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Cultura

Cátia de França: trajetória, resistência e legado da artista que atravessa gerações

Publicado em 28/03/2026 às 16:00 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
A cantora, compositora e multiartista Cátia de França segue como um dos nomes mais singulares da música brasileira, com uma trajetória marcada pela resistência cultural, identidade negra e experimentação artística. Em 2026, a artista — que ultrapassa os 75 anos de idade — mantém-se ativa, com mais de cinco décadas de carreira e um legado que dialoga com diferentes gerações.

Nascida em João Pessoa, em 1947, Cátia iniciou sua trajetória musical ainda jovem, influenciada diretamente pela mãe, Adélia de França, reconhecida como uma das primeiras professoras negras da Paraíba. A formação familiar teve papel central na construção de sua identidade artística, marcada pela valorização dos livros, da educação e da consciência social.

A artista ganhou projeção nacional a partir do final da década de 1970, com o lançamento do álbum “20 Palavras ao Redor do Sol” (1979), produzido por Zé Ramalho. Ao longo da carreira, construiu uma discografia consistente, com trabalhos como “Estilhaços” (1980), “Feliz Demais” (1985), “Avatar” (1996) e produções mais recentes como “Hóspede da Natureza” (2016) e o álbum “No Rastro da Catarina” (2024), que marcou a celebração de seus 50 anos de carreira.

Suas composições, que misturam literatura, música e elementos da cultura popular nordestina, já foram interpretadas por artistas como Elba Ramalho, Amelinha e Xangai. Canções como “Kukukaya” e “Coito das Araras” se tornaram referências dentro da música regional e nacional.

Além da música, Cátia de França também se destaca como escritora, artista plástica e pesquisadora da cultura popular, desenvolvendo obras que transitam entre gêneros e linguagens. Sua produção é marcada por uma estética própria, que rompe fronteiras entre poesia, narrativa e composição musical.

Ao longo da carreira, a artista também se posicionou sobre temas como racismo, desigualdade e políticas culturais, defendendo a arte como ferramenta de expressão, resistência e transformação social. Em diferentes momentos, apontou a necessidade de maior valorização da cultura brasileira e criticou a marginalização de artistas fora dos grandes circuitos comerciais.

Mesmo diante de períodos de menor visibilidade na mídia tradicional, Cátia ganhou novo reconhecimento com o avanço da internet e das plataformas digitais, que contribuíram para a redescoberta de sua obra por públicos mais jovens. Atualmente, seus shows reúnem diferentes gerações, evidenciando a atualidade e força de sua produção artística.

Com uma trajetória que atravessa décadas e movimentos culturais, Cátia de França segue como um símbolo da música nordestina e da identidade brasileira, consolidando-se como uma artista que une memória, inovação e compromisso social em sua obra.


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