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Paraíba

“Foi uma costura de amor com a Paraíba”, diz Mayana Neiva ao estrear show em João Pessoa

Publicado em 13/12/2025 às 06:00 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
A apresentação do show “Tá tudo aqui dentro”, realizada no dia 6 de dezembro, no Teatro Paulo Pontes, marcou mais do que a estreia de Mayana Neiva em um palco pessoense. Para a artista paraibana, o espetáculo representou um reencontro profundo com suas origens, com a ancestralidade nordestina e com a própria identidade artística construída ao longo de sua trajetória.

Em entrevista ao Portal Ponto PB, Mayana definiu a noite como a realização de um sonho antigo. Segundo ela, o projeto nasceu e se desenvolveu em diálogo direto com a Paraíba, desde a criação musical até o audiovisual que acompanha o disco.

Eu sonhei muito em trazer esse show pra cá. A primeira faixa do disco, o Cordel da Mulher Paraibana, foi escrita por mim e filmada inteiramente no sertão da Paraíba, com mulheres paraibanas. Desde a feitura do disco, com rabequeiros e músicos daqui, até o audiovisual e, agora, esse show chegando em João Pessoa, tudo foi uma costura de amor pela minha origem”, afirmou.

Mayana destacou que apresentar o espetáculo para o público paraibano teve um significado difícil de traduzir em palavras. Para ela, o palco se transformou em um espaço simbólico de reconexão com uma memória ancestral.

“É um reencontro comigo e com a minha raiz. É algo ancestral, difícil de explicar. Trazer esse show pra esse público tem um valor inexplicável pra mim”, disse.

Durante a entrevista, a artista ressaltou que o espetáculo se ancora no campo simbólico da cultura nordestina, especialmente no forró, no cordel e nas tradições populares que transformam a música em experiência coletiva.

“Quando a gente canta esse campo simbólico da cultura, a gente deixa de ser individual e se torna coletivo. A gente se encontra no mesmo lugar, se torna maior. Isso, pra mim, não tem preço”, afirmou.

A composição do disco, segundo Mayana, tem o acordeon como eixo central — instrumento que, para ela, cria pontes entre o Nordeste e a América Latina. No repertório, aparecem influências do tango, da cúmbia, da afrocúmbia, do carimbó e das diversas formas de guitarrada, tanto baiana quanto pernambucana.

“O disco tem essas referências que transitam entre a América Latina e o Nordeste. No show, isso aparece, mas ele caminha muito mais para o Nordeste. Ele é bem raiz”, explicou.

Mayana também falou sobre sua identidade artística, ressaltando que não separa suas expressões criativas em categorias distintas. Para ela, a cantora nasce diretamente da atriz.

“Eu sinto que a minha cantora nasce da atriz. Tudo está conectado. O canto, pra mim, é uma forma de interpretação. Não fico separando esses nomes. Tudo é expressão artística. Tudo vem da alma”, afirmou.

O show foi realizado pela Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana da Paraíba, dentro da programação da campanha mundial dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, com convite feito pela secretária Lídia Moura. A apresentação gratuita reuniu um público de diferentes gerações.

No palco, Mayana conduziu o público por um repertório marcado por emoção e pertencimento, com músicas como “Cordel da Mulher Paraibana”, “Lamento Sertanejo”, “Espumas ao Vento”, “Mutável”, “Enquanto a Chuva Não Vem” e “Yo No Escribo Poesía”. Ao seu lado, os músicos Cosme Vieira, Ed Woiski, Zi Ramos, Saulo Soares e Francisco Neto deram forma sonora à narrativa do espetáculo.

Um dos momentos mais intensos da noite ocorreu com a participação das cantoras Val Donato e Natália Bellar, que dividiram o palco com Mayana em uma apresentação marcada por forte conexão artística e emocional.

Ao final, a artista desceu do palco e se misturou ao público em um trenzinho de forró, reforçando a ideia de coletividade que permeou toda a noite.

Em João Pessoa, “Tá tudo aqui dentro” foi vivido como mais do que um show. Foi um gesto de retorno, de pertencimento e de afirmação cultural — exatamente como Mayana Neiva descreveu: uma costura afetiva entre arte, memória e origem.

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