>A reportagem mostrou os desafios enfrentados por Ninão para recuperar a mobilidade e a independência. Aos 41 anos, ele precisou de equipamentos que suportassem seu peso de aproximadamente 185 quilos e fossem compatíveis com sua altura, o que exigiu adaptações e testes de resistência.
>Um dos detalhes que mais chamaram a atenção foi o tamanho dos pés artificiais: cada um mede 38 centímetros de comprimento e corresponde à numeração 60. A fabricação exigiu um trabalho personalizado, desde a retirada das medidas e a produção dos moldes até os testes de resistência dos componentes.
>Segundo os profissionais ouvidos pelo Fantástico, os pés passaram por testes realizados na Rússia, por uma empresa especializada em próteses. Os equipamentos foram submetidos a avaliações de resistência, incluindo ensaios com cargas de até 700 quilos.
>Um dos especialistas afirmou que, pelas dimensões, os componentes podem estar entre os maiores pés protéticos já fabricados no mundo. A possibilidade, no entanto, não foi apresentada como um recorde oficialmente reconhecido.
>A história de Ninão começou a ganhar repercussão nacional por causa de sua altura. Natural de Assunção, ele relatou que teve uma infância tranquila até os oito anos, quando a família começou a perceber que seu crescimento era diferente do das outras crianças.
>Aos dez anos, já media aproximadamente 1,70 metro, altura semelhante à do pai. Aos 14, havia alcançado 1,96 metro e recebeu o diagnóstico de gigantismo, condição relacionada à produção excessiva do hormônio do crescimento.
>Ninão contou que teve medo de realizar o tratamento cirúrgico indicado pelos médicos e adiou o procedimento. Depois da cirurgia, ainda cresceu alguns centímetros, até atingir os atuais 2,37 metros.
>Com o passar dos anos, surgiram problemas de saúde. Ele desenvolveu diabetes e enfrentou uma infecção óssea grave, conhecida como osteomielite, que levou à amputação de parte da perna direita em 2021.
>Após a primeira cirurgia, o paraibano conseguiu uma prótese produzida em João Pessoa e voltou a caminhar. Entretanto, a mesma infecção comprometeu a outra perna, exigindo uma segunda amputação em outubro de 2025, realizada no Hospital de Clínicas de Campina Grande.
>Sem as duas pernas, Ninão passou a enfrentar dificuldades ainda maiores para se locomover. Apesar das limitações, manteve uma rotina ativa e buscou alternativas para recuperar sua autonomia.
>Foi então que decidiu pedir ajuda pelas redes sociais. A campanha chamou a atenção de uma clínica especializada de Sorocaba, que aceitou o desafio de desenvolver os equipamentos necessários para que ele pudesse voltar a andar.
>A viagem até São Paulo também exigiu adaptações. Ninão relatou o receio de não conseguir embarcar em um avião por causa de sua altura e de suas condições de mobilidade. Com auxílio da equipe de transporte, conseguiu utilizar uma cadeira especial para atravessar o corredor da aeronave.
>Já na clínica, profissionais realizaram medições, produziram moldes e acompanharam cada etapa da fabricação. O trabalho incluiu a preparação dos encaixes das pernas, que posteriormente serão substituídos por versões definitivas em fibra de carbono.
>Durante a primeira adaptação, Ninão surpreendeu os profissionais pela facilidade com que conseguiu se equilibrar e iniciar os movimentos.
>“Nem vai precisar ensinar a andar?”, comentou um dos profissionais durante o atendimento.
>O paraibano, por sua vez, demonstrou entusiasmo com a possibilidade de recuperar a mobilidade.
>“Não queria nem andar, queria correr. Eu sou teimoso”, brincou.
>As imagens exibidas pelo Fantástico mostram Ninão dando seus primeiros passos com as novas próteses, acompanhado por profissionais de reabilitação. Ele também participou de exercícios de equilíbrio e atividades com bola, importantes para recuperar a confiança e a coordenação motora.
>Além de caminhar novamente, Ninão tem outro objetivo: retornar ao esporte. Entre 2022 e 2024, ele integrou a seleção brasileira de vôlei sentado e participou do Mundial de 2022, quando o Brasil conquistou a medalha de bronze. Posteriormente, também passou a treinar arremesso de peso.
>Na reportagem, o paraibano afirmou que pretende voltar gradualmente às atividades esportivas, respeitando o processo de adaptação aos novos equipamentos.
>A família também participou da reportagem e acompanhou o momento em que ele conseguiu voltar a caminhar. O retorno à posição de pé foi recebido com emoção, especialmente pela possibilidade de Ninão recuperar parte da independência que tinha antes das amputações.
>Para ele, cada passo representa uma conquista que vai além da mobilidade física.
>“Sensação de liberdade. Liberdade de voltar pra casa de pé”, resumiu Ninão ao comentar a experiência.
>A história exibida pelo Fantástico destacou não apenas o desafio de produzir próteses para uma pessoa com dimensões físicas incomuns, mas também a trajetória de um paraibano que, depois de duas amputações, encontrou uma nova oportunidade de caminhar e retomar atividades importantes de sua vida.
