A estrutura de vidro que protege a imagem de Iemanjá, na orla do Cabo Branco, em João Pessoa, foi quebrada durante uma briga entre dois homens na madrugada desta sexta-feira (16). O momento foi registrado por câmeras do sistema de videomonitoramento Smart City da Prefeitura.
Segundo a Guarda Civil Municipal, um brasileiro que trabalha como catador de materiais recicláveis e um cidadão colombiano discutiram e arremessaram pedras um contra o outro. Uma das pedras atingiu a proteção de vidro da imagem e provocou o dano. A estátua de Iemanjá não foi atingida.
As imagens ajudaram na identificação dos envolvidos. Os dois foram localizados, detidos e encaminhados à Cidade da Polícia Civil, no bairro do Geisel. A ocorrência foi registrada por meio de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e, segundo a Guarda Municipal, os homens acabaram se reconciliando e foram liberados.
Não há confirmação de intolerância religiosa neste caso
Apesar do histórico de ataques contra o monumento, até o momento não há confirmação de que a quebra ocorrida nesta sexta-feira tenha sido motivada por intolerância religiosa.
As informações divulgadas pela Guarda Municipal apontam que o vidro foi atingido durante uma briga entre os dois homens, e não necessariamente em uma ação deliberadamente direcionada contra a imagem religiosa.
Ainda assim, por causa do histórico do local, o episódio também passou a ser acompanhado por órgãos responsáveis pela apuração de possíveis crimes de intolerância.
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) instaurou novo procedimento para acompanhar a investigação e solicitou imagens das câmeras. A Delegacia Especializada de Crimes Homofóbicos, Racismo e Intolerância Religiosa também foi acionada.
Proteção já havia sido quebrada há menos de um mês
O novo dano aconteceu menos de um mês depois de outro episódio registrado no mesmo local.
Na madrugada de 19 de setembro, câmeras do Smart City flagraram uma mulher diante da estátua e, em seguida, arremessando uma pedra contra a proteção de vidro. A estrutura foi quebrada.
Dias depois, uma mulher apontada como suspeita foi detida. Naquele episódio, a investigação buscou esclarecer também se havia motivação relacionada à intolerância religiosa.
O Ministério Público abriu procedimento para acompanhar a apuração e cobrou informações sobre as imagens de videomonitoramento e as providências adotadas.
Imagem tem histórico de depredações
A estátua de Iemanjá instalada no Cabo Branco já foi alvo de outros ataques ao longo dos anos.
Há registros de danos em 2013 e 2016. Em um dos casos mais graves, ocorrido em 2016, a imagem chegou a ter a cabeça arrancada. Depois de passar por restauração, o monumento recebeu uma estrutura de vidro justamente para tentar impedir novas depredações.
Os episódios anteriores levantaram discussões sobre intolerância contra religiões de matriz africana em João Pessoa, já que Iemanjá é um dos orixás cultuados principalmente no candomblé e na umbanda.
Isso, no entanto, não permite concluir automaticamente que todo dano ao monumento tenha motivação religiosa. Cada ocorrência precisa ser analisada individualmente pelas autoridades.
Quem é Iemanjá?
Iemanjá é uma divindade de origem africana associada às águas e à maternidade e ocupa posição central em tradições religiosas como o candomblé e a umbanda.
Na Paraíba, a imagem do Cabo Branco se tornou um ponto simbólico para praticantes de religiões de matriz africana e recebe tradicionalmente manifestações de fé, principalmente em celebrações realizadas na orla.
Ataques a imagens, templos ou símbolos religiosos podem configurar crimes quando comprovada motivação discriminatória ou de intolerância.
Câmeras registraram toda a movimentação
O local onde fica a estátua conta atualmente com iluminação pública e câmeras do sistema Smart City.
Foi por meio desse monitoramento que a Guarda conseguiu reconstruir parte da ocorrência desta sexta-feira e localizar os dois envolvidos.
As imagens mostram a discussão e o momento em que pedras são lançadas durante a confusão. Uma delas atinge diretamente a proteção do monumento.
A Polícia Civil e os demais órgãos acionados agora deverão esclarecer se houve apenas dano decorrente da briga ou se existiu algum outro elemento que possa alterar o enquadramento da ocorrência.
Segundo dano em menos de um mês acende novo alerta
Embora as circunstâncias deste caso sejam diferentes do episódio de setembro, a repetição dos danos volta a chamar atenção para a segurança do monumento.
Em menos de um mês, a proteção criada justamente para preservar a imagem foi quebrada duas vezes.
No caso desta sexta-feira, até agora, não há elementos públicos que permitam afirmar que o ataque tenha sido direcionado a Iemanjá por intolerância religiosa. O que está confirmado é que uma pedra lançada durante uma briga atingiu a estrutura.
A investigação deverá determinar se há algum outro aspecto relevante além do dano material já constatado.
