Filha da Comunidade Quilombola do Abreu, no interior da Paraíba, Isabel representa não apenas sua cidade, mas também as vozes das juventudes que lutam por justiça climática, equidade racial e defesa da infância. Ela cursa o segundo ano de Informática no ensino médio integrado ao técnico do IFPB e integra uma série de conselhos e redes de defesa dos direitos de crianças e adolescentes.
“Ser adolescente aqui, no meio de tantas autoridades, e poder trazer nossa visão é muito importante. Somos os mais afetados pelas mudanças climáticas, e quase nunca se pensa na infância e adolescência no presente”, destacou Isabel, direto da Zona Azul da COP30, onde circulam ministros, diplomatas e chefes de Estado.
Da comunidade quilombola ao palco global
O engajamento rendeu convites e reconhecimentos. Ela faz parte dos Núcleos de Cidadania de Adolescentes (NUCAs) — ligados ao Selo Unicef — e também do Conselho Jovem do Unicef Brasil, onde foi convidada para o curso de Formação em Jovens Lideranças Climáticas. Entre 50 participantes selecionados em todo o país, Isabel foi uma das 18 escolhidas para representar o Brasil na COP30.
Voz jovem contra o racismo ambiental
Na conferência, Isabel tem participado de painéis na Zona Azul e Zona Verde, além da Cúpula dos Povos, onde discute temas como racismo ambiental e mitigação da crise climática. “Estar entre pessoas de 191 países, ouvindo realidades diferentes e aprendendo novas formas de enfrentar as mudanças climáticas, é incrível”, relatou a jovem.
Educação como ferramenta de transformação
Isabel atribui boa parte de sua trajetória ao IFPB. “O Instituto é parte fundamental da minha caminhada. Através do curso de Informática, desenvolvo projetos de tecnologia sustentável que beneficiam minha comunidade e promovem inovação”, contou.
No campus, ela também atua no NEABI (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas) e no Grêmio Estudantil, espaços que fortalecem seu olhar crítico e social. Recentemente, conquistou o primeiro lugar na Feira de Ciências do IFPB, o que garantiu financiamento para um projeto de sustentabilidade ambiental.
Poliglota e engajada, Isabel vê na educação e na representatividade as maiores ferramentas de transformação. “Poder me comunicar em várias línguas, viajar, trocar experiências e mostrar a realidade da juventude do Nordeste é algo poderoso. A educação muda destinos — e o meu é a prova disso”, concluiu.

