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Paraíba

Justiça mantém prisão de Hytalo Santos: TJPB descarta nulidade por suposto uso de IA em decisão

Publicado em 11/03/2026 às 18:09 Por Redação
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) indeferiu, nesta quarta-feira (11), o pedido de liminar em habeas corpus apresentado pela defesa do influenciador Hytalo Santos e de seu marido, Israel Natã Vicente. O casal está sendo investigado por crimes graves relacionados à exploração infantil. A decisão, assinada pelo desembargador João Benedito da Silva, refutou a tese da defesa que buscava anular o processo alegando, entre outros pontos, que a manutenção da prisão preventiva teria se baseado em jurisprudências inexistentes, supostamente criadas por Inteligência Artificial (IA).

A Tese da Defesa: IA e Suspeição

Os advogados do influenciador sustentaram que houve falta de rigor técnico na análise processual. O argumento central girou em torno de dois eixos:

  1. Jurisprudências "Fantasmas": A defesa alegou que a decisão anterior citou julgados que não existem nos registros dos tribunais superiores, sugerindo que o texto teria sido gerado por ferramentas de IA sem a devida revisão humana, o que demonstraria uma decisão "pro forma".

  2. Suspeição de Foro Íntimo: Questionaram a validade dos atos praticados por um magistrado que se declarou suspeito posteriormente, sem detalhar o momento exato em que o motivo da suspeição surgiu.

O Entendimento do Tribunal

Ao analisar o caso, o desembargador João Benedito da Silva foi enfático ao manter o rito processual. Sobre a polêmica do uso de IA, o relator ponderou que, embora citações equivocadas sejam uma falha, elas não têm o condão de anular a decisão de prisão por si sós. Segundo o magistrado, a manutenção da custódia baseou-se em elementos concretos — como o risco de reiteração criminosa e a proteção à instrução processual — e não apenas nos precedentes citados.

Quanto à suspeição, o desembargador lembrou que o juiz tem a prerrogativa legal de se declarar suspeito por "foro íntimo" sem a necessidade de exposição pública dos motivos, e que atos praticados antes dessa declaração permanecem válidos, conforme precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Situação Processual

Com a negativa da liminar, a ação penal que tramita na 2ª Vara Mista de Bayeux segue o seu curso normal. Hytalo Santos e Israel Natã permanecem presos preventivamente enquanto as investigações avançam. O caso continua atraindo atenção não apenas pela notoriedade dos envolvidos nas redes sociais, mas também por inaugurar um debate jurídico relevante na Paraíba sobre os limites e os riscos do uso de tecnologias automatizadas na redação de decisões judiciais.

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