Paraíba
Duas mulheres, duas cenas de violência: casos em João Pessoa acendem alerta para agressões que começam antes do primeiro soco
Publicado em 21/08/2026 às 12:01 Por Lucas Rodrigues
Os casos têm circunstâncias diferentes, mas revelam um ponto em comum: a violência pode se manifestar por ameaças, perseguição, invasão, intimidação e agressões físicas, muitas vezes diante de familiares, crianças e vizinhos.
Grávida foge com filhos e vizinha tem casa invadida
No bairro de Gramame, a Polícia Militar foi acionada por moradores após denúncias de uma possível situação de violência doméstica.
Segundo a PM, a companheira do suspeito, que estaria grávida, deixou o apartamento com os filhos durante a madrugada. O homem teria descido à procura dela e invadido a residência de uma vizinha de 22 anos.
A mãe da jovem relatou que a filha estava dormindo com o bebê quando teve a grade e a porta da casa arrombadas. Assustada, ela saiu às pressas, apenas de blusa e roupa íntima, carregando a criança nos braços, e correu até a casa da mãe em busca de ajuda.
O suspeito foi encontrado escondido na parte superior do prédio após buscas realizadas pela polícia. A localização contou com informações relacionadas à tornozeleira eletrônica utilizada por ele.
À imprensa, o homem negou ter agredido a companheira e afirmou que havia consumido bebida alcoólica. O caso segue sob apuração da Polícia Civil.
Mulher e criança são agredidas em plena rua no Valentina
Em outro episódio, imagens registradas no Valentina de Figueiredo mostram um homem agredindo uma mulher que caminhava acompanhada de duas crianças.
Nas imagens, a mulher aparece com uma criança no colo e outra pela mão quando é atingida. O homem também agride uma das crianças e puxa o cabelo dela.
A cena aconteceu em uma via movimentada e foi presenciada por pessoas que passavam pelo local.
As imagens deverão auxiliar na identificação do suspeito e na apuração das circunstâncias do caso.
Antes que aconteça
Os episódios também reforçam a proposta do programa Antes que Aconteça, criado para atuar na prevenção da violência contra mulheres e meninas antes que os casos cheguem às formas mais graves.
A iniciativa foi transformada em política nacional em maio deste ano e reúne ações de prevenção, acolhimento, autonomia financeira, capacitação e fortalecimento da rede de proteção. A Paraíba foi pioneira na implantação do programa e também possui uma política estadual específica com o mesmo nome.
Entre as ações desenvolvidas estão Salas Lilás para atendimento especializado, casas de acolhimento, projetos nas escolas, formação de Defensoras Populares, cursos de defesa pessoal e iniciativas voltadas à independência financeira das mulheres.
O princípio do programa é resumido pela própria campanha: “A violência não começa com um soco”. A proposta é reconhecer sinais de risco, ampliar a informação e fortalecer a rede de apoio antes que ameaças, controle, perseguição e intimidação evoluam para agressões mais graves.
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