O vereador de João Pessoa Odon Bezerra afirmou nesta terça-feira (13) que o prefeito Léo Bezerra (PSDB) precisa imprimir uma identidade própria à administração municipal e promover uma espécie de renovação na Prefeitura de João Pessoa após a saída de Cícero Lucena (MDB).
A declaração foi dada durante entrevista ao programa Boa Tarde Paraíba, em parceria com o Portal PontoPB, conduzida pelos jornalistas Samuel Trajano e Márcio Serafim.
Odon, que é tio de Léo Bezerra, foi questionado sobre quando o atual prefeito deixará de ser visto apenas como continuidade da gestão de Cícero e passará a colocar de maneira mais clara a própria marca à frente do Executivo municipal. A relação familiar entre Odon e Léo é registrada também em perfis públicos sobre a atuação política do vereador.
“Essa pergunta paira na cidade de João Pessoa toda”, respondeu Odon.
“A identidade que está posta é a de Léo”
Durante a entrevista, o vereador afirmou que a amizade entre Léo e Cícero não precisa ser rompida para que o atual prefeito construa uma administração com características próprias.
“A identidade que está posta é a de Léo. Nós precisamos preservar a amizade que ele tenha com Cícero, isso é inalienável”, afirmou.
Na sequência, Odon defendeu que o prefeito mostre com mais clareza suas próprias posições.
“Ele tem, logicamente, que buscar mostrar: ‘o que é que eu defendo?’”, disse.
Segundo Odon, essa avaliação já foi apresentada diretamente ao prefeito e também discutida com integrantes da Câmara Municipal.
Odon pede “oxigênio” na Prefeitura
O trecho mais direto da entrevista ocorreu quando o vereador falou sobre a necessidade de mudanças dentro da administração municipal.
“Nós precisamos dar um oxigênio na Prefeitura Municipal de João Pessoa”, afirmou.
Questionado se essa renovação seria feita mantendo o mesmo grupo político e administrativo herdado de Cícero, Odon evitou antecipar a decisão.
“Será com o mesmo grupo? Não sei. Essa é uma decisão que é uma espécie de escova de dente: quem tem que tomar é Léo”, declarou.
A fala abre espaço para interpretações sobre possíveis mudanças no secretariado e na estrutura política da gestão, mas Odon não citou nomes nem indicou quais áreas deveriam sofrer alterações.
Léo já anunciou que avaliará mudanças na equipe
A declaração de Odon ocorre justamente quando o próprio prefeito começa a discutir uma nova etapa da administração.
Na última semana, Léo afirmou que pretende conversar com os secretários municipais e avaliar “readequações” na equipe. Ele também reiterou que continuará mantendo relação próxima com Cícero e não descartou, inclusive, a possibilidade de o ex-prefeito participar futuramente da administração.
“Cícero é um parceiro, um amigo. Eu vou sempre ouvi-lo”, declarou Léo em entrevista recente.
O atual prefeito assumiu definitivamente o comando de João Pessoa em abril, depois que Cícero renunciou ao mandato para disputar o Governo da Paraíba. A posse foi formalizada pela Câmara Municipal, após a renúncia do então titular.
Léo e Cícero haviam sido eleitos juntos em 2020 e reeleitos em 2024.
Derrota de Cícero muda cenário político na Prefeitura
A discussão sobre a identidade da gestão de Léo ganhou novo peso depois das eleições estaduais.
Cícero terminou em terceiro lugar na disputa pelo Governo da Paraíba, atrás do governador reeleito Lucas Ribeiro (PP) e de Efraim Filho (PL). Na própria capital, Cícero recebeu 80.502 votos, equivalentes a 18,36% dos votos válidos para governador, também ficando na terceira posição.
Após a derrota, o ex-prefeito enviou uma mensagem a jornalistas dizendo que pretende viver um “novo momento”, mas não anunciou aposentadoria da política nem confirmou quais serão seus próximos passos.
O futuro político de Cícero, portanto, permanece em aberto.
Relação entre Léo e Cícero deve continuar
Apesar de defender uma identidade administrativa própria para o sobrinho, Odon não pregou rompimento político com Cícero.
A própria trajetória recente do grupo mostra uma relação de proximidade. Antes de Léo assumir definitivamente a Prefeitura, Odon atuava como líder da gestão na Câmara e defendia publicamente a aliança construída com Cícero.
Agora, com Léo titular do cargo e Cícero sem mandato eletivo, a questão passa a ser até que ponto a estrutura administrativa construída nos últimos anos será mantida.
Na avaliação de Odon, a resposta precisa partir do próprio prefeito.
