Advogado com cerca de 14 anos de carreira, ele construiu sua atuação no direito do consumidor e chegou à gestão municipal ainda durante a aliança entre o governador João Azevêdo e o prefeito Cícero Lucena. Indicado pelo PSB, partido ao qual é filiado, assumiu inicialmente a secretaria executiva do Procon, antes de se tornar titular da pasta.
O cenário, no entanto, mudou com a aproximação das eleições de 2026.
O racha e a escolha
A mudança provocou uma saída em série de aliados do governador da gestão municipal. Zezinho Botafogo (Esportes) e Thiago Diniz (Participação Popular) deixaram seus cargos e aderiram ao projeto de Lucas Ribeiro.
Júnior Pires fez o oposto. Permaneceu no cargo e, semanas depois, declarou apoio público a Cícero — contrariando a orientação predominante do Partido Socialista Brasileiro.
“Lealdade e gratidão se paga com lealdade e gratidão”, afirmou, ao justificar o movimento. Segundo ele, o apoio se ancora na relação construída dentro da gestão municipal e no respaldo recebido para atuar com autonomia no Procon.
Vale lembrar que o vice de Cícero, Léo Bezerra, também é do PSB e segue nesse dilema.
A decisão não ocorre em um vácuo. Ela se conecta diretamente à forma como o secretário enxerga sua atuação à frente do órgão.
Responsável por uma das áreas mais sensíveis da administração, Pires defende que a proteção ao consumidor exige independência — inclusive política. “Nunca recebi uma ligação para aliviar fiscalização. Pelo contrário, sempre houve incentivo para avançar”, afirmou.
Esse contexto ajuda a explicar por que, mesmo sendo quadro do PSB, ele optou por manter-se alinhado ao prefeito.
Ao mesmo tempo, o secretário tenta sustentar uma posição de equilíbrio: permanece no partido, declara apoio ao governador para o Senado, mas diverge na disputa estadual. “Não saí de lugar nenhum”, resume.
Enquanto o cenário político se acirra, a rotina no Procon segue marcada por demandas recorrentes. Segundo o próprio órgão, os principais problemas enfrentados pelos consumidores em João Pessoa estão nos serviços de telefonia e internet, seguidos por concessionárias de água, energia e instituições financeiras.
São conflitos que envolvem cobranças, contratos e interrupções de serviço — relações contínuas que levam o consumidor a buscar o órgão com mais frequência.
Já o setor de combustíveis, embora esteja no centro das discussões públicas, aparece menos nos rankings formais. “É uma questão coletiva. Impacta todo mundo, mas nem sempre vira uma reclamação individual”, explica.
É justamente nos combustíveis que a atuação do Procon tem ganhado maior visibilidade — e enfrentado mais resistência.
Pires relata dificuldades para obter informações de distribuidoras e episódios de obstrução durante fiscalizações. Em uma das operações, o órgão precisou acionar a Polícia Federal para garantir acesso a dados sobre reajustes.
Além da complexidade técnica, há o peso político e econômico do setor. “É um segmento muito organizado, com forte articulação. Isso torna a fiscalização mais difícil”, afirma.
A exposição dessas ações nas redes sociais pessoais do secretário abriu uma nova frente de conflito: ações judiciais levaram à suspensão das publicações, sob argumento de violação de princípios administrativos.
Para ele, a medida limita o direito à informação. “O consumidor precisa saber o que está acontecendo. Isso também é proteção”, defende.
Se a fiscalização atua no presente, a aposta para o futuro está na educação. O programa “Procon vai às aulas”, criado ainda na primeira gestão municipal, já alcançou cerca de 20 mil estudantes da rede pública.
A iniciativa oferece noções de direito do consumidor, educação financeira e empreendedorismo, além de uma bolsa auxílio para os participantes.
“A ideia é formar um consumidor consciente, que saiba seus direitos e deveres. Isso reduz conflitos lá na frente”, explica.
O crescimento da adesão — que hoje supera o número de vagas — indica, segundo o secretário, uma mudança de percepção sobre o papel do consumidor.
Entre a política e a gestão
Responsável por uma das áreas mais sensíveis da administração, Pires defende que a proteção ao consumidor exige independência — inclusive política. “Nunca recebi uma ligação para aliviar fiscalização. Pelo contrário, sempre houve incentivo para avançar”, afirmou.
Esse contexto ajuda a explicar por que, mesmo sendo quadro do PSB, ele optou por manter-se alinhado ao prefeito.
Ao mesmo tempo, o secretário tenta sustentar uma posição de equilíbrio: permanece no partido, declara apoio ao governador para o Senado, mas diverge na disputa estadual. “Não saí de lugar nenhum”, resume.
Os desafios na ponta: o que mais incomoda o consumidor
São conflitos que envolvem cobranças, contratos e interrupções de serviço — relações contínuas que levam o consumidor a buscar o órgão com mais frequência.
Já o setor de combustíveis, embora esteja no centro das discussões públicas, aparece menos nos rankings formais. “É uma questão coletiva. Impacta todo mundo, mas nem sempre vira uma reclamação individual”, explica.
Pires relata dificuldades para obter informações de distribuidoras e episódios de obstrução durante fiscalizações. Em uma das operações, o órgão precisou acionar a Polícia Federal para garantir acesso a dados sobre reajustes.
Além da complexidade técnica, há o peso político e econômico do setor. “É um segmento muito organizado, com forte articulação. Isso torna a fiscalização mais difícil”, afirma.
A exposição dessas ações nas redes sociais pessoais do secretário abriu uma nova frente de conflito: ações judiciais levaram à suspensão das publicações, sob argumento de violação de princípios administrativos.
Para ele, a medida limita o direito à informação. “O consumidor precisa saber o que está acontecendo. Isso também é proteção”, defende.
Educar para reduzir conflitos
A iniciativa oferece noções de direito do consumidor, educação financeira e empreendedorismo, além de uma bolsa auxílio para os participantes.
“A ideia é formar um consumidor consciente, que saiba seus direitos e deveres. Isso reduz conflitos lá na frente”, explica.
O crescimento da adesão — que hoje supera o número de vagas — indica, segundo o secretário, uma mudança de percepção sobre o papel do consumidor.
Outra frente da gestão é a digitalização dos serviços. O uso de tablets substituiu processos em papel, e o atendimento passou a ser oferecido também por canais digitais, como WhatsApp e aplicativos.
A medida busca ampliar o acesso e dar mais transparência ao acompanhamento das demandas.
A exposição do trabalho, no entanto, tem um custo. Pires afirma que ele e sua equipe enfrentam ameaças constantes, inclusive de morte, o que impacta a rotina pessoal.
“Não é fácil. A gente precisa mudar hábitos, evitar exposição. Mas é uma escolha que eu fiz”, diz.
A medida busca ampliar o acesso e dar mais transparência ao acompanhamento das demandas.
“Não é fácil. A gente precisa mudar hábitos, evitar exposição. Mas é uma escolha que eu fiz”, diz.

