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Paraíba

Sandra Marrocos rebate fala de Eliza contra Erika Hilton: “Discurso rasteiro“

Publicado em 13/03/2026 às 01:41 Por Redação
A ex-vereadora de João Pessoa Sandra Marrocos (Podemos) reagiu às declarações da vereadora Eliza Virgínia sobre a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Em entrevista ao Em Ponto Podcast, do Portal Ponto PB, Sandra afirmou que o debate sobre a representatividade feminina e as pautas de gênero precisa ocorrer de forma mais profunda e responsável, sem ataques pessoais.

A manifestação da ex-parlamentar ocorre após Eliza Virgínia voltar a criticar publicamente a escolha de Erika Hilton para comandar o colegiado, cargo para o qual a deputada foi eleita na última quarta-feira (11), tornando-se a primeira mulher trans a presidir a comissão na história da Câmara dos Deputados.

Durante discurso, a vereadora questionou a presença de uma mulher trans à frente do colegiado e classificou a decisão como um erro.

Resposta de Sandra Marrocos

Ao comentar o caso no podcast, Sandra Marrocos, que é assistente social, professora universitária e militante feminista, afirmou que a prioridade do debate político deveria estar voltada para políticas públicas de proteção às mulheres, sobretudo diante dos índices de violência registrados no país.

“A senhora devia estar preocupada em ter mais proteção para as mulheres nessa cidade e cidades fora”, afirmou Sandra ao se referir à vereadora.

Durante a entrevista, a ex-vereadora citou um episódio recente de violência doméstica ocorrido em uma unidade de saúde da capital paraibana para ilustrar o que considera ser o verdadeiro foco da pauta.

“Uma mulher apanhou dentro da maternidade Cândida Vargas. Ela tinha acabado de parir e foi agredida pelo marido. Isso acontece porque muitos homens ainda acham que a mulher é propriedade deles”, declarou.

Segundo Sandra, casos como esse evidenciam que a violência contra a mulher é um problema estrutural, que exige respostas institucionais e políticas públicas eficazes.

Defesa da representatividade de Erika Hilton

Durante a conversa, Sandra Marrocos também afirmou que a eleição de Erika Hilton para presidir a comissão não representa uma ameaça à luta pelos direitos das mulheres.

Para a ex-vereadora, a atuação política e o compromisso com as pautas femininas devem ser os critérios centrais no debate.

“Ter Erika à frente da Comissão da Mulher não me faz menos mulher, não me faz menos mãe. Ela tem comprometimento com as pautas das mulheres”, afirmou.

Sandra também ressaltou que, embora existam divergências dentro do próprio movimento feminista sobre temas relacionados a gênero e identidade, esse debate precisa ocorrer com responsabilidade e profundidade.

“É um tema complexo que está sendo discutido de forma rasa. A gente precisa discutir profundamente, inclusive dentro do movimento de mulheres”, disse.

Debate interno no movimento feminista

A ex-parlamentar destacou ainda que não há consenso absoluto dentro dos movimentos sociais sobre a ampliação do conceito de gênero, mas afirmou que isso não justifica ataques públicos ou deslegitimação da atuação política de mulheres trans.

Segundo Sandra, divergências internas fazem parte do processo político e precisam ser tratadas de forma madura.

“Quando esses embates são levados para o público de forma agressiva, isso fragiliza a luta das mulheres”, avaliou.

Contexto da eleição de Erika Hilton

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi eleita para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados com 11 votos favoráveis e 10 votos em branco.

A comissão é responsável por analisar projetos de lei, discutir políticas públicas e acompanhar ações voltadas à promoção da igualdade de gênero e ao enfrentamento da violência contra a mulher.

A escolha da parlamentar gerou repercussão no cenário político nacional, com manifestações de apoio e críticas por parte de diferentes setores da sociedade e do meio político.

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