A declaração foi dada durante entrevista ao Poder Expresso, do SBT News, e chama atenção porque o posicionamento de Lucas contrasta com a decisão nacional de seu próprio partido.
No dia 7 de outubro, Progressistas e União Brasil, que integram a federação União Progressista, oficializaram apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial contra Lula.
Mesmo assim, Lucas afirmou que a direção partidária tem respeitado a posição adotada por ele na Paraíba.
“Não houve represália”
Segundo Lucas, a decisão acompanha o alinhamento político construído pelo Governo da Paraíba ainda durante a gestão de João Azevêdo (PSB), da qual foi vice-governador antes de assumir definitivamente o Executivo estadual.
“Eu represento um governo de continuidade e desde antes havia esse alinhamento político”, afirmou.
Lucas reconheceu que o PP adotou nacionalmente outra posição, mas disse acreditar que existe espaço dentro da legenda para diferenças regionais.
“A gente respeita demais a Executiva Nacional, mas na Paraíba temos uma posição muito clara de coerência, até mesmo de pragmatismo de gestão”, declarou.
Lucas fala em “particularidades regionais”
“Há uma maturidade para compreender as particularidades regionais, as particularidades de cada unidade da federação e essa liberdade de colocar a nossa voz”, afirmou.
A vice-governadora eleita Lígia Feliciano, por exemplo, é filiada ao União Brasil, partido que também integra a federação que declarou apoio a Flávio Bolsonaro, mas permanece alinhada politicamente a Lula na Paraíba.
Governador tem participado ativamente da campanha de Lula
Desde o início do segundo turno, o governador tem participado de atos e articulações políticas em favor da candidatura de Lula.
No sábado (10), ele esteve ao lado do presidente em uma caminhada de campanha em Natal, no Rio Grande do Norte, junto a outros governadores nordestinos.
Na Paraíba, Lucas também vem articulando lideranças de sua base política para ampliar a mobilização em favor do presidente.
Segundo ele, a defesa da continuidade do governo Lula está ligada principalmente à manutenção de parcerias entre o Governo Federal e a Paraíba em áreas como infraestrutura, saúde, segurança hídrica e educação.
Lucas defende redução da abstenção
Lucas afirmou acreditar que uma votação mais rápida, com apenas dois candidatos à Presidência, poderá reduzir filas nos locais de votação e facilitar a participação.
Ele também citou jovens e pessoas com mais de 70 anos, grupos para os quais o voto pode ser facultativo, como públicos que as campanhas tentam mobilizar nesta reta final.
Governador defende “pacificação” em eventual novo mandato de Lula
“Eu creio que o possível Lula 4 deve ser um governo, deverá ser, e é o que todos esperamos, um governo de pacificação”, declarou ao SBT News.
Na avaliação do governador, a população estaria mais preocupada com temas como emprego, renda e melhoria da qualidade de vida do que com disputas ideológicas permanentes.
“As pessoas não estão querendo uma guerra ideológica. As pessoas estão querendo melhoria de vida, estão querendo ascender na vida, um salário melhor”, afirmou.
Lucas também citou a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura e mencionou a ideia de uma ferrovia interligando capitais nordestinas como projeto capaz de estimular turismo e desenvolvimento econômico regional.
Lucas foi reeleito no primeiro turno
A apuração confirmou a vitória com mais de 64% dos votos válidos, deixando Efraim Filho (PL) em segundo lugar e Cícero Lucena (MDB) na terceira colocação.
O resultado deu ao governador uma posição de destaque nas articulações políticas do segundo turno presidencial na Paraíba.
Apoio de Lucas evidencia divisão dentro da federação
Na Paraíba, Lucas mantém apoio a Lula e afirma que a direção do PP não tentou puni-lo ou constrangê-lo por isso.
A situação exemplifica uma característica comum das alianças nacionais: partidos e federações podem adotar determinada posição presidencial enquanto lideranças estaduais preservam arranjos políticos próprios, especialmente quando existem relações administrativas e eleitorais construídas anteriormente.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, Lucas deve continuar atuando na campanha de Lula no estado, apesar da opção nacional de seu partido por Flávio Bolsonaro.

