Brasil
Flávio Bolsonaro recua de pedir anulação da eleição, anuncia ação contra Lula e é intimado a entregar passaportes
Publicado em 26/10/2026 às 18:32 Por Redação
Segundo apuração da CNN Brasil, aliados de Flávio convenceram o senador a abandonar a intenção de questionar diretamente o resultado das urnas. A avaliação é de que a iniciativa não teria sustentação política suficiente, especialmente depois que partidos que apoiaram sua candidatura reconheceram a vitória de Lula.
Entre as legendas que parabenizaram o presidente reeleito estão União Brasil, Republicanos e Podemos, que haviam declarado apoio a Flávio Bolsonaro durante o segundo turno. MDB, PSD e PSDB também reconheceram o resultado eleitoral.
A mudança representa um recuo em relação ao discurso feito pelo senador na noite de domingo (25), quando afirmou que não reconheceria a vitória de Lula e que recorreria à Justiça para solicitar a anulação da eleição.
Na ocasião, Flávio questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que autorizou a prorrogação da votação até as 19h em seções eleitorais que permaneciam abertas, diante de denúncias de dificuldades no transporte de eleitores em diferentes cidades brasileiras.
A decisão judicial havia sido tomada após solicitações que envolveram as duas candidaturas. A Justiça Eleitoral esclareceu que as urnas já encerradas não seriam reabertas.
Lula venceu a eleição com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, uma diferença superior a 4,4 milhões de votos. Segundo levantamento da Folha de S.Paulo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aproximadamente 34 mil votos foram registrados após as 17h, quantidade insuficiente para alterar o resultado nacional.
Mesmo desistindo de pedir a anulação da votação, Flávio Bolsonaro mantém a intenção de contestar judicialmente a conduta da campanha adversária. Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador anunciou que pretende apresentar uma ação solicitando a cassação da chapa Lula-Alckmin por suposto abuso de poder político e econômico.
O candidato derrotado acusou o presidente de utilizar recursos públicos para obter vantagens eleitorais e também apontou a suposta disseminação de notícias falsas durante a campanha. As acusações não representam irregularidades comprovadas e dependerão de análise da Justiça Eleitoral caso sejam formalizadas.
A nova estratégia diferencia duas medidas judiciais: uma eventual anulação da votação, que atingiria diretamente o resultado das urnas, e um pedido de cassação da chapa vencedora, que exige a demonstração de infrações previstas na legislação eleitoral. Até o momento das informações consultadas, a apresentação da nova ação havia sido anunciada, mas seu protocolo não estava confirmado.
No mesmo dia, Flávio Bolsonaro também utilizou as redes sociais para relatar que foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.
Segundo o senador, a abordagem ocorreu quando ele deixava a residência do pai. Flávio afirmou que a decisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes e que também está proibido de deixar o território brasileiro.
O parlamentar relacionou a medida a uma declaração feita pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos. Em entrevista concedida antes do segundo turno, Eduardo sugeriu que Flávio deixasse o Brasil caso fosse derrotado na eleição presidencial.
Flávio negou ter planejado sair do país e afirmou que cumprirá a determinação judicial.
“Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração”, declarou o senador, classificando a decisão como uma tentativa de intimidação.
A CNN Brasil também teve acesso a informações sobre a decisão de Alexandre de Moraes. Segundo a emissora, o ministro determinou o cancelamento do passaporte brasileiro de Flávio e a entrega, no prazo de 24 horas, de eventuais documentos de viagem de outras nacionalidades.
Além da restrição de deslocamento internacional, Moraes proibiu o senador de manter contato com o advogado e empresário Willer Tomaz. Os dois são investigados em um inquérito que tramita no STF e apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Willer Tomaz também foi alvo da Operação Sem Desconto, relacionada a investigações sobre irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e atualmente reside nos Estados Unidos. A existência das investigações não significa que os envolvidos tenham sido condenados ou que as suspeitas estejam comprovadas.
Embora Flávio tenha atribuído a retenção dos passaportes exclusivamente à declaração do irmão Eduardo, a reportagem da CNN também aponta a existência de uma investigação financeira que envolve o senador. Os fundamentos completos da decisão judicial não foram divulgados publicamente.
A segunda-feira após a eleição foi marcada, portanto, por dois movimentos distintos envolvendo Flávio Bolsonaro: a reformulação de sua estratégia para questionar judicialmente a campanha de Lula e a adoção de medidas restritivas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Até o momento, o senador não havia feito um reconhecimento público e explícito da derrota, embora aliados afirmem que a campanha abandonou a intenção de pedir a anulação do resultado eleitoral. A mudança ocorre enquanto Lula inicia as articulações para a formação do governo que assumirá o mandato de 2027 a 2030.
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