Paraíba
STJ nega habeas corpus a policial civil investigado por desvio de drogas na Paraíba
Publicado em 21/10/2026 às 14:53 Por Redação
De acordo com o relator, existem elementos concretos na investigação que justificam a manutenção da prisão preventiva. O ministro também apontou risco de continuidade das atividades criminosas caso o agente fosse colocado em liberdade.
A investigação faz parte da Operação Perfidus, deflagrada em 2 de junho deste ano, que apura suspeitas de envolvimento de policiais civis, incluindo um delegado, em um esquema de apropriação e comercialização ilegal de entorpecentes.
A defesa argumentou que a manutenção da prisão representaria antecipação de pena e violação ao princípio da presunção de inocência. Os argumentos, porém, não foram acolhidos pelo ministro.
Investigação envolve delegado e outros agentes
Além de Everton Aires, são investigados o agente Eduardo Jorge Ferreira do Egito e o delegado Braz Morroni de Paiva Júnior. Os três eram lotados na Delegacia de Crimes contra o Patrimônio.
Segundo o Ministério Público da Paraíba (MPPB), os servidores teriam utilizado a condição de policiais para se apropriar de drogas apreendidas e retirar entorpecentes de terceiros. Conforme a acusação, o grupo simulava ações policiais, registrava apenas parte do material recolhido e destinava o restante à comercialização ilegal.
Os fatos investigados teriam ocorrido entre 2024 e 2026. As apurações foram conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a partir de uma denúncia anônima.
Justiça revisou decisão sobre soltura
Em 25 de setembro, o juiz Salvador de Oliveira Vasconcelos, da 5ª Vara Criminal de João Pessoa, tornou sem efeito uma decisão anterior que previa a expedição de alvarás de soltura para o delegado e dois agentes.
Segundo o magistrado, os investigados continuavam presos por determinações preventivas expedidas em outro processo. Dessa forma, a decisão anterior não resultaria na libertação efetiva dos acusados.
O juiz também apontou divergências sobre qual unidade judicial deve conduzir parte dos processos relacionados ao caso. A definição de competência ainda depende de análise do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB).
Ministério Público pede afastamento e bloqueio de bens
Na esfera cível, o MPPB ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra o delegado e os dois agentes. O órgão pediu o afastamento dos servidores de suas funções e o bloqueio de bens, além de medidas destinadas a garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Os policiais também respondem a denúncias criminais relacionadas a supostos desvios de drogas e invasões de residências. Entre os crimes apontados pelo Ministério Público estão furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual.
Para embasar as acusações, o órgão informou ter reunido elementos como análises de celulares, dados de geolocalização de viaturas, informações bancárias e fiscais, documentos e depoimentos.
As acusações ainda devem ser analisadas pela Justiça, respeitando-se o direito de defesa e a presunção de inocência dos investigados.
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