O ex-deputado federal paraibano Julian Lemos (PP), que já foi um dos principais aliados de Jair Bolsonaro (PL), voltou a repercutir nas redes sociais nesta terça-feira (27) uma declaração feita em julho de 2026, na qual previa que Flávio Bolsonaro (PL) poderia deixar o Brasil e buscar refúgio nos Estados Unidos. A publicação ganhou um novo significado após a divulgação de informações de que o senador, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de domingo (25), teria viajado ao território norte-americano, mesmo após uma determinação judicial que o proibia de sair do país.
A declaração original foi feita durante uma série de entrevistas concedidas por Julian em julho, quando o ex-parlamentar comentava os conflitos internos da família Bolsonaro, as divergências entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e as investigações relacionadas ao senador.
“Eu vou fazer aqui uma projeção, e eu falei isso recentemente: o Flávio vai desistir até o dia 4 do mês que vem. Ele vai desistir e vai se refugiar nos EUA”, declarou o ex-deputado.
Na mesma entrevista, Julian afirmou que a pressão provocada pelas investigações financeiras poderia levar Flávio a buscar proteção fora do Brasil. A previsão, entretanto, não se confirmou integralmente: o senador não desistiu da candidatura antes da eleição, como Julian havia projetado, mas acabou derrotado por Lula no segundo turno.
A declaração voltou a circular justamente no dia em que o paradeiro de Flávio Bolsonaro se tornou um dos principais assuntos do noticiário político nacional.
Nesta terça-feira, a agência internacional Reuters informou que um aliado próximo do senador e uma fonte do governo dos Estados Unidos confirmaram que Flávio deixou o Brasil em direção ao território norte-americano. A reportagem não conseguiu esclarecer a rota utilizada pelo parlamentar, seu destino exato ou se pretende solicitar asilo político.
A CNN Brasil também divulgou informações de aliados indicando que Flávio viajou com familiares. Até aquele momento, não havia manifestação pública do senador confirmando sua localização.
A repercussão ocorre um dia depois de Flávio informar que havia sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes comum e diplomático, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o senador, a intimação ocorreu na segunda-feira (26), quando deixava a residência do pai, Jair Bolsonaro, em Brasília.
Na gravação publicada nas redes sociais, Flávio negou qualquer intenção de abandonar o Brasil, afirmou que cumpriria a determinação judicial e classificou a medida como uma tentativa de intimidação.
Entretanto, o prazo de 24 horas para a entrega dos documentos terminou na manhã desta terça-feira sem que a determinação fosse cumprida. Diante disso, a Polícia Federal cancelou os passaportes do senador em seus sistemas e informou que comunicaria o descumprimento ao ministro Alexandre de Moraes.
A decisão judicial foi tomada no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, apontado como um de seus aliados. Ambos negam irregularidades.
As suspeitas investigadas envolvem possíveis movimentações financeiras e a relação do parlamentar com contas bancárias ligadas ao advogado. A existência do inquérito não significa que os investigados tenham sido condenados.
Outro episódio que Julian Lemos comentou em julho foi a divulgação de um áudio no qual Flávio Bolsonaro cobrava recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
As mensagens vieram a público em maio e provocaram questionamentos sobre a relação entre o senador e o empresário. Reportagens apontaram negociações envolvendo valores milionários destinados à produção cinematográfica.
Flávio reconheceu ter solicitado patrocínio privado para o filme, mas negou que houvesse irregularidades ou oferecimento de vantagens em troca dos recursos.
Na época, Julian também fazia críticas às disputas internas da família Bolsonaro. O ex-deputado sustentava que os filhos do ex-presidente não aceitariam perder protagonismo político para Michelle Bolsonaro e que os conflitos poderiam comprometer a candidatura presidencial de Flávio.
A análise foi apresentada durante entrevistas a veículos paraibanos, entre eles o programa Ô Paraíba Boa, e ganhou repercussão nacional pelas acusações envolvendo o patrimônio do senador. Julian chegou a afirmar que Flávio possuiria centenas de milhões de reais, mas não apresentou documentos que comprovassem os valores. O senador classificou as alegações como falsas. Comunica
Nesta terça-feira, Julian também participou do programa Senso Crítico, da FGTV e MRTV, e voltou a comentar as informações sobre a saída de Flávio Bolsonaro do país.
“Eu digo aqui com 99,9% de certeza, ele saiu do Brasil, ponto. Fugiu, ele fugiu”, afirmou o ex-deputado, ao rebater declarações do deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), que havia recomendado cautela diante das primeiras notícias sobre o paradeiro do senador. Fonte 83
A confirmação da viagem por fontes ouvidas pela Reuters aproxima parte da avaliação feita por Julian em julho dos acontecimentos posteriores à eleição. No entanto, não demonstra que o ex-deputado tivesse conhecimento antecipado de um plano de saída do Brasil, nem comprova suas acusações sobre o patrimônio de Flávio Bolsonaro.
O caso permanece acompanhado pelas autoridades brasileiras, especialmente diante da determinação judicial que proibia o senador de deixar o território nacional e do descumprimento da ordem de entrega dos passaportes.
