba e do Brasil até o início do século XX. A própria Prefeitura registra que Parahyba foi a denominação que permaneceu por mais tempo entre os nomes históricos da cidade.

>A grafia histórica “Parahyba”, com “H” e “Y”, ajuda a lembrar que a língua portuguesa e as formas oficiais de escrita também se transformaram ao longo do tempo.

>Durante esse período, a cidade consolidou-se como centro político e administrativo da então província e, posteriormente, do estado da Paraíba.

>Foi somente em 1930 que a denominação seria novamente alterada.

João Pessoa: a mudança em meio à crise política de 1930


>O nome que a cidade carrega atualmente surgiu em um dos períodos mais turbulentos da política brasileira.

>João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque era advogado e político paraibano. Nascido em Umbuzeiro, no Agreste da Paraíba, assumiu a presidência do estado em 1928 — função equivalente ao atual cargo de governador.

>Durante sua administração, João Pessoa adotou medidas que provocaram conflitos com grupos políticos e econômicos do estado. Ele também se aproximou da Aliança Liberal, movimento que lançou Getúlio Vargas à Presidência da República e João Pessoa como candidato a vice-presidente nas eleições de 1930.

>Em 26 de julho de 1930, João Pessoa foi assassinado no Recife por João Duarte Dantas, em meio a uma conjuntura de forte tensão política. O episódio provocou grande repercussão nacional e se tornou um dos acontecimentos associados ao processo que desembocaria na Revolução de 1930.

>Pouco depois, ainda em 1930, a Assembleia Legislativa da Paraíba decidiu mudar o nome da capital de Parahyba para João Pessoa, como homenagem ao então presidente do estado.

>A alteração encerrou uma história de quase três séculos sob a denominação Parahyba e deu início ao período mais recente da identidade da capital.

Cinco nomes, uma cidade


>Nossa Senhora das Neves. Filipéia de Nossa Senhora das Neves. Frederica. Parahyba. João Pessoa.

>Mais do que uma sequência de nomes, as cinco denominações representam diferentes períodos da história da capital paraibana.

>O primeiro remete à fundação portuguesa e à tradição religiosa. Filipéia guarda a marca da monarquia durante a União Ibérica. Frederica registra o período do domínio holandês. Parahyba atravessa séculos da história política e administrativa da região. E João Pessoa está diretamente relacionado às disputas políticas que marcaram a Paraíba e o Brasil no início da década de 1930.

>A trajetória pode ser percebida ainda hoje pelas ruas, igrejas, praças, casarões e monumentos do Centro Histórico de João Pessoa, área que conserva vestígios de diferentes fases da formação urbana. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), inclusive, já destacou estudos dedicados à evolução da cidade justamente a partir de suas diferentes denominações e de sua formação entre os séculos XVI e XVIII.

>Em 5 de agosto de 2026, quando João Pessoa completar 441 anos, a cidade celebrará não apenas uma data no calendário. Celebrará também uma história que começou às margens do Sanhauá e que, ao longo dos séculos, mudou de nome várias vezes sem deixar para trás as marcas dos períodos que atravessou.

>De Nossa Senhora das Neves a João Pessoa, cada nome deixou uma camada da história que hoje forma a capital paraibana.
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