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Paraíba

Senadora paraibana conta que já foi sufocada por juiz e obrigada a fazer tatuagem com nome dele

Publicado em 10/04/2026 às 17:26 Por Redação
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
A senadora Daniella Ribeiro (PP) relatou, nesta sexta-feira (10), episódios de violência doméstica e psicológica que afirma ter sofrido durante um relacionamento com um juiz. As declarações foram feitas durante participação em um seminário sobre violência doméstica realizado no Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), em João Pessoa, com a presença de magistrados e autoridades.

Durante o relato, a parlamentar descreveu situações de agressão dentro de casa e citou o desembargador Leandro dos Santos, presente no evento, ao mencionar que ambos residiam no mesmo prédio à época dos fatos.

“Desembargador Leandro, enquanto o senhor estava no seu apartamento, que é o mesmo prédio que eu, eu muitas vezes estava debaixo de um travesseiro sendo sufocada. E a pessoa que fazia isso, do lado de fora, era um mestre em ser socialmente agradável”, afirmou.

A senadora detalhou que, além das agressões físicas, enfrentou um ambiente de controle psicológico ao longo do relacionamento. Segundo ela, o comportamento do então companheiro incluía acusações constantes, crises de ciúmes e tentativas de desestabilização emocional.


Ela relatou episódios em que era acusada de situações cotidianas, o que a levou a questionar a própria percepção da realidade. “Você vai ficando pensando, começando a pensar se você está ficando louca”, disse.

De acordo com a parlamentar, o relacionamento também foi marcado por isolamento progressivo. Ela afirmou que foi afastada de amigos e familiares, e que pessoas próximas passaram a ser desqualificadas pelo parceiro. O pai da senadora, segundo o relato, chegou a demonstrar preocupação com a situação por meio de familiares.

Daniella Ribeiro afirmou que o então companheiro também exercia influência sobre decisões pessoais e profissionais. Entre os episódios citados, ela mencionou a tentativa de convencê-la a deixar a vida política.


“Por que você precisa estar na política, se eu vou cuidar de você?”, relatou, ao descrever falas do parceiro. A senadora disse que chegou a considerar a possibilidade e discutiu o assunto com os filhos, mas reconsiderou a decisão após o diálogo familiar.

Ainda segundo o relato, houve episódios de ameaças e comportamentos intimidatórios, incluindo situações dentro de veículos e momentos de tensão relacionados a interações sociais.

A parlamentar também citou imposições durante o relacionamento, como a exigência de uma tatuagem com a assinatura do então companheiro. Segundo ela, o gesto foi condicionado a situações específicas, como a autorização para realizar atividades pessoais.


Após o fim do relacionamento, Daniella Ribeiro afirmou que cobriu a tatuagem com o desenho de uma flor, como forma de simbolizar um recomeço.


A senadora relatou que buscou acompanhamento psicológico durante o período e passou a registrar conversas como forma de compreender a situação vivida. Segundo ela, a identificação dos episódios como violência doméstica ocorreu após orientação profissional e releitura da Lei Maria da Penha.

“Quando eu li a lei, eu me vi exatamente naquele lugar”, afirmou.

Daniella Ribeiro declarou que formalizou o divórcio após esse processo e deixou o relacionamento. Ela também mencionou impactos na saúde, incluindo quadro de depressão durante o período.

O relato foi feito no contexto de um seminário voltado ao debate sobre violência doméstica e de gênero, com a participação de integrantes do Judiciário e representantes de instituições públicas. A fala da senadora integrou a programação do evento, que discutiu mecanismos de enfrentamento à violência e a aplicação da legislação vigente.


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