A Operação Cítrico, deflagrada nesta terça-feira (14) pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público da Paraíba (Gaeco) e a Controladoria-Geral da União (CGU), inclui entre os averiguados o ex-prefeito de Cabedelo e ex-secretário de Turismo de João Pessoa, Vitor Hugo. A ação investiga um suposto esquema de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e ligação com organização criminosa no município.
A operação resultou no afastamento do prefeito Edvaldo Neto (Avante), eleito no último domingo (12), durante eleição suplementar realizada após a cassação da gestão anterior.
Ex-prefeito citado na investigação
Vitor Hugo, que já comandou a Prefeitura de Cabedelo e recentemente deixou a Secretaria de Turismo da capital, foi incluído entre os nomes investigados. Ele também já havia sido citado em investigações anteriores da Polícia Federal, incluindo a que resultou na cassação do ex-prefeito André Coutinho.
O que aponta a investigação
De acordo com as autoridades, o esquema sob apuração envolve:
Afastamento do prefeito: Edvaldo Neto foi afastado por decisão judicial dois dias após ser eleito;
Ligação com facção criminosa: empresas contratadas pela Prefeitura teriam vínculos com a facção “Tropa do Amigão”, apontada como braço do Comando Vermelho;
Infiltração na gestão pública: integrantes do grupo teriam sido inseridos na estrutura administrativa por meio dessas contratações;
Uso de contratos públicos: contratos administrativos teriam sido utilizados para movimentar recursos e garantir influência política e territorial;
Valores investigados: o montante sob suspeita pode chegar a R$ 270 milhões.
Alvos e medidas judiciais
Além de Edvaldo Neto e Vitor Hugo, também são alvos da operação servidores públicos e pessoas ligadas à administração municipal e estadual, incluindo o secretário de Ação Governamental de João Pessoa, Rougger Guerra.
Foram expedidos 21 mandados de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares, como afastamento de funções públicas.
Gestão municipal
Com o afastamento do prefeito e sem a diplomação do vice-prefeito eleito, a administração de Cabedelo passa a ser exercida pelo presidente da Câmara Municipal, vereador José Pereira (Avante).
Contexto político
A eleição suplementar foi convocada após decisão do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), que cassou os mandatos do então prefeito André Coutinho e da vice-prefeita Camila Holanda. A decisão apontou irregularidades relacionadas à influência de grupos criminosos no processo eleitoral.
Lista de alvos
Entre os nomes citados nos mandados estão:
Edvaldo Manoel de Lima Neto
Josenilda Batista dos Santos
Vitor Hugo Peixoto Castelliano
Luciano Junior da Silva
Aldecir Monteiro da Silva
Rougger Xavier Guerra Junior
Diego Carvalho Martins
Rita Bernadeth Moura Medeiros
Claudio Fernandes de Lima Monteiro
Cynthia Denize Silva Cordeiro
Tanison da Silva Santos
Genilton Martins de Brito
Manuella Trevizan da Silva
Crimes investigados
A apuração envolve suspeitas de frustração do caráter competitivo de licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de organização criminosa.
As investigações seguem em andamento.

