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Paraíba

Pesquisa com cientista da Paraíba propõe que portugueses chegaram ao Brasil pelo RN

Atualizada em 21/12/2025 às 13:42 Por Redação
Foto: Reprodução/ Facebook
Foto: Reprodução/ Facebook
Um pesquisador paraibano está entre os autores de um estudo internacional que reacende o debate sobre o local da chegada dos portugueses ao Brasil. O físico Cláudio Furtado, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), assina, ao lado de um colega da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, um artigo publicado pela Universidade de Cambridge que propõe uma nova interpretação sobre o início da colonização portuguesa no país.

O trabalho, desenvolvido em parceria com o físico Carlos Schismann, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), utiliza ferramentas da física e das ciências da natureza para analisar um dos documentos mais importantes da história brasileira: a carta de Pero Vaz de Caminha, considerada o primeiro registro oficial sobre a chegada dos portugueses em 1500.

A partir de uma leitura quantitativa do documento, os pesquisadores compararam as descrições feitas pelo escrivão da expedição com características naturais do litoral brasileiro. Entre os elementos analisados estão a força e a direção dos ventos, as correntes oceânicas do Atlântico, a rotação da Terra e o formato e a extensão das praias mencionadas na carta. Esses fatores indicariam que a navegação consideradas no século XVI poderia ter favorecido uma chegada inicial pelo litoral do atual Rio Grande do Norte, antes de alcançar regiões mais ao sul.

Segundo os autores, a rotação terrestre influencia diretamente o comportamento das correntes marítimas e atmosféricas. Acima da Linha do Equador, essas correntes seguem um sentido, enquanto abaixo dela passam a girar em sentido anti-horário, o que tornaria mais viável a rota entre a costa africana e o litoral potiguar. Esse conhecimento, conforme o estudo, era um segredo estratégico dos navegadores portugueses, que desenvolveram grandes embarcações justamente para explorar essas condições naturais.

A hipótese não é inédita. O historiador Lenin Pinto, servidor do Senado Federal e integrante do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, já havia defendido a possibilidade em três publicações anteriores, nas quais apontava que os ventos e as correntes oceânicas favoreciam uma chegada pelo Nordeste setentrional.

Com a publicação do artigo, os pesquisadores — entre eles o paraibano Cláudio Furtado — esperam estimular o debate acadêmico e incentivar novas análises por parte de historiadores e cientistas. A proposta, segundo eles, é que outros estudiosos revisitem o documento histórico e realizem novas medições, contribuindo para a construção coletiva do conhecimento.

Caso a hipótese avance, o estudo poderá abrir caminho para uma reavaliação da narrativa tradicional sobre o início da colonização portuguesa, com impactos potenciais na historiografia brasileira e nos conteúdos ensinados em sala de aula.

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