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Paraíba

Paraibana quilombola é empossada como ativista global do Unicef durante a COP30

Publicado em 12/11/2025 às 13:30 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
Aos 17 anos, Maria Isabel Liberato, estudante do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) – Campus Picuí, deu um passo que poucos jovens brasileiros alcançam: foi empossada como ativista global do Unicef durante a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA).

Filha da Comunidade Quilombola do Abreu, no interior da Paraíba, Isabel representa não apenas sua cidade, mas também as vozes das juventudes que lutam por justiça climática, equidade racial e defesa da infância. Ela cursa o segundo ano de Informática no ensino médio integrado ao técnico do IFPB e integra uma série de conselhos e redes de defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

Ser adolescente aqui, no meio de tantas autoridades, e poder trazer nossa visão é muito importante. Somos os mais afetados pelas mudanças climáticas, e quase nunca se pensa na infância e adolescência no presente”, destacou Isabel, direto da Zona Azul da COP30, onde circulam ministros, diplomatas e chefes de Estado.

Da comunidade quilombola ao palco global


O ativismo de Isabel começou cedo, inspirado nos pais, que sempre lutaram por inclusão e acessibilidade. “Meu pai é surdo, e cresci vendo meus pais se mobilizarem por direitos das pessoas com deficiência. Meu ativismo nasceu ali e foi ganhando novas causas com o tempo”, contou.

O engajamento rendeu convites e reconhecimentos. Ela faz parte dos Núcleos de Cidadania de Adolescentes (NUCAs) — ligados ao Selo Unicef — e também do Conselho Jovem do Unicef Brasil, onde foi convidada para o curso de Formação em Jovens Lideranças Climáticas. Entre 50 participantes selecionados em todo o país, Isabel foi uma das 18 escolhidas para representar o Brasil na COP30.

Voz jovem contra o racismo ambiental


Na conferência, Isabel tem participado de painéis na Zona Azul e Zona Verde, além da Cúpula dos Povos, onde discute temas como racismo ambiental e mitigação da crise climática. “Estar entre pessoas de 191 países, ouvindo realidades diferentes e aprendendo novas formas de enfrentar as mudanças climáticas, é incrível”, relatou a jovem.


Educação como ferramenta de transformação


Isabel atribui boa parte de sua trajetória ao IFPB. “O Instituto é parte fundamental da minha caminhada. Através do curso de Informática, desenvolvo projetos de tecnologia sustentável que beneficiam minha comunidade e promovem inovação”, contou.


No campus, ela também atua no NEABI (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas) e no Grêmio Estudantil, espaços que fortalecem seu olhar crítico e social. Recentemente, conquistou o primeiro lugar na Feira de Ciências do IFPB, o que garantiu financiamento para um projeto de sustentabilidade ambiental.

Poliglota e engajada, Isabel vê na educação e na representatividade as maiores ferramentas de transformação. “Poder me comunicar em várias línguas, viajar, trocar experiências e mostrar a realidade da juventude do Nordeste é algo poderoso. A educação muda destinos — e o meu é a prova disso”, concluiu.

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