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Paraíba

Padre que atacou Preta Gil em missa faz acordo com MPF para evitar processo criminal na Paraíba

Atualizada em 06/02/2026 às 15:40 Por Redação
O padre Danilo César, da paróquia de Areial, no Agreste paraibano, firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público Federal (MPF) para encerrar a ação criminal por intolerância religiosa. O documento, homologado pela juíza federal Cristiane Mendonça Lage, exige que o religioso cumpra uma série de medidas educativas e financeiras após declarações polêmicas sobre a fé da cantora Preta Gil e ataques a religiões de matriz afro-indígena durante uma missa transmitida online.

Como parte do acordo, o padre assinou um termo de confissão, que servirá como prova imediata caso ele descumpra qualquer uma das cláusulas estabelecidas. O MPF determinou que o líder religioso passe por um processo de "reeducação social e histórica", que inclui:

• Educação: Cumprimento de 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa e produção de resenhas manuscritas de livros e documentários sobre culturas afro-brasileiras.
• Reparação Financeira: Pagamento de multa de R$ 4.863,00 para uma associação de apoio a comunidades afrodescendentes (AACADE).
• Ato Simbólico: Participação obrigatória em um ato inter-religioso em João Pessoa, com a presença de representantes de matrizes africanas e convite formal à família de Gilberto Gil.

O episódio ocorreu em julho de 2025, quando o padre associou a morte de Preta Gil à sua fé em orixás, questionando de forma irônica por que as divindades "não a ressuscitaram". Além das críticas à cantora, Danilo César dirigiu ataques aos próprios fiéis da região, afirmando que desejava que "o diabo levasse" quem procurasse práticas religiosas "ocultas" em cidades vizinhas como Puxinanã e Pocinhos.

O desfecho do caso reforça o entendimento jurídico de que a liberdade de culto e a imunidade religiosa não autorizam o discurso de ódio ou a difamação de outras crenças. O ANPP é um instrumento jurídico que permite que o réu não seja preso, desde que aceite a culpa e repare o dano social. Para a comunidade de matriz africana da Paraíba, o acordo é visto como uma vitória simbólica contra o preconceito institucionalizado.
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