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Paraíba

O que se sabe até agora sobre a queda de um elevador que deixou mulher paraplégica em João Pessoa

Publicado em 16/05/2026 às 01:04 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
A queda de um elevador em um condomínio no bairro do Altiplano, em João Pessoa, deixou uma mulher de 36 anos paraplégica e provocou a interdição de todos os elevadores do residencial. O acidente ocorreu na quarta-feira (13), e as medidas de interdição foram adotadas pela Defesa Civil na quinta-feira (14).

No momento da queda, a vítima estava acompanhada de duas crianças, de 3 e 5 anos. O elevador despencou do terceiro andar, e as três pessoas ficaram presas no fosso. Moradores realizaram o resgate inicial antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros.

Estado de saúde das vítimas


A mulher sofreu uma lesão na coluna e teve diagnóstico de paraplegia confirmado após exames de imagem. Segundo a direção do Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, há indicação de cirurgia para estabilização da coluna, com uso de estruturas metálicas para alinhamento das vértebras.

As crianças receberam atendimento médico e tiveram alta hospitalar.

Interdição dos elevadores


A Defesa Civil interditou 11 elevadores do condomínio, o que corresponde à totalidade dos equipamentos do local. A medida foi adotada após solicitação do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (CREA-PB).

De acordo com a coordenação do órgão municipal, a decisão levou em consideração riscos à segurança dos moradores.

Histórico de problemas


A administração do condomínio informou que falhas técnicas nos elevadores são registradas desde a entrega do empreendimento, ocorrida em setembro de 2023. Segundo a gestão, foi ajuizada uma ação judicial solicitando a substituição dos equipamentos.

O processo tramita na 7ª Vara Cível da Capital e aponta problemas como travamentos, falhas nos sistemas de segurança, interrupções frequentes e episódios anteriores envolvendo elevadores.

Em janeiro de 2025, houve decisão judicial determinando a troca dos equipamentos, mas a construtora recorreu, e o caso segue em andamento.

Laudo técnico aponta irregularidades


Um laudo técnico elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 identificou diversas inconformidades, incluindo falhas consideradas de alto risco. Entre os problemas listados estão ausência de iluminação de emergência, falhas no aterramento elétrico, falta de ventilação adequada, inexistência de dispositivos de resgate emergencial e inadequação da máquina de tração à capacidade do sistema.

O documento recomendou a substituição integral dos elevadores.

Posição das partes


A construtora responsável pelo empreendimento informou, em nota, que a manutenção dos equipamentos de uso comum, incluindo elevadores, é de responsabilidade do condomínio após o início da utilização pelos moradores. A empresa declarou ainda que está à disposição para colaborar com as investigações.

Já a administração do condomínio afirmou que prestou assistência imediata às vítimas e reiterou que vem relatando problemas técnicos desde a entrega do imóvel.

Apuração das responsabilidades


O Conselho Regional de Administração da Paraíba (CRA-PB) destacou que a definição de responsabilidades depende de perícia técnica. Segundo o órgão, a investigação deve avaliar a existência de contrato de manutenção, a regularidade da empresa prestadora do serviço e possíveis falhas estruturais ou vícios construtivos.

Moradores realizaram um protesto em frente ao condomínio após o acidente, relatando recorrência de problemas nos elevadores.

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