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STF retoma julgamento do marco temporal em plenário virtual a partir desta segunda (15)

Publicado em 15/12/2025 às 08:00 Por Redação
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta segunda-feira (15) o julgamento da tese do marco temporal para a demarcação de terras indígenas. A análise ocorrerá no plenário virtual da Corte, com início às 11h, e a votação seguirá aberta até quinta-feira (18), às 23h59.

A retomada do julgamento foi definida pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, após solicitação do relator das ações, ministro Gilmar Mendes. Na última quinta-feira (11), o Supremo concluiu a fase presencial de sustentações orais, ouvindo as partes envolvidas nos quatro processos que tratam do tema.

Inicialmente, havia expectativa de que a votação dos ministros ocorresse apenas em 2026, em razão do recesso do Judiciário, que começa em 20 de dezembro, com retomada dos trabalhos somente em fevereiro do próximo ano.

Tema retorna ao STF dois anos após decisão de inconstitucionalidade


O marco temporal volta à pauta do Supremo dois anos após a Corte ter declarado a tese inconstitucional. Pelo entendimento rejeitado na ocasião, os povos indígenas só teriam direito à demarcação das terras que estivessem sob sua posse em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estivessem em disputa judicial naquele momento.

Apesar dessa decisão, o Congresso Nacional aprovou a Lei nº 14.701/2023, que restabeleceu a tese. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou parte do texto, mas os vetos foram derrubados pelo Parlamento, fazendo com que a regra voltasse a integrar o ordenamento jurídico.

Alertas e ações judiciais


Após a derrubada dos vetos, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) divulgou um alerta apontando que 297 terras indígenas podem ficar desprotegidas com a aplicação da nova lei. Segundo o órgão, a retomada de alguns dispositivos limita a atuação da Funai em territórios ainda não homologados, o que pode resultar em violação de direitos durante processos de licenciamento ambiental que afetem povos tradicionais, seus territórios e modos de vida.

Diante do cenário, partidos como PL, PP e Republicanos acionaram o STF para defender a validade da lei aprovada pelo Congresso. Em sentido oposto, entidades indígenas e partidos da base governista ingressaram com ações para questionar novamente a constitucionalidade da tese.

Congresso avança com PEC sobre o tema


Paralelamente ao julgamento no Supremo, o Senado Federal aprovou, no último dia 9, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/2023, que insere o marco temporal diretamente no texto constitucional. O projeto foi aprovado em dois turnos, com 52 votos favoráveis em ambas as votações, e seguirá agora para análise da Câmara dos Deputados.

O texto da PEC define como terras tradicionalmente ocupadas aquelas que, na data da promulgação da Constituição, eram habitadas permanentemente, utilizadas para atividades produtivas, necessárias à preservação ambiental e à reprodução física e cultural dos povos indígenas, vedando a ampliação de áreas além dos limites já demarcados.

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