Paraíba
Polícia Civil investiga denúncias de maus-tratos contra quase 200 internos de clínica de reabilitação em Santa Rita
Publicado em 23/10/2026 às 14:17 Por Lucas Rodrigues
A instituição havia sido transferida recentemente de Ponta de Pedras, no município de Goiana, em Pernambuco, para a comunidade de Águas Vivas, em Santa Rita. Segundo os relatos, aproximadamente 200 pessoas chegaram a passar pelo espaço, que começou a receber os internos na quarta-feira (21).
De acordo com o delegado Márcio, responsável pelos primeiros levantamentos, a Polícia Civil tomou conhecimento da situação após o registro de uma ocorrência de agressão física envolvendo um familiar de uma pessoa acolhida na instituição.
A partir desse episódio, os investigadores passaram a apurar as condições de funcionamento do estabelecimento e as circunstâncias da transferência dos internos de Pernambuco para a Paraíba.
Segundo o delegado, o responsável pela instituição iniciou a ocupação do imóvel antes mesmo da conclusão das tratativas para formalizar o contrato de locação. A transferência teria ocorrido sem o planejamento necessário para garantir condições adequadas de acolhimento.
Durante a apuração preliminar, os policiais receberam relatos de falta de colchões, camas e alimentação suficiente. Algumas pessoas também afirmaram que estavam impedidas de utilizar celulares e manter contato com os familiares.
Um dos internos relatou ter sofrido agressões ao tentar deixar a instituição. Segundo ele, funcionários teriam perseguido pessoas com facas e facões ainda durante o período em que o grupo estava em Pernambuco. O homem também afirmou que os maus-tratos continuaram após a transferência para Santa Rita. As denúncias ainda dependem de investigação.
Outro acolhido relatou que passou dias sem receber alimentação adequada e afirmou ter sido medicado contra a própria vontade após uma discussão. A Polícia Civil deverá apurar as circunstâncias desses episódios e identificar possíveis responsabilidades.
O proprietário da granja, Dorgivan de Castro, afirmou que havia alugado o espaço para a instalação de uma unidade de acolhimento, mas que se surpreendeu com a quantidade de pessoas levadas ao imóvel. Segundo ele, o local não tinha capacidade para receber aproximadamente 160 internos.
Após a saída de parte do grupo, o proprietário participou, com apoio da Polícia Militar e da Guarda Civil, do resgate de pessoas que estavam nas proximidades da BR-230. Cerca de 40 retornaram temporariamente à granja, enquanto outras procuraram familiares ou deixaram a região por conta própria.
A situação mobilizou a Secretaria de Assistência Social de Santa Rita, que passou a identificar os acolhidos e entrar em contato com suas famílias. Até a última atualização, aproximadamente 30 pessoas haviam sido cadastradas para receber acompanhamento e auxílio no retorno para casa.
Grande parte dos internos é de Pernambuco, o que tem dificultado a localização dos familiares. Há relatos de parentes que não foram informados sobre a transferência para Santa Rita e só descobriram o paradeiro dos acolhidos depois da divulgação do caso.
Uma mãe que viajou de Sergipe para encontrar o filho afirmou que pagava R$ 1.500 mensais à instituição, mas encontrou o jovem sem calçados e em condições precárias. Outros familiares relataram pagamentos superiores a R$ 3 mil pelo acolhimento.
O delegado informou que o proprietário do imóvel e o responsável pela instituição já foram identificados. Até o momento da entrevista, a Polícia Civil ainda não havia conseguido contato com o responsável pelo estabelecimento, que deverá ser notificado para prestar esclarecimentos.
A investigação também deverá verificar a regularidade do funcionamento da instituição e as condições em que os acolhidos foram mantidos. Segundo a Polícia Civil, o procedimento ainda está em fase preliminar, e os relatos apresentados precisam ser formalizados.
As pessoas que deixaram o local e afirmam ter sofrido maus-tratos foram orientadas a procurar uma delegacia para registrar boletim de ocorrência e prestar depoimento. O objetivo é reunir informações que permitam esclarecer o que aconteceu dentro da instituição.
Enquanto a investigação avança, a Prefeitura de Santa Rita continua prestando assistência aos acolhidos que permanecem na cidade. Familiares que procuram informações sobre pessoas transferidas da instituição de Goiana para Santa Rita podem buscar orientação junto à Secretaria Municipal de Assistência Social.
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