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Paraíba

Mar avança, vídeos viralizam e especialistas alertam para erosão no litoral da Paraíba

Atualizada em 09/03/2026 às 17:06 Por Redação
Foto: Reprodução/ YouTube
Foto: Reprodução/ YouTube
Imagens que começaram a circular nas redes sociais nesta quarta-feira (4) chamaram a atenção para a força do mar na Praia do Bessa, em João Pessoa. A ressaca registrada na terça-feira (3) surpreendeu moradores e comerciantes, com ondas avançando sobre a faixa de areia e atingindo estruturas próximas à orla. Os vídeos mostram a intensidade do fenômeno e reforçam o alerta para quem circula pela região em períodos de maré alta.

Segundo especialistas e órgãos de monitoramento, episódios de ressaca acontecem ocasionalmente na capital paraibana. Quando ocorrem, costumam atingir entre Cabo Branco, Tambaú e Bessa, dentro do perímetro urbano e já chegou a registrar de 2,5 e 2,7 metros, impulsionadas por ventos fortes e maré elevada. 

Em eventos desse tipo, há risco de a água invadir áreas como ciclovias e calçadões, além de aumento da força das correntes marítimas e do transporte de areia e detritos. A Capitania dos Portos orienta que, durante períodos de ressaca, a população evite banhos de mar, passeios de barco e a navegação em embarcações de pequeno porte. O acompanhamento do Boletim ao Mar, divulgado pela Marinha do Brasil, é uma das principais recomendações para monitorar as condições do litoral.

Alguns pontos da orla são considerados mais sensíveis aos impactos das ondas, como Cabo Branco, Manaíra e o Largo da Gameleira, onde já houve registros de água chegando ao asfalto e danos à infraestrutura urbana em episódios anteriores.

Avanço do mar preocupa pesquisadores


O episódio também reforça um alerta antigo de pesquisadores sobre o avanço do mar no litoral paraibano. Um estudo recente da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) aponta que a zona costeira do município do Conde, na Região Metropolitana de João Pessoa, perdeu cerca de 9 metros de faixa litorânea nos últimos 37 anos, o que representa uma média de 27 centímetros por ano. Entre 2015 e 2022, a taxa de erosão marinha ainda se intensificou.

A pesquisa, publicada neste mês de janeiro no periódico internacional Science of The Total Environment, indica que praias conhecidas como Jacumã, Coqueirinho, Tambaba, Carapibus, Amor e Arapuca estão entre as áreas mais afetadas. As projeções para as próximas duas décadas apontam para a continuidade — e possível aceleração — do processo erosivo.

Os cientistas também analisaram cenários de elevação do nível do mar em 1, 2, 5 e até 10 metros, como consequência do aquecimento global e do derretimento das calotas polares. Nos cenários mais extremos, o estudo estima que cerca de 12% da área do município do Conde poderia ser inundada no longo prazo, com impactos severos sobre áreas urbanas, agrícolas e ecossistemas naturais. Essa hipótese é classificada pelos pesquisadores como catastrófica, podendo provocar deslocamento de populações e perdas ambientais irreversíveis.

Impacto humano e necessidade de planejamento


De acordo com o professor Celso Santos, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UFPB, a intensificação da erosão está ligada não apenas a fatores naturais, mas também à ocupação desordenada da costa, impulsionada pela urbanização, industrialização e turismo. “Essa tendência representa um desafio significativo em áreas de alto valor turístico e reforça a necessidade de estratégias de gestão costeira mais eficazes”, avalia o pesquisador.

Estudos semelhantes realizados por equipes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) indicam que 42% da costa paraibana apresenta tendência de retração. As pesquisas, baseadas em análises de imagens de satélite, dados de campo e características geológicas, mostram que o problema é compartilhado por outros estados do Nordeste, como Bahia e Sergipe.

Para os especialistas, episódios como a ressaca registrada no Bessa servem como um sinal de alerta para a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção da orla, ao ordenamento urbano e à adaptação às mudanças climáticas. Enquanto isso, a recomendação é clara: em períodos de mar agitado, evitar a aproximação da área de quebra das ondas e redobrar os cuidados para prevenir acidentes.


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