Ele próprio costuma resumir sua carreira em uma frase simples: quase tudo aconteceu de forma inesperada.
Do primeiro comentário esportivo feito de improviso numa rádio do Brejo paraibano à criação de um dos podcasts políticos mais assistidos do estado, o caminho de Rudney é marcado por encontros fortuitos, decisões rápidas e oportunidades que surgiram exatamente quando ele menos esperava.
Hoje, à frente do projeto A Tal da Política, ele entrevista governadores, prefeitos, deputados e lideranças políticas, produzindo conteúdos que circulam intensamente nas redes sociais e influenciam o debate público na Paraíba.
Mas a história começa bem longe do estúdio.
Uma infância cercada de jornalismo
Três tios eram jornalistas. O pai trabalhava com fotografia ligada ao rádio. Todos tinham alguma ligação com o histórico Jornal O Norte, que mantinha uma sucursal na cidade responsável por cobrir notícias de toda a região.
Foi nesse ambiente que o jovem Rudney cresceu observando os bastidores da profissão.
Ele acompanhava os familiares nas idas à rádio local, corria pelos corredores da emissora e via de perto o funcionamento das redações. Ainda assim, curiosamente, o jornalismo não parecia um destino inevitável.
Isso porque, naquela época, o mercado era limitado.
Antes da internet e das redes sociais, as opções eram poucas: rádio, televisão ou jornal impresso. Para quem vivia no interior do estado, as oportunidades pareciam ainda mais restritas.
Mesmo assim, uma experiência marcaria seu imaginário.
Ainda adolescente, ele participou de um programa infantojuvenil chamado Clube do Guri, transmitido por uma rádio local. Foi a primeira vez diante de um microfone — e o suficiente para deixar uma semente plantada.
A semente demoraria mais de uma década para germinar.
O verdadeiro início da carreira aconteceu anos depois, de forma completamente casual.
Rudney tinha cerca de 23 anos quando foi aos Correios em Guarabira resolver um envio. Lá encontrou um conhecido que trabalhava como comentarista esportivo em uma rádio da cidade.
A conversa começou sobre futebol — assunto que ele sempre acompanhou de perto.
A desenvoltura chamou atenção.
O radialista fez um convite simples:
Quem mudou sua decisão foi o sogro, ex-jogador de futebol, que insistiu para que ele aproveitasse a oportunidade.
Ele foi.
Naquela noite, entrou no ar pela primeira vez comentando uma partida entre o Guarabira Esporte Clube e o Botafogo da Paraíba.
O resultado surpreendeu todo mundo — inclusive ele.
As ligações dos ouvintes começaram a chegar à rádio elogiando o comentário. A equipe da emissora ficou impressionada com a naturalidade diante do microfone.
Pouco depois, veio o convite para trabalhar como repórter de pista nas transmissões esportivas.
Era 2007.
E Rudney nunca mais sairia do jornalismo.
Nos anos seguintes, ele percorreu praticamente todas as funções possíveis dentro de uma rádio regional.
Foi repórter, narrador esportivo, comentarista e produtor. Trabalhou em transmissões pelo interior da Paraíba, montou equipamentos técnicos, organizou pautas e apresentou programas.
Essa experiência multifuncional acabaria se tornando uma escola fundamental.
Nas rádios do interior, explica ele, muitas vezes não existe equipe de produção. Quem apresenta o programa também precisa preparar as pautas, ligar para entrevistados e organizar toda a estrutura.
“Você cruza a bola, cabeceia e ainda corre para defender”, resume.
Esse aprendizado prático viria a ser decisivo anos depois, quando ele migrasse para os grandes centros de comunicação.
A mudança do esporte para o jornalismo político também aconteceu sem planejamento.
Enquanto trabalhava em uma rádio do Brejo, Rudney passava as tardes preenchendo fichas de inscrição de jogadores para campeonatos amadores organizados pela emissora.
Na sala ao lado funcionava o estúdio de um programa de jornalismo.
Certo dia, ouvindo a transmissão pelos monitores da rádio, ele percebeu que um comentário sobre política estadual estava equivocado.
Decidiu intervir.
Esperou o intervalo, entrou no estúdio e pediu alguns minutos para dar uma informação de bastidor.
Era uma notícia exclusiva.
Quando o programa voltou ao ar, ele fez o comentário. O telefone da rádio explodiu de ligações de ouvintes elogiando a intervenção.
No dia seguinte, o dono da emissora apareceu pessoalmente.
A ordem foi direta:
“Deixe as fichas aí. Seu lugar agora é no programa.”
Pouco tempo depois, Rudney já estava ancorando o principal programa jornalístico da rádio.
A projeção regional abriu portas maiores.
Após anos no rádio do interior, ele foi convidado para trabalhar em João Pessoa e acabou passando por um dos principais sistemas de comunicação do estado, o Sistema Arapuan de Comunicação.
Na emissora, apresentou o programa 60 Minutos, inicialmente como segundo apresentador e, posteriormente, como âncora principal.
Foi nesse período que surgiu o bordão que mudaria sua carreira.
Durante uma edição intensa do programa, repleta de notícias exclusivas sobre bastidores políticos, Rudney chamou o intervalo com uma frase improvisada:
“Depois do intervalo… tem ela. A tal da política e os moídos que ela traz.”
A frase pegou.
O público começou a repetir a expressão nas ruas, nas redes sociais e nos comentários sobre o programa.
Sem perceber, ele havia criado uma marca.
Em 2025, após deixar a emissora onde trabalhava, Rudney enfrentou uma decisão difícil: aceitar convites de outras rádios ou construir algo próprio.
A ideia surgiu dentro de casa.
Foi a esposa quem sugeriu transformar o bordão em um projeto independente.
Assim nasceu A Tal da Política, inicialmente pensado como um podcast de entrevistas transmitido pela internet.
O primeiro convidado veio de forma improvável.
Durante um almoço com jornalistas em João Pessoa, o prefeito da capital, Cícero Lucena, apareceu no restaurante.
Rudney fez o convite ali mesmo.
No dia seguinte, o programa estreava.
A segunda entrevista foi com o ex-governador Ricardo Coutinho.
Os cortes das duas conversas viralizaram.
Hoje, o podcast reúne entrevistas com figuras centrais da política estadual e nacional, incluindo lideranças como:
Parte do sucesso vem de uma característica que Rudney considera essencial: autonomia editorial.
No programa, ele afirma não pedir autorização para abordar temas delicados.
As perguntas que os políticos esperam ouvir aparecem — mas também aquelas que prefeririam evitar.
“É aí que mora o jornalismo”, diz.
Para Rudney, a política paraibana vive um ciclo permanente.
Enquanto uma eleição termina, outra já começa a se desenhar.
Essa dinâmica garante combustível constante para o debate público — e para o próprio podcast.
O projeto já começou a expandir fronteiras.
Nos últimos meses, o jornalista levou o formato do programa até Brasília, onde realizou entrevistas com parlamentares diretamente em seus gabinetes.
Entre elas, uma conversa com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, gravada dentro da residência oficial.
Se depender da lógica tradicional, a carreira de Rudney Araújo talvez nunca tivesse acontecido.
Ele quase recusou o primeiro convite para falar no rádio.
Quase não foi ao estúdio.
Quase não aceitou o convite para fazer o primeiro evento político.
Quase não criou o podcast.
Mas acabou indo.
E foi justamente nesse acúmulo de “quases” que nasceu uma das trajetórias mais bem sucedidas do jornalismo político paraibano recente.
Uma carreira que começou com um comentário improvisado sobre futebol.
E que hoje ajuda a contar — e a provocar — os moídos da tal da política.
Mesmo assim, uma experiência marcaria seu imaginário.
Ainda adolescente, ele participou de um programa infantojuvenil chamado Clube do Guri, transmitido por uma rádio local. Foi a primeira vez diante de um microfone — e o suficiente para deixar uma semente plantada.
A semente demoraria mais de uma década para germinar.
O dia em que tudo começou
Rudney tinha cerca de 23 anos quando foi aos Correios em Guarabira resolver um envio. Lá encontrou um conhecido que trabalhava como comentarista esportivo em uma rádio da cidade.
A conversa começou sobre futebol — assunto que ele sempre acompanhou de perto.
A desenvoltura chamou atenção.
O radialista fez um convite simples:
“Passe lá mais tarde na rádio e faça esse comentário no ar.”Rudney aceitou na hora. Mas, ao chegar em casa, decidiu que não iria.
Quem mudou sua decisão foi o sogro, ex-jogador de futebol, que insistiu para que ele aproveitasse a oportunidade.
Ele foi.
Naquela noite, entrou no ar pela primeira vez comentando uma partida entre o Guarabira Esporte Clube e o Botafogo da Paraíba.
O resultado surpreendeu todo mundo — inclusive ele.
As ligações dos ouvintes começaram a chegar à rádio elogiando o comentário. A equipe da emissora ficou impressionada com a naturalidade diante do microfone.
Pouco depois, veio o convite para trabalhar como repórter de pista nas transmissões esportivas.
Era 2007.
E Rudney nunca mais sairia do jornalismo.
Da arquibancada ao estúdio
Foi repórter, narrador esportivo, comentarista e produtor. Trabalhou em transmissões pelo interior da Paraíba, montou equipamentos técnicos, organizou pautas e apresentou programas.
Essa experiência multifuncional acabaria se tornando uma escola fundamental.
Nas rádios do interior, explica ele, muitas vezes não existe equipe de produção. Quem apresenta o programa também precisa preparar as pautas, ligar para entrevistados e organizar toda a estrutura.
“Você cruza a bola, cabeceia e ainda corre para defender”, resume.
Esse aprendizado prático viria a ser decisivo anos depois, quando ele migrasse para os grandes centros de comunicação.
A transição para a política
Enquanto trabalhava em uma rádio do Brejo, Rudney passava as tardes preenchendo fichas de inscrição de jogadores para campeonatos amadores organizados pela emissora.
Na sala ao lado funcionava o estúdio de um programa de jornalismo.
Certo dia, ouvindo a transmissão pelos monitores da rádio, ele percebeu que um comentário sobre política estadual estava equivocado.
Decidiu intervir.
Esperou o intervalo, entrou no estúdio e pediu alguns minutos para dar uma informação de bastidor.
Era uma notícia exclusiva.
Quando o programa voltou ao ar, ele fez o comentário. O telefone da rádio explodiu de ligações de ouvintes elogiando a intervenção.
No dia seguinte, o dono da emissora apareceu pessoalmente.
A ordem foi direta:
“Deixe as fichas aí. Seu lugar agora é no programa.”
Pouco tempo depois, Rudney já estava ancorando o principal programa jornalístico da rádio.
Da rádio ao cenário político estadual
Após anos no rádio do interior, ele foi convidado para trabalhar em João Pessoa e acabou passando por um dos principais sistemas de comunicação do estado, o Sistema Arapuan de Comunicação.
Na emissora, apresentou o programa 60 Minutos, inicialmente como segundo apresentador e, posteriormente, como âncora principal.
Foi nesse período que surgiu o bordão que mudaria sua carreira.
Durante uma edição intensa do programa, repleta de notícias exclusivas sobre bastidores políticos, Rudney chamou o intervalo com uma frase improvisada:
“Depois do intervalo… tem ela. A tal da política e os moídos que ela traz.”
A frase pegou.
O público começou a repetir a expressão nas ruas, nas redes sociais e nos comentários sobre o programa.
Sem perceber, ele havia criado uma marca.
O nascimento de “A Tal da Política”
A ideia surgiu dentro de casa.
Foi a esposa quem sugeriu transformar o bordão em um projeto independente.
Assim nasceu A Tal da Política, inicialmente pensado como um podcast de entrevistas transmitido pela internet.
O primeiro convidado veio de forma improvável.
Durante um almoço com jornalistas em João Pessoa, o prefeito da capital, Cícero Lucena, apareceu no restaurante.
Rudney fez o convite ali mesmo.
No dia seguinte, o programa estreava.
A segunda entrevista foi com o ex-governador Ricardo Coutinho.
Os cortes das duas conversas viralizaram.
Um novo espaço no debate político
- João Azevêdo
- Efraim Filho
- Veneziano Vital do Rêgo
Parte do sucesso vem de uma característica que Rudney considera essencial: autonomia editorial.
No programa, ele afirma não pedir autorização para abordar temas delicados.
As perguntas que os políticos esperam ouvir aparecem — mas também aquelas que prefeririam evitar.
“É aí que mora o jornalismo”, diz.
A política que nunca para
Enquanto uma eleição termina, outra já começa a se desenhar.
Essa dinâmica garante combustível constante para o debate público — e para o próprio podcast.
O projeto já começou a expandir fronteiras.
Nos últimos meses, o jornalista levou o formato do programa até Brasília, onde realizou entrevistas com parlamentares diretamente em seus gabinetes.
Entre elas, uma conversa com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, gravada dentro da residência oficial.
O jornalista que quase não foi
Ele quase recusou o primeiro convite para falar no rádio.
Quase não foi ao estúdio.
Quase não aceitou o convite para fazer o primeiro evento político.
Quase não criou o podcast.
Mas acabou indo.
E foi justamente nesse acúmulo de “quases” que nasceu uma das trajetórias mais bem sucedidas do jornalismo político paraibano recente.
Uma carreira que começou com um comentário improvisado sobre futebol.
E que hoje ajuda a contar — e a provocar — os moídos da tal da política.
