O eclipse lunar acontece quando há um alinhamento entre o Sol, a Terra e a Lua. Nessa configuração, a Terra se posiciona entre os dois astros e projeta sua sombra sobre a superfície lunar.
Segundo o astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o fenômeno ocorre quando a Lua atravessa a sombra projetada pela Terra.
“Quando a Terra fica entre o Sol e a Lua, ela bloqueia a luz solar direta. Assim, a Lua passa a receber apenas a luz que atravessa a atmosfera terrestre”, explica.
No caso de um eclipse parcial, a sombra da Terra começa a avançar sobre o disco lunar, produzindo o efeito visual que lembra uma “mordida” escurecendo a Lua cheia. Já no eclipse total, a Lua fica completamente imersa na parte mais escura da sombra terrestre.
Nesse momento ocorre o efeito conhecido como “Lua de sangue”. De acordo com Gonçalves, isso acontece porque apenas a parte avermelhada da luz solar consegue atravessar a atmosfera da Terra e alcançar a Lua, enquanto as cores azuladas são espalhadas no caminho.
Apesar da expectativa em torno do fenômeno, grande parte do território brasileiro verá apenas a fase inicial do eclipse. Segundo o astrônomo, a maior parte do país conseguirá observar apenas o eclipse penumbral — um leve escurecimento da Lua, geralmente difícil de perceber a olho nu.
Em cidades como São Paulo e Brasília, o fenômeno ocorrerá por volta das 6h da manhã, quando a Lua já estará muito baixa no horizonte oeste e pouco antes do nascer do Sol, o que torna a observação ainda mais difícil.
A situação melhora ligeiramente na região Norte. Em estados como Acre, Rondônia e no oeste do Amazonas será possível acompanhar parte do eclipse parcial.
“Nessas áreas, por volta das 5h da manhã, já será possível notar a sombra da Terra avançando sobre a Lua. O momento de maior encobrimento ocorrerá perto das 5h45”, explica o astrônomo.
Ainda assim, o Brasil não será o melhor local para observar o eclipse completo. As condições ideais estarão em regiões do Oceano Pacífico, incluindo países como a Nova Zelândia e ilhas como Fiji, onde a fase total será plenamente visível.
Etapas do eclipse
Na fase penumbral, a Lua entra na região mais clara da sombra da Terra, o que causa apenas uma leve diminuição no brilho. Em seguida começa o eclipse parcial, quando a Lua passa a entrar na parte mais escura da sombra, tornando o escurecimento mais visível.
O eclipse total acontece quando o satélite fica completamente imerso na umbra, a região mais escura da sombra terrestre.
No eclipse do dia 3 de março, no entanto, o Brasil verá apenas as fases iniciais. “Quando a Lua estiver totalmente eclipsada, ela já terá se posto abaixo do horizonte para quem está no país”, explica Josina.
Cronograma do fenômeno (horário de Brasília)
- 5h44: início do eclipse penumbral
- 6h50: início do eclipse parcial
- 8h04 às 9h02: fase total (não visível no Brasil)
Mesmo com a limitação de visibilidade neste evento, o público brasileiro não precisará esperar tanto por outro grande espetáculo celeste. De acordo com Josina Nascimento, o próximo eclipse total da Lua plenamente visível em todo o território nacional ocorrerá na noite de 25 para 26 de junho de 2029.
Antes disso, outro fenômeno relevante está previsto para a noite de 27 para 28 de agosto de 2026, quando ocorrerá um eclipse parcial quase total, com cerca de 93% de cobertura da Lua, visível em todo o Brasil.
