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Paraíba

Resort de R$ 650 milhões transforma João Pessoa em novo polo da hotelaria de lazer

Publicado em 26/01/2026 às 06:00 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
A decisão do Grupo Tauá de investir R$ 650 milhões em um resort de grande porte no litoral sul de João Pessoa reposiciona a Paraíba no mapa da hotelaria de lazer brasileira. Mais do que a inauguração de um empreendimento, o projeto simboliza a entrada definitiva do estado na disputa com destinos consolidados do Nordeste, como Porto de Galinhas e Praia do Forte, agora em condições semelhantes de infraestrutura, planejamento e escala.

Com 1.120 leitos, o Tauá Resort João Pessoa se tornará o maior do país em capacidade de hospedagem e será o primeiro a operar dentro do Polo Turístico Cabo Branco, área planejada pelo Governo do Estado para concentrar investimentos estruturantes no setor de turismo e serviços.

Confiança econômica foi decisiva para o investimento


Nos bastidores do mercado, o empreendimento é visto como um selo de confiança na economia paraibana. A solidez fiscal do estado, aliada à previsibilidade jurídica e à capacidade de articulação institucional, pesou tanto quanto os atrativos naturais. Para grandes grupos e fundos internacionais, esse conjunto é decisivo para reduzir riscos e garantir retorno de longo prazo.

A escolha da Paraíba não foi imediata. O Grupo Tauá levou cerca de três anos avaliando diferentes destinos antes de chegar à decisão final. Segundo a CEO Lizete Ribeiro, João Pessoa não figurava entre as opções mais óbvias, mas ganhou força após visitas técnicas e reuniões com o governo estadual.

“O diferencial foi encontrar uma área pronta, organizada e com clara intenção de transformar o turismo local. Isso faz muita diferença para quem investe”, relatou a executiva.

Sustentabilidade deixa de ser discurso e vira exigência


O resort já nasce alinhado às exigências ambientais mais rigorosas do setor. A proposta é operar com energia limpa, eliminar plásticos descartáveis e manter a neutralização das emissões de carbono. O modelo atende às exigências de investidores internacionais e estabelece um novo padrão de concorrência na região.

Na prática, o empreendimento cria um efeito dominó: hotéis vizinhos e futuros projetos precisarão se adaptar a práticas sustentáveis para não perder competitividade diante de um concorrente que estreia dentro das normas ambientais mais avançadas do mercado global.

Empregos e qualificação pressionam o mercado local


Se por um lado o impacto econômico é positivo, por outro surge um desafio imediato: mão de obra qualificada. A previsão é de 678 empregos diretos, em uma capital que já enfrenta forte pressão no mercado de trabalho por conta do crescimento imobiliário e populacional.

Para contornar o problema, o Grupo Tauá aposta em duas frentes: trazer profissionais nordestinos que atuam em outros estados e investir pesado em capacitação local. A política de contratação também prioriza diversidade e inclusão.

De acordo com Isis Batista, gerente de sustentabilidade e responsabilidade social do grupo, o objetivo é refletir a pluralidade da sociedade brasileira dentro da operação do resort. “A diversidade não é um discurso, é uma prática que orienta nossas decisões”, afirmou.

Relação com comunidades é tratada como ativo estratégico


A convivência com as comunidades do entorno é considerada parte central do modelo de negócio. O Instituto Tauá, braço social da empresa, já iniciou ações na comunidade do Aratu, com investimentos voltados à educação.

Entre as primeiras iniciativas está a doação de materiais para a construção de uma sala de reforço escolar. A estratégia busca evitar conflitos futuros e garantir que o empreendimento seja percebido como um agente de desenvolvimento, e não apenas como um equipamento turístico isolado.

Polo Cabo Branco entra em fase decisiva


O desempenho do Tauá Resort será determinante para o futuro do Polo Turístico Cabo Branco, que ainda projeta mais de R$ 2 bilhões em novos investimentos nos próximos anos. Caso o modelo se mostre bem-sucedido, a Paraíba poderá consolidar uma nova matriz de crescimento baseada em turismo qualificado, serviços de alto padrão e geração de empregos.

O polo ocupa uma área de 645 hectares e foi planejado para integrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental, protegendo uma das maiores áreas contínuas de mata atlântica urbana do país. Com divisão técnica por distritos, o espaço foi desenhado para receber resorts, centros de convenções, parques temáticos e equipamentos comerciais de forma ordenada.

Além de ampliar a oferta hoteleira, o complexo funciona como um hub de atração de capital privado, sustentado por um modelo de concessão que exige contrapartidas ambientais, sociais e de qualificação profissional.

Um teste para o futuro do turismo paraibano


Mais do que um resort, o projeto do Grupo Tauá representa um teste de maturidade para o turismo da Paraíba. Se a operação alcançar as taxas de ocupação previstas, o estado pode inaugurar um novo ciclo econômico, com impacto direto na cadeia produtiva, no emprego e na projeção nacional e internacional do destino João Pessoa.

O investimento deixa claro que, no turismo moderno, beleza natural não basta. Planejamento, governança e segurança econômica passaram a ser tão decisivos quanto sol, mar e paisagem.

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