De acordo com o relatório final da investigação, os policiais foram indiciados pelos crimes de furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual.
Segundo a Polícia Civil, o grupo é suspeito de desviar parte de uma carga de drogas apreendida durante uma operação realizada em setembro de 2025. As investigações apontam que cerca de 60 quilos de entorpecentes foram encontrados em um apartamento, porém apenas 3 quilos foram oficialmente apresentados na delegacia. A diferença, conforme o inquérito, representa um prejuízo estimado em aproximadamente R$ 2,1 milhões em drogas que não teriam sido contabilizadas na apreensão.
O indiciamento por falsificação de documento público está relacionado ao boletim de ocorrência elaborado três dias após a ação policial. Conforme o relatório, o documento teria registrado informações incompatíveis com o que foi efetivamente encontrado no imóvel, especialmente em relação à quantidade de drogas apreendida.
Já a acusação de abuso de autoridade tem como fundamento a suposta entrada dos policiais no apartamento sem autorização do morador, sem mandado judicial e, segundo a investigação, sem situação de flagrante que justificasse a medida.
A fraude processual, segundo a Polícia Civil, teria ocorrido porque apenas parte da droga apreendida foi encaminhada para perícia, alterando o conjunto de provas que seriam utilizadas na investigação e em eventual ação penal.
Ao solicitar a prisão preventiva, a Polícia Civil argumentou que outras medidas cautelares seriam insuficientes para garantir o andamento das investigações, alegando risco de fuga e de destruição de provas.
As suspeitas de tráfico de drogas e associação para o tráfico continuam sendo apuradas em um segundo inquérito, instaurado separadamente para evitar prejuízos à investigação.
Os investigados permanecem recolhidos no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.
Operação Perfídus
Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens dos investigados.
Além de Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge, também foram presos João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral, Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como "Galinha", José Alexandrino de Lira Júnior, "Júnior Lira", Vanessa Dantas Fernandes e Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como "Babau".
Defesas
A defesa de Everton Aires informou que ainda não teve conhecimento da conclusão do inquérito. Já a defesa de Eduardo Jorge declarou que, até o momento, não pode se manifestar sobre o pedido de prisão preventiva e espera que o processo transcorra de forma democrática, justa e respeitando o direito de defesa.
Até a publicação da reportagem, a defesa do delegado Braz Morroni não havia se pronunciado.
