O vereador de João Pessoa Odon Bezerra, líder da bancada governista na Câmara Municipal, afirmou nesta terça-feira (13) que uma eventual negociação para definir o apoio do prefeito Léo Bezerra (PSDB) no segundo turno presidencial precisa envolver reciprocidade política e benefícios para João Pessoa.
A declaração foi dada durante entrevista ao Boa Tarde Paraíba, em parceria com o Portal PontoPB, conduzida pelos jornalistas Samuel Trajano e Márcio Serafim.
Odon foi questionado sobre as articulações do PL para tentar atrair Léo ao palanque de Flávio Bolsonaro (PL) e sobre declarações recentes do deputado federal eleito George Morais (PL), que defendeu uma aproximação com o prefeito, mas, ao mesmo tempo, apontou o deputado federal Cabo Gilberto como nome com legitimidade para liderar o projeto do partido na disputa pela Prefeitura de João Pessoa em 2028.
Para Odon, qualquer conversa política precisa apresentar contrapartidas.
“Política você tem que ser bilateral. Olha, eu te ofereço isso e você me oferece isso. Qual é o benefício que vai se ter?”, afirmou.
“Que conversa é essa?”
Durante a entrevista, Odon questionou a lógica de pedir apoio de Léo para Flávio Bolsonaro enquanto integrantes do próprio PL já sinalizam preferência por outro nome para a próxima eleição municipal.
“Como é que você chama para conversar e diz: ‘olha, a gente só conversa para você votar, mas para você votar [em 2028], de jeito nenhum’? Então, que conversa é essa?”, declarou.
O vereador disse considerar natural que George Morais defenda os interesses e nomes do próprio partido, mas afirmou que isso interfere na forma como uma eventual aproximação deve ser analisada.
“Essa declaração do deputado, hoje deputado federal, é natural. Ele vai ter que puxar para o partido dele”, disse.
Na sequência, recorreu a uma expressão popular para explicar a crítica:
“Como é que você vai dar milho à galinha dizendo ‘xô’? Não vai nunca, amigo.”
George defende Cabo Gilberto para 2028
George Morais afirmou nesta semana que considera Cabo Gilberto Silva (PL) um nome legítimo para comandar o projeto do partido em João Pessoa nas eleições municipais de 2028.
Segundo George, os mais de 100 mil votos conquistados por Cabo Gilberto na capital durante as eleições deste ano dão peso político ao deputado dentro da legenda.
Ao mesmo tempo, George também afirmou que uma eventual adesão de Léo Bezerra à candidatura de Flávio Bolsonaro seria positiva e poderia abrir caminho para futuras parcerias administrativas entre a Prefeitura e um eventual governo federal comandado pelo PL.
É justamente essa combinação que motivou o questionamento feito a Odon durante o Boa Tarde Paraíba.
Efraim já iniciou articulação com Léo
O movimento para aproximar o prefeito de João Pessoa do candidato do PL não começou com George.
O senador Efraim Filho, presidente estadual do partido, confirmou nos últimos dias que já conversou com Léo e trabalha para tentar levá-lo ao apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Léo votou em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, mas ainda não confirmou se manterá o apoio no segundo. O prefeito afirmou que pretende ouvir aliados e tomar a decisão pensando no que considera melhor para João Pessoa.
Odon diz que mesma cobrança vale para Lula
O vereador fez questão de afirmar que a exigência por contrapartidas não se aplica apenas ao candidato do PL.
“A mesma forma serve não apenas para Bolsonaro, serve para Lula”, declarou.
Segundo Odon, Léo deve ouvir principalmente a bancada de vereadores que dá sustentação ao governo municipal e também os deputados estaduais ligados ao grupo antes de anunciar qualquer posição.
“Eu tenho certeza, pelo que conheço de Léo, que ele vai ouvir primeiro os vereadores. E tenho certeza que deverá também ouvir a bancada de deputados estaduais”, afirmou.
Na avaliação do líder governista, a pergunta central deve ser objetiva:
“Vamos cobrar o quê? Aquele que possa oferecer o melhor para João Pessoa.”
Vereadores devem ter peso na decisão
Odon destacou ainda que os vereadores precisam ter participação relevante na escolha porque formam a base política que sustenta Léo no Legislativo municipal.
“Principalmente o vereador. É aquele que dá sustentação a Léo na Câmara Municipal de João Pessoa. Então é o melhor segmento para que ele faça isso”, disse.
A fala reforça a possibilidade de que a decisão do prefeito seja construída coletivamente, em vez de representar apenas uma escolha pessoal.
2028 depende da gestão de Léo, diz Odon
Ao tratar da sucessão municipal, Odon evitou antecipar uma disputa entre Léo e Cabo Gilberto.
Segundo ele, a eleição de 2028 ainda está distante e o futuro político do atual prefeito dependerá, antes de tudo, do desempenho administrativo.
“A questão política está distante. É daqui a um ano, quase dois anos para a gente discutir”, afirmou.
O vereador acrescentou que a própria viabilidade eleitoral de Léo estará ligada à avaliação de sua passagem pela Prefeitura.
“Isso passa pelo que Léo vai fazer na Prefeitura de João Pessoa. Se Léo não fizer uma gestão boa, ele sabe, tem a consciência plena de que não se viabiliza.”
Para Odon, portanto, a definição entre Lula e Flávio Bolsonaro deve ser tratada inicialmente sob a ótica da relação institucional e política com a capital, enquanto a sucessão de 2028 será uma discussão posterior.
