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Paraíba

No Dia do Nordestino, fala de Ariano Suassuna em defesa da cultura brasileira volta a circular nas redes

Publicado em 07/10/2026 às 18:00 Por Redação


Uma fala do escritor paraibano Ariano Suassuna em defesa da valorização da cultura brasileira voltou a circular nas redes sociais neste Dia do Nordestino, celebrado em 8 de outubro. No vídeo, o autor de “Auto da Compadecida” chama atenção para a importância de preservar as manifestações culturais do país sem transformar essa defesa em rejeição às influências estrangeiras.

No trecho compartilhado, Ariano questiona como uma cultura que representa o país e seu povo poderia ser deixada de lado e faz um apelo pela preservação da identidade cultural brasileira.

“Não me deixem cair a chama da cultura brasileira”, afirma o escritor.

Ariano ressaltava, porém, que a defesa da cultura nacional não deveria ser confundida com ufanismo, exclusivismo ou chauvinismo. Para ele, fortalecer as próprias raízes permitiria ao brasileiro entrar em contato com manifestações estrangeiras sem perder sua identidade.

A ideia defendida por Suassuna era de que elementos vindos de outras culturas poderiam ser incorporados à produção brasileira de maneira enriquecedora, sem necessariamente descaracterizá-la.

“Eu não tenho por nenhuma cultura nenhuma hostilidade. O que eu quero é fortalecer a nossa”, dizia o escritor.

Paraibano que fez da cultura popular uma bandeira

Nascido em João Pessoa, em 16 de junho de 1927, Ariano Vilar Suassuna passou parte da infância no Sertão da Paraíba. Em Taperoá, teve contato ainda jovem com manifestações culturais que posteriormente influenciariam sua obra, como os desafios de viola e o teatro de mamulengos.

Dramaturgo, romancista, poeta, professor e ensaísta, Ariano transformou elementos da cultura popular nordestina em obras que se tornaram conhecidas na literatura e no teatro brasileiros.

Entre elas está “Auto da Compadecida”, peça escrita na década de 1950 que reúne personagens, linguagem, religiosidade, humor e situações inspiradas no universo popular nordestino.

A valorização dessas raízes também esteve ligada à criação do Movimento Armorial, lançado oficialmente em 1970, no Recife. Idealizado por Ariano, o movimento buscava desenvolver uma arte erudita brasileira a partir de elementos da cultura popular, especialmente do Nordeste.

Literatura de cordel, xilogravura, viola, rabeca, pífano e mamulengo estavam entre as manifestações utilizadas como referências pelo movimento.

Defesa da cultura brasileira atravessou a obra

A fala que voltou a ser compartilhada no Dia do Nordestino sintetiza uma ideia presente na atuação de Ariano Suassuna ao longo de décadas: a preservação da identidade brasileira não significava fechar as portas para outras culturas.

Nas aulas-espetáculo que apresentou pelo país, Ariano utilizava humor, literatura, música e manifestações populares para discutir a formação cultural brasileira e defender o reconhecimento de artistas e tradições populares.

Para o escritor, conhecer e valorizar as próprias raízes era uma forma de estabelecer contato com outras culturas sem simplesmente reproduzi-las.

Ariano Suassuna morreu em 23 de julho de 2014, no Recife, aos 87 anos. Desde então, aulas-espetáculo, entrevistas e discursos do escritor continuam sendo compartilhados nas redes sociais.

Neste Dia do Nordestino, uma dessas falas volta a circular ao recuperar uma das ideias que marcaram a trajetória de Ariano: a valorização das manifestações culturais brasileiras e o diálogo com outras culturas sem o abandono das próprias referências.


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