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João Pessoa destina R$ 509 mil ao Muriçocas do Miramar sem chamamento público: o que isso quer dizer?

Atualizada em 09/03/2026 às 17:06 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
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A edição desta quarta-feira (4) do Diário Oficial do Município de João Pessoa trouxe a publicação de um extrato de justificativa de ausência de chamamento público para a celebração de um termo de fomento entre a Fundação Cultural de João Pessoa (FUNJOPE) e o Centro Cultural Muriçocas do Miramar. O valor previsto para a parceria é de R$ 509 mil, destinado à execução do projeto “Muriçocas do Miramar – 40 anos (2026)”.

Na prática, isso significa que a Prefeitura decidiu repassar recursos públicos diretamente à entidade responsável pelo bloco para viabilizar a estrutura e a programação comemorativa, sem abrir uma seleção pública para que outras organizações culturais apresentassem propostas concorrentes.

O que é um termo de fomento?


O termo de fomento é um instrumento jurídico previsto na Lei Federal nº 13.019/2014, conhecida como Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (OSCs). Ele é usado quando o poder público decide financiar um projeto proposto por uma entidade da sociedade civil, com recursos do orçamento público.

Em regra, a própria lei determina que esse tipo de parceria deve ser precedido de um chamamento público, ou seja, um procedimento semelhante a um edital, no qual diferentes organizações podem apresentar projetos, permitindo competição, transparência e escolha da melhor proposta.

Por que, neste caso, não houve chamamento público?


Segundo a FUNJOPE, a dispensa do chamamento está baseada tanto na Lei nº 13.019/2014 quanto no Decreto Municipal nº 9.905/2017, que admitem a chamada inexigibilidade de chamamento público quando há inviabilidade de competição.

Em termos simples, a administração argumenta que não faria sentido abrir concorrência porque o objeto da parceria seria singular: a realização do projeto que comemora os 40 anos do Muriçocas do Miramar, um bloco historicamente ligado ao próprio Centro Cultural que leva esse nome. De acordo com a justificativa oficial, as metas do projeto só poderiam ser cumpridas por essa entidade específica, o que tornaria a disputa entre outras organizações, na visão do órgão, juridicamente inviável.

Isso é legal?


Do ponto de vista jurídico, a legislação permite a dispensa do chamamento público em situações excepcionais, desde que a administração demonstre de forma clara que não há possibilidade real de competição. É o mesmo raciocínio que existe, por exemplo, em certos casos de inexigibilidade de licitação na Lei de Licitações: quando só há um fornecedor possível, não faria sentido promover disputa.

No entanto, especialistas em direito administrativo costumam destacar que esse tipo de exceção deve ser interpretado de forma restritiva, justamente para evitar favorecimentos indevidos ou o uso excessivo de parcerias diretas com recursos públicos.

Quais são os efeitos práticos dessa decisão?


Na prática, o repasse de R$ 509 mil fortalece a produção cultural e garante recursos para a programação comemorativa dos 40 anos do Muriçocas do Miramar em 2026. Ao mesmo tempo, a ausência de chamamento público reduz a transparência competitiva, já que outras entidades não puderam apresentar propostas alternativas para o uso desse dinheiro.

Por isso, mesmo quando a dispensa é legal, cresce a importância de regras claras de acompanhamento, metas objetivas e, sobretudo, de uma prestação de contas rigorosa sobre como os recursos serão aplicados.

Existe algum controle sobre essa decisão?


Sim. O próprio extrato publicado no Diário Oficial informa que a justificativa pode ser impugnada por qualquer interessado no prazo de cinco dias a partir da publicação. Caso isso aconteça, a administração pública é obrigada a analisar o questionamento dentro do prazo legal.

Além disso, como se trata de dinheiro público, a parceria fica sujeita à fiscalização dos órgãos de controle, como tribunais de contas e Ministério Público, que podem avaliar se a dispensa do chamamento foi realmente justificada e se os recursos foram aplicados conforme o previsto.


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