O Governo da Paraíba criou uma estrutura permanente para monitorar, planejar e coordenar respostas a eventos climáticos extremos, com atenção especial aos possíveis impactos do El Niño 2026-2027. O decreto foi assinado pelo governador Lucas Ribeiro (PP) nesta sexta-feira (18), na Granja Santana, em João Pessoa.
A estratégia será organizada em três frentes: o Comitê Estadual de Monitoramento, Preparação e Resposta aos Eventos Climáticos Extremos, a Câmara Técnica Permanente de Monitoramento, Prognóstico e Avaliação de Riscos Climáticos e a Sala Estadual de Situação.
A intenção é reunir diferentes órgãos do Estado para antecipar cenários e permitir respostas coordenadas diante de situações como estiagens prolongadas, escassez hídrica, ondas de calor e episódios de chuvas intensas.
El Niño motivou reforço no monitoramento
Para instituir a nova estrutura, o Governo considerou a necessidade de articular políticas relacionadas às mudanças climáticas, fortalecer os sistemas estaduais de monitoramento e acompanhar a evolução do El Niño no ciclo 2026-2027.
O fenômeno já é acompanhado por órgãos federais. Boletim divulgado pelo Cemaden em junho informou que o El Niño estava configurado e apontava probabilidade superior a 90% de permanência pelo menos até o início de 2027, além de possibilidade de intensidade elevada.
Para o Nordeste, projeções climáticas indicam risco de temperaturas acima da média e redução das chuvas em determinadas áreas, embora os efeitos possam variar conforme a região e o período analisado.
Na Paraíba, o planejamento estadual considera cenários distintos: seca e maior pressão sobre os recursos hídricos no Semiárido, além da possibilidade de episódios de chuva intensa em áreas da Zona da Mata.
Comitê fará articulação entre órgãos
O Comitê Estadual funcionará como uma instância colegiada permanente de coordenação estratégica.
Segundo o decreto, caberá ao grupo integrar o planejamento e a atuação dos órgãos e entidades estaduais envolvidos na gestão de riscos e impactos provocados por eventos climáticos extremos.
Na prática, o comitê deverá analisar cenários, estabelecer prioridades e articular ações entre áreas como recursos hídricos, Defesa Civil, meio ambiente, agricultura, saúde, infraestrutura e assistência social.
Antes da publicação do decreto, representantes de 17 órgãos da administração estadual já haviam participado de reuniões para construir o modelo integrado de atuação.
Câmara Técnica reunirá dados e prognósticos
A Câmara Técnica Permanente terá uma função mais especializada.
Será responsável por consolidar, integrar e analisar as informações oficiais utilizadas no monitoramento climático, na elaboração de prognósticos e na avaliação dos riscos e impactos.
Esses dados deverão servir como base técnica para as decisões do Comitê Estadual.
O objetivo é evitar que cada órgão trabalhe isoladamente e reunir informações meteorológicas, hidrológicas e de outras áreas em uma mesma estrutura de análise.
Sala de Situação acompanhará cenário em tempo real
Já a Sala Estadual de Situação funcionará como ambiente permanente e interinstitucional de monitoramento.
O espaço deverá sistematizar informações provenientes de diferentes instituições e oferecer apoio operacional para a tomada de decisões diante de situações de risco ou emergência.
A proposta é permitir que mudanças nas condições meteorológicas, níveis de reservatórios e demais indicadores sejam acompanhadas de maneira integrada, facilitando a adoção de medidas preventivas ou emergenciais.
Estado quer antecipar respostas
A criação da estrutura ocorre depois de uma série de reuniões entre órgãos estaduais e instituições responsáveis pelo acompanhamento do clima e pela gestão de desastres.
Em agosto, o Ministério Público da Paraíba também reuniu órgãos públicos e representantes municipais para discutir estratégias de prevenção diante do El Niño e de outros eventos climáticos extremos.
Com o decreto, o Governo pretende transformar esse acompanhamento em uma política permanente, deixando a estrutura preparada não apenas para o atual ciclo do El Niño, mas também para outros eventos extremos que possam atingir a Paraíba nos próximos anos.

