A influenciadora pernambucana Monalisa du Perron repercutiu nas redes sociais ao fazer uma reflexão sobre o uso da palavra “Paraíba” de forma pejorativa para se referir a nordestinos. No vídeo, ela relata experiências pessoais vividas no Rio de Janeiro e defende que a expressão, quando usada para menosprezar alguém por sua origem, reproduz xenofobia.
Monalisa, que mora no Rio de Janeiro desde 2013 e também já viveu nos Estados Unidos, afirmou que o problema não está na palavra que dá nome ao estado, mas no contexto em que ela é utilizada para generalizar e diminuir pessoas de diferentes estados do Nordeste.
“Usar a palavra ‘Paraíba’ para se referir a qualquer nordestino, de qualquer estado que ele seja, é sempre no intuito de diminuir, menosprezar e se fazer maior humilhando o outro”, afirmou.
“Cala a boca, sua Paraíba”
Para explicar como esse tipo de preconceito aparece no cotidiano, a influenciadora contou uma situação vivida pela própria mãe durante uma visita ao Rio de Janeiro.
Segundo Monalisa, a mãe passeava com o cachorro da família quando outro animal, que estava sem coleira, avançou em direção a eles. Ao reclamar com o tutor, ouviu como resposta: “Cala a boca, sua Paraíba”.
Para a influenciadora, o episódio mostra que a referência à origem nordestina não aconteceu de maneira neutra, mas foi utilizada como forma de desqualificação durante o conflito.
Ela relatou ainda que o marido também já foi chamado de “Paraíba” depois de chegar ao Rio de Janeiro para trabalhar.
Bolo de rolo virou motivo para comentário no trabalho
Monalisa também relembrou uma situação ocorrida em uma empresa onde trabalhou. Pernambucana, ela levou bolo de rolo para compartilhar com colegas e ouviu de uma gerente a frase: “Paraíba é tudo igual, né? Quer conquistar o povo pelo estômago”.
A influenciadora afirmou que não interpretou o comentário como elogio e relacionou o episódio ao incômodo que algumas pessoas demonstravam com seu sotaque e sua maneira de se relacionar.
“Eu tinha levado um bolo de rolo para o trabalho, algo que é tão nosso, tão Pernambuco, tão afeto”, contou.
Os exemplos foram utilizados por Monalisa para mostrar como manifestações de preconceito regional podem aparecer tanto em agressões explícitas quanto em comentários apresentados como brincadeira.
Influenciadora compara experiência de nordestinos à de brasileiros no exterior
Outro ponto do vídeo que ganhou repercussão foi a comparação feita pela influenciadora entre a experiência de nordestinos que migram dentro do Brasil e situações enfrentadas por brasileiros que vivem em outros países.
Monalisa lembrou a própria experiência como imigrante nos Estados Unidos e argumentou que posição social, profissão ou condição financeira nem sempre impedem que estrangeiros sejam reduzidos a estereótipos.
“Muitas vezes, infelizmente, você vira um ‘Paraíba’ também, só que lá chamam de latino, de hispano. Porque você é um imigrante, você é de fora”, afirmou.
Ela ressaltou ainda que o Brasil não é um país hispânico, mas que brasileiros podem ser enquadrados dessa maneira por desconhecimento ou generalização.
“A dor que muitos brasileiros sentem lá fora do país é a dor que muita gente causa aqui dentro”, declarou.
“É preciso combater o preconceito”
Ao final da reflexão, Monalisa du Perron defendeu que o enfrentamento à xenofobia não deve se limitar à postura individual de evitar comentários preconceituosos.
Para ela, também é necessário reagir quando manifestações desse tipo acontecem diante de outras pessoas.
“Não basta não ser preconceituoso ou ensinar seu filho a não ser. Você precisa também combater o preconceito quando ele se escancara na sua frente”, afirmou.
A publicação reacendeu nas redes sociais a discussão sobre xenofobia contra nordestinos e o emprego da palavra “Paraíba” como insulto, diferenciando o uso legítimo do nome do estado da utilização do termo para inferiorizar pessoas por sua procedência.

