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Brasil

Senado pode retomar texto original do PL Antifacção caso Câmara entregue versão frágil

Publicado em 13/11/2025 às 21:43 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
O Senado Federal já trabalha com um cenário considerado provável: se a Câmara dos Deputados aprovar um texto confuso ou juridicamente frágil para o PL Antifacção, a Casa deve simplesmente restaurar a versão original enviada pelo governo federal.

A avaliação circula entre líderes de diversos partidos e reflete o incômodo com as sucessivas mudanças no relatório do deputado Guilherme Derrite, que apresentou quatro versões em poucos dias, aumentando a sensação de instabilidade e falta de coordenação na Câmara.

Nos bastidores, senadores afirmam que a Câmara virou uma “usina de problemas legislativos”, enquanto o Senado tem atuado como a última barreira institucional contra projetos considerados tecnicamente mal construídos.

Renan Calheiros lidera pressão


O senador Renan Calheiros (MDB-AL) tem assumido protagonismo no debate. Ex-ministro da Justiça, ele defende que o país precisa de uma estrutura específica de combate às facções e que o Ministério da Justiça e a Segurança Pública devem ser separados.


Renan também tem lembrado episódios recentes, como o recuo da Câmara no chamado PL da Blindagem, que só saiu de pauta após articulação dele e do senador Otto Alencar. Para ele, o Senado não deve “reciclar resíduos autoritários”.

Desgaste na Câmara se agrava


O PL Antifacção enfrentou nas últimas semanas adiamentos, pressões de governadores, críticas da oposição e insatisfação até de setores da base governista. Deputados relatam falta de diálogo e mudanças repentinas no texto.


Com esse desgaste, senadores avaliam que dificilmente a Câmara conseguirá sustentar um projeto cheio de contradições.

O que prevê o texto original do governo


Enviado em 31 de outubro, o texto do Ministério da Justiça inclui:

  • Definição jurídica de facção criminosa e penas de 8 a 15 anos para domínio territorial ou econômico;

  • Homicídios por facções classificados como crimes hediondos;

  • Ampliação de ferramentas de investigação, como infiltração policial e acesso a dados de geolocalização;

  • Criação do Banco Nacional de Facções Criminosas;

  • Afastamento de agentes públicos vinculados a facções;

  • Facilitação do bloqueio de bens, operações financeiras e transferência emergencial de presos.

Senado se prepara para intervir


Com a votação na Câmara prevista para terça-feira, senadores já sinalizam: se o texto chegar truncado, o Senado deve recolocar integralmente a redação original como forma de garantir segurança jurídica e fortalecer o enfrentamento ao crime organizado.

A percepção dominante é que a Casa Alta não aceitará um projeto “remendado” que possa fragilizar a política nacional de combate às facções.

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