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Paraíba

Lei do Gabarito em xeque: ALPB reage a parecer da PGR que ameaça altura dos prédios na Orla

Atualizada em 24/02/2026 às 15:54 Por Redação
Foto: Reprodução / ALPB
Foto: Reprodução / ALPB
A manutenção da Lei do Gabarito em João Pessoa tornou-se o centro de um intenso debate na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) nesta terça-feira (24). A discussão foi motivada por uma manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que se posicionou favoravelmente a uma liminar solicitada pela Prefeitura de João Pessoa. O objetivo da prefeitura é suspender uma decisão do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) que barrou tentativas de flexibilização na altura das edificações na orla.

A controvérsia gira em torno do Artigo 62 da Lei de Uso e Ocupação do Solo. Enquanto a prefeitura busca maior autonomia para legislar sobre o tema, parlamentares e órgãos de controle defendem que a proteção da orla é uma prerrogativa garantida pela Constituição Estadual, que impõe limites rígidos para evitar o sombreamento das praias e a verticalização excessiva.

As Vozes no Plenário

O debate evidenciou visões distintas sobre o risco de mudanças na legislação:
• Bosco Carneiro (Republicanos): Utilizou a metáfora "quando um boi passa, passa a boiada" para alertar sobre o perigo de abrir qualquer precedente. Ele argumentou que o parecer da PGR ignora a hierarquia das leis, uma vez que uma norma municipal não pode se sobrepor à Constituição da Paraíba. Bosco criticou o uso de jurisprudência de outros estados (como São Paulo) para tratar de uma regra ambiental e urbanística específica da costa paraibana.
• Hervázio Bezerra (PSB): Adotou um tom mais cauteloso, classificando a discussão como "eminentemente técnica". O deputado minimizou os rumores de que haveria uma articulação política para permitir "espigões" na capital, afirmando que, até o momento, não existe qualquer movimento concreto no Legislativo para alterar a proteção atual.

Entenda a Hierarquia Jurídica em Debate

O conflito jurídico central pode ser resumido da seguinte forma:

A proteção da orla paraibana é considerada uma das legislações urbanísticas mais eficientes do Brasil, sendo responsável por preservar a ventilação e a iluminação natural da faixa de areia em João Pessoa. Especialistas alertam que qualquer decisão que enfraqueça o Artigo 62 pode abrir caminho para uma descaracterização irreversível do cartão-postal da cidade.

A manifestação da PGR não é uma decisão final, mas serve como subsídio para o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que dará a palavra definitiva sobre se a Prefeitura de João Pessoa pode ou não ter critérios próprios que divirjam das limitações estaduais.
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