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Cícero veta PL que ampliaria acesso a informações sobre consultas e exames no SUS de João Pessoa

Publicado em 01/12/2025 às 21:08 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), vetou integralmente o Projeto de Lei nº 96/2025, que pretendia ampliar o acesso dos usuários do SUS a informações sobre consultas, exames, listas de espera, prescrições médicas e dados das equipes da rede municipal de saúde. O veto foi oficializado na edição desta segunda-feira (1º) do Diário Oficial do Município.

O que propunha o projeto

A iniciativa, apresentada pelo vereador Ícaro Chaves (Podemos), buscava dar mais transparência ao fluxo de atendimento da saúde pública. O PL permitiria que qualquer usuário pudesse consultar, de forma simples e digital, sua posição na fila, o andamento de solicitações, tempo estimado de espera e outras etapas do processo regulatório — uma demanda antiga de quem utiliza o SUS na capital.

O tema reacende um debate importante: a dificuldade que muitos pacientes enfrentam para acompanhar solicitações e entender por que determinados procedimentos demoram tanto a ser agendados.

Por que Cícero vetou

Na mensagem enviada à Câmara, o prefeito justificou que o projeto apresenta vício de iniciativa, já que cria novas obrigações administrativas, tecnológicas e de gestão de dados para a Prefeitura — algo que, segundo ele, só poderia partir do próprio Executivo.

Entre os pontos citados estão:

  • necessidade de adaptação de sistemas digitais;

  • reorganização de processos internos da regulação;

  • implementação de ferramentas de transparência;

  • impactos financeiros sem previsão orçamentária, o que violaria a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei Orgânica do Município.

O Executivo reconheceu a relevância do tema, mas afirmou que a proposta extrapola os limites constitucionais ao impor despesas e alterações estruturais sem origem no governo municipal.

O que diz a Secretaria de Saúde

O debate sobre a demora nos atendimentos já vinha sendo tratado dentro da própria gestão. O diretor de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde, Eduardo Simón, comentou recentemente sobre o volume e a complexidade da demanda:

“Todos os meses agendamos mais de 50 mil solicitações de consultas e exames. João Pessoa tem uma rede de atenção ampla para o porte da cidade, e a regulação precisa lidar com esse fluxo gigantesco.”

Simón explicou que o principal desafio é garantir que os pacientes sejam atendidos conforme a urgência clínica. Para isso, a Secretaria implantou, no fim de 2024, um sistema de classificação de prioridades, que reorganiza a fila priorizando casos mais graves.

Ele cita avanços em procedimentos como ressonância magnética, onde pacientes prioritários já estariam sendo atendidos em prazos menores.

O que acontece agora

Com o veto publicado, a decisão volta para a Câmara Municipal de João Pessoa, que pode:

  • manter o veto, encerrando a tramitação;

  • ou derrubá-lo, permitindo que o Legislativo promulgue a lei por conta própria.

O futuro do projeto agora depende da articulação entre vereadores e do entendimento político sobre o tema da transparência na saúde municipal.


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