João Pessoa ・ Quinta-feira ・ 15 de outubro de 2026 ・ 26º C

Paraíba

Justiça mantém preso motorista investigado por acidente que matou motociclista em João Pessoa

Publicado em 14/10/2026 às 08:37 Por Lucas Rodrigues
Foto: Reprodução / YouTube
Foto: Reprodução / YouTube
A Justiça converteu em preventiva a prisão de Ítalo Jansen de Melo Chaves, investigado pelo acidente que provocou a morte do motociclista Anderson França, de 35 anos, no bairro do Cuiá, em João Pessoa. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada nesta terça-feira (13). O motorista foi encaminhado ao Presídio do Roger, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Ítalo havia sido preso em flagrante na segunda-feira (12), após a colisão registrada na Avenida 2 de Fevereiro. Na decisão, a Justiça considerou que medidas cautelares alternativas, como o uso de tornozeleira eletrônica, não seriam suficientes diante das circunstâncias do caso.

A investigação também confirmou que o motorista estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa e, portanto, não poderia conduzir veículos. A informação foi reconhecida pelo próprio investigado durante depoimento à Polícia Civil.

Segundo o relato apresentado à polícia, Ítalo saiu de casa na madrugada do acidente, buscou um amigo no bairro José Américo e seguiu para um bar no Geisel. Depois, os dois decidiram ir a um posto de combustíveis na região do Cuiá.

O motorista afirmou que, durante o trajeto, o amigo mostrou a fotografia de uma mulher na tela de um celular. Ao olhar para a imagem, teria se distraído, perdido o controle do carro e atingido a motocicleta conduzida por Anderson.

No depoimento, Ítalo negou que estivesse realizando uma manobra conhecida como “cavalo de pau”, hipótese levantada durante a investigação a partir de imagens da movimentação do veículo. Ele alegou que a manobra teria sido uma tentativa de evitar a colisão. O investigado também negou ter consumido bebida alcoólica.

Sobre a habilitação, Ítalo relatou que havia recebido uma penalidade relacionada a uma infração de trânsito cometida em 2020, quando conduzia uma motocicleta sem capacete. Segundo ele, estava realizando o processo de reciclagem para recuperar o direito de dirigir.

O delegado Getúlio Machado, responsável pela continuidade das investigações, informou que aguarda o encaminhamento do procedimento à Delegacia de Acidentes de Veículos. A unidade deverá solicitar e analisar laudos periciais do local da colisão e exames das imagens de câmeras de segurança.

“Vamos solicitar e analisar o laudo do local do crime, os levantamentos periciais e os laudos de análise das imagens”, explicou o delegado. Ele também confirmou que o próprio motorista admitiu estar com a CNH suspensa.

Enquanto a investigação avança, familiares e amigos se despediram de Anderson durante o sepultamento. O motociclista seguia para o trabalho na madrugada do feriado quando foi atingido pelo carro.

Anderson estava prestes a se casar. A cerimônia havia sido marcada para o dia 7 de novembro, e os preparativos estavam praticamente concluídos. Ele e a companheira também haviam aberto uma loja para complementar a renda familiar.

Durante o velório e o sepultamento, parentes cobraram a responsabilização pelo acidente e pediram que todas as imagens de câmeras de segurança da região sejam analisadas.

“Nós queremos que todas essas imagens sejam analisadas. São provas que podem ajudar a esclarecer o que realmente aconteceu”, afirmou um familiar.

A companheira de Anderson também pediu justiça e manifestou preocupação com a possibilidade de o investigado voltar a dirigir. “Eu suplico às autoridades que nos amparem”, declarou.

A Polícia Civil seguirá com a apuração das circunstâncias da colisão. A prisão preventiva não representa condenação, e a responsabilidade criminal do motorista ainda será analisada pela Justiça.

Relacionadas