Na noite de domingo (20), Cícero anunciou que faria uma pausa na agenda eleitoral para realizar um “pronunciamento oficial ao povo paraibano”. Na manhã desta segunda, apresentou propostas para a segurança e afirmou que, caso seja eleito, pretende criar um Gabinete de Crise ligado diretamente ao gabinete do governador. A medida não constava no plano de governo inicialmente entregue à Justiça Eleitoral.
A manifestação ocorreu poucos dias depois de o candidato provocar reação das forças de segurança ao chamar ações contra facções criminosas de “operaçãozinhas” e afirmar que algumas estariam prendendo “trombadinhas”.
Fabiano Gomes critica estratégia do pronunciamento
A avaliação foi de que a expectativa criada desde a noite anterior não teria sido acompanhada por uma novidade política da mesma dimensão no pronunciamento.
Fabiano chegou a defender que o candidato deveria rever a equipe responsável pela estratégia que levou à convocação da fala pública.
A expectativa em torno do anúncio também foi registrada por veículos locais antes da divulgação do vídeo, principalmente porque Cícero havia afirmado que interromperia a campanha para “abrir o coração” e falar diretamente aos paraibanos.
João Paulo Medeiros: “Não é um tema bom para Cícero”
A observação está relacionada às investigações eleitorais e policiais que, nos últimos anos, passaram a envolver integrantes da antiga administração municipal e pessoas próximas ao candidato.
O Ministério Público Eleitoral chegou a pedir a impugnação da candidatura de Cícero com base em elementos de investigações sobre uma possível interferência de integrantes de organizações criminosas no processo político de João Pessoa. O TRE-PB rejeitou a impugnação, e o MPE recorreu da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral. Cícero nega qualquer envolvimento com organizações criminosas.
A filha do candidato, Janine Lucena, também teve o registro de candidatura a primeira suplente de senador indeferido pelo TRE-PB, em ação baseada em elementos da Operação Mandare. A defesa contestou as acusações.
É dentro desse contexto que João Paulo avaliou a escolha da segurança como eixo do pronunciamento.
Caio Ismael relembra fala sobre “operaçãozinhas”
Ao discutir as operações contra facções criminosas, o candidato havia utilizado os termos “operaçãozinhas” e “trombadinhas” para questionar a eficácia da política de enfrentamento ao crime organizado.
A declaração provocou reação pública do secretário de Segurança da Paraíba, Jean Nunes, e passou a ser explorada pelos adversários durante a campanha.
Ao relembrar o episódio nesta segunda-feira, Caio relacionou a fala anterior ao fato de Cícero ter escolhido a própria segurança pública para protagonizar o novo pronunciamento.
Cícero promete gabinete de crise
“A segurança chegou a um ponto que exige uma resposta. A Paraíba está sem governador. A violência está nas ruas. Por isso, vou instalar imediatamente um Gabinete de Crise ligado diretamente ao Gabinete do Governador, para enfrentar com máximo rigor a criminalidade”, declarou.
O candidato também voltou a defender a valorização salarial das forças policiais. Em entrevistas anteriores, Cícero já vinha apresentando propostas relacionadas à remuneração, estrutura e recursos humanos da segurança pública.
O pronunciamento, portanto, colocou novamente a segurança no centro da campanha para o Governo da Paraíba, mas também reabriu discussões sobre declarações anteriores de Cícero e sobre investigações que vêm sendo utilizadas no debate eleitoral.

