Paraíba
Motorista que matou motociclista no Cuiá dirigia com CNH suspensa e admite distração com celular; veja o que revela depoimento à polícia
Atualizada em 13/10/2026 às 09:10 Por Lucas Rodrigues
A colisão aconteceu na madrugada desta segunda-feira (12), na Avenida 2 de Fevereiro, nas proximidades da ladeira do Cuiá. Anderson estava a caminho do trabalho na Ceasa quando foi atingido por uma caminhonete. Imagens de câmeras de segurança mostram o veículo ocupando parte da faixa contrária antes de atingir a motocicleta. A vítima morreu no local.
No depoimento prestado à Polícia Civil, Ítalo afirmou que havia saído de casa para encontrar um conhecido e que os dois pretendiam ir ao Doris Bar. Segundo sua versão, eles chegaram a parar em frente ao estabelecimento, mas desistiram de entrar porque o movimento estava fraco. Em seguida, decidiram procurar um posto de combustíveis.
Foi durante esse deslocamento, conforme relatou o investigado, que aconteceu a distração que teria provocado o acidente. Ítalo declarou que o passageiro mostrou uma fotografia de uma mulher em uma rede social e que, ao olhar para a tela do próprio celular, desviou a atenção da direção. Ele reconheceu que a caminhonete avançou parcialmente sobre a faixa contrária, mas alegou que tentou corrigir a trajetória ao perceber a aproximação da motocicleta.
O interrogatório também revela que o motorista estava com a habilitação suspensa desde 2020. Segundo ele, a penalidade foi aplicada após uma infração de trânsito envolvendo uma motocicleta. Ítalo afirmou que sua habilitação havia sido bloqueada recentemente e que estava realizando o procedimento de reciclagem. O documento não esclarece essa aparente divergência entre a data da suspensão e a informação sobre o bloqueio recente.
Outro ponto detalhado no depoimento é a saída do motorista após a colisão. Ítalo reconheceu que não prestou socorro a Anderson e que também não acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o Corpo de Bombeiros ou qualquer outro serviço de emergência.
Questionado pela polícia, ele afirmou que ficou desesperado e temeu ser agredido por populares, especialmente por se tratar de um acidente envolvendo um motociclista. O investigado também declarou que não sabia que a vítima havia sofrido ferimentos graves ou morrido.
Após deixar o local, Ítalo afirmou que conduziu a caminhonete até sua residência e, posteriormente, seguiu para o bairro do Bessa, onde o veículo teria ficado sem combustível. Para resolver a situação, disse ter solicitado o auxílio de um motoboy, que teria recebido R$ 30 para buscar gasolina em um posto localizado na Avenida Epitácio Pessoa.
O motorista também foi questionado sobre imagens de câmeras de segurança que mostram uma caminhonete realizando manobras perigosas antes da colisão. Ele negou ter praticado as manobras conhecidas como "cavalo de pau" e, ao ser confrontado com as gravações, não confirmou que o veículo exibido fosse o seu. Por outro lado, reconheceu sua caminhonete nas imagens relacionadas ao momento do acidente.
A Polícia Civil investiga o caso como homicídio com dolo eventual, enquadramento aplicado quando há suspeita de que uma pessoa assumiu o risco de provocar a morte, mesmo sem intenção direta de matar.
Segundo o delegado Sylvio Rabello, testemunhas relataram que o motorista teria consumido bebidas alcoólicas antes do acidente. A polícia também identificou marcas de frenagem na pista e reuniu gravações de câmeras de segurança para esclarecer a dinâmica da colisão. Ítalo negou ter ingerido álcool ou qualquer substância que pudesse comprometer sua capacidade de dirigir. Até o momento, não foi apresentado resultado de exame que confirme o consumo de bebida alcoólica.
O auto de prisão também traz os depoimentos de dois policiais militares que participaram da condução do investigado à Central de Polícia. Conforme os relatos, equipes realizavam diligências para localizar o motorista quando um advogado procurou uma guarnição na região do Geisel e informou que seu cliente desejava se apresentar às autoridades.
O advogado Robério Capistrano, responsável pela defesa, sustenta que Ítalo se apresentou voluntariamente e nega que ele tenha provocado a colisão de forma intencional. A defesa também contesta as suspeitas de consumo de álcool e de realização de manobras perigosas.
Enquanto a investigação avança, a família de Anderson cobra justiça. O motociclista havia saído de casa para trabalhar e se preparava para o casamento, marcado para o próximo dia 7. Familiares relataram que grande parte dos preparativos da cerimônia já estava concluída.
A tia da vítima, Rizoneide França, afirmou que Anderson era uma presença constante na vida dos avós e ajudava nos cuidados e nas necessidades da família. Durante o velório, realizado no bairro de Jaguaribe, ela pediu que a morte do sobrinho não ficasse impune.
Ítalo foi autuado em flagrante na segunda-feira (12), com audiência de custódia prevista para esta terça-feira (13). O resultado da audiência ainda não foi confirmado nas informações disponíveis. A Polícia Civil continua reunindo provas para esclarecer as circunstâncias da colisão e a responsabilidade criminal do investigado.
As declarações atribuídas ao motorista nesta reportagem constam no auto de prisão em flagrante. Elas representam a versão apresentada por ele durante o interrogatório e deverão ser confrontadas com as imagens, os depoimentos das testemunhas e os demais elementos da investigação.
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