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Paraíba

Janela partidária: confira as tendências de movimentações em legendas na Paraíba

Publicado em 02/01/2026 às 10:00 Por Redação
Foto: TRE-PB
Foto: TRE-PB
A chamada janela partidária voltou ao centro do debate político com a proximidade das eleições gerais de 2026. O mecanismo, previsto na legislação eleitoral, estabelece um prazo específico para que detentores de mandato e pré-candidatos possam trocar de partido sem sofrer punições, como a perda do cargo por infidelidade partidária. Para o próximo pleito, a expectativa é de intensa movimentação nos bastidores, com uma fila de lideranças aguardando a abertura desse período.

Faltando menos de dez meses para o dia 4 de outubro, quando os brasileiros retornarão às urnas, partidos e pré-candidatos já iniciaram articulações em busca de melhor desempenho eleitoral. Na Paraíba, mudanças recentes ilustram o impacto da janela. O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, deixou o PP, partido do vice-governador Lucas Ribeiro, que também demonstra interesse na disputa pelo Executivo estadual, e se filiou ao MDB.

Ao comentar o retorno à legenda, Cícero destacou o significado político da decisão, lembrando sua trajetória e defendendo valores como respeito às instituições, democracia e o papel da política como instrumento de transformação social.

Outro movimento relevante envolve o vice-prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra, que foi anunciado como coordenador da pré-campanha de Cícero, mas perdeu o cargo de presidente municipal do PSB. Apesar de afirmar que pretende permanecer na sigla, Bezerra confirmou que tem recebido convites de outras legendas e que só definirá seu futuro político após diálogo com o governador, ressaltando o compromisso com a capital paraibana.

No campo federal, o deputado Mersinho Lucena, filho do prefeito, também deixou o PP. A tendência é que ele se filie ao PSD, legenda comandada no estado por Pedro Cunha Lima, com foco na reeleição. O mesmo partido se prepara para receber o deputado federal Wellton Roberto, atualmente no PL, que também pode perder o deputado estadual Wallber Virgulino.

Wallber tem manifestado publicamente insatisfação com disputas internas no Partido Liberal e afirmou que, apesar de se declarar alinhado ao bolsonarismo, ainda avalia se permanecerá na sigla. Segundo ele, o prazo legal permite aguardar o melhor cenário político para garantir competitividade eleitoral.

Para o cientista político Lúcia Flávio, que aparece como pré-candidato ao governo da Paraíba pelo PSOL, a possibilidade de troca livre de legenda durante a janela reforça o personalismo e reduz a força dos programas partidários. Ele destaca que o Brasil possui 31 partidos oficiais, número considerado excessivo, e defende o fortalecimento de identidades ideológicas mais claras, seja à esquerda, ao centro ou à direita.

Nesse contexto, instrumentos como a cláusula de barreira e as federações partidárias têm contribuído para reduzir o espaço de legendas menores, os chamados partidos nanicos, apontando para uma tendência de diminuição no número de siglas no país.

Na Assembleia Legislativa da Paraíba, o cenário também é de expectativa. Deputados como Tovar Correia Lima (PSDB) e Taciano Diniz (União Brasil) já admitiram insatisfação com as atuais legendas e confirmaram que só tomarão decisões após a definição das federações partidárias, prevista para o mês de março.

Pelo calendário eleitoral, a janela partidária ocorre entre o início de março e o início de abril de 2026, período em que políticos terão um mês para mudar de partido sem risco de perder o mandato. Até lá, o ambiente político segue marcado por negociações, convites e expectativa de novas mudanças, que devem redesenhar o mapa partidário da Paraíba e influenciar diretamente a disputa nas urnas no próximo ano.

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