Paraíba
Operação Arena: PF sequestra fazendas, carros, animais e joias durante investigação na Paraíba
Publicado em 22/10/2026 às 08:02 Por Lucas Rodrigues
A relação dos bens foi detalhada pela Polícia Federal nesta semana. Segundo a corporação, o patrimônio atingido ainda está sendo avaliado, o que impede a divulgação de um valor total. As diligências também continuam em andamento para identificar possíveis novas conexões financeiras e patrimoniais relacionadas ao caso.
Diferentemente de uma apreensão convencional, o sequestro judicial é uma medida que busca preservar bens que podem ter ligação com atividades criminosas. Na prática, a determinação impede que o patrimônio seja vendido, transferido ou ocultado enquanto a Justiça analisa sua origem e eventual relação com os fatos investigados.
A medida não representa perda definitiva dos bens nem significa que os investigados tenham sido condenados. A destinação do patrimônio dependerá das decisões judiciais ao longo do processo.
A segunda fase da Operação Arena foi deflagrada em 17 de setembro, com o cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão e uma ordem de prisão preventiva, além das medidas patrimoniais, em Campina Grande e João Pessoa.
Entre os investigados está o empresário Diomar Tadeu Dantas de Farias, sócio da plataforma de apostas PixBet. Ele foi preso preventivamente em Jacumã, no Litoral Sul da Paraíba, durante a operação. Segundo a investigação, o empresário é apontado como um dos operadores e beneficiários do suposto esquema.
Nesta terça-feira (20), a 7ª Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) determinou a substituição da prisão preventiva de Diomar por medidas cautelares, condicionadas ao pagamento de uma fiança de R$ 5 milhões.
Entre as condições estabelecidas pela Justiça estão a retenção do passaporte, a proibição de deixar o país sem autorização judicial, o comparecimento periódico à Justiça e a proibição de manter contato com outros investigados. A decisão não encerra a investigação e permite uma nova prisão caso as determinações sejam descumpridas ou surjam novos fundamentos legais.
A Operação Arena começou em agosto, quando a Polícia Federal realizou buscas em cinco estados brasileiros. Na ocasião, a Justiça autorizou o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores, além da quebra de sigilos bancário e telemático dos investigados.
O montante de R$ 1,1 bilhão corresponde ao limite autorizado judicialmente naquela etapa e não deve ser confundido com o valor efetivamente sequestrado, que ainda não foi consolidado pela Polícia Federal.
De acordo com a investigação, o grupo suspeito teria utilizado estruturas empresariais no exterior para movimentar recursos provenientes de apostas esportivas. Parte do dinheiro seria enviada a uma empresa registrada em Curaçao, no Caribe, e posteriormente retornaria ao Brasil como pagamento por serviços que, segundo os investigadores, não teriam sido prestados.
A suspeita é de que essas operações fossem utilizadas para conferir aparência de legalidade aos valores movimentados e dificultar a identificação de sua origem e dos beneficiários.
A PixBet, que possui sede em Campina Grande, está entre as empresas investigadas. Na primeira fase da operação, a defesa afirmou que havia sido surpreendida pelas medidas judiciais e que ainda não tinha acesso à decisão que autorizou as buscas. Não foi identificado um novo posicionamento da empresa sobre a relação dos bens sequestrados.
As investigações continuam, e a Polícia Federal ainda não informou quando será concluído o levantamento financeiro dos bens atingidos pelas medidas judiciais.
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