O caso começou a ganhar escala na noite de domingo, quando dezenas de pessoas deram entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e no Hospital Regional apresentando sintomas clássicos de contaminação por alimentos, como náuseas, vômitos severos, dores abdominais agudas e diarreia. Em comum, todos os pacientes relataram ter consumido pizzas da pizzaria La Favoritta. Rayssa Maritein, acompanhada do namorado, também ingeriu alimentos no local naquela noite. Ela chegou a procurar atendimento inicial, foi medicada e liberada, mas retornou à unidade de saúde na segunda-feira em estado crítico, sendo transferida imediatamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde não resistiu e veio a óbito na manhã desta terça-feira.
A Polícia Civil da Paraíba agiu rapidamente e abriu um inquérito para apurar a responsabilidade criminal do estabelecimento. O delegado Rodrigo Barbosa já ouviu o proprietário da pizzaria, que se colocou à disposição das autoridades e afirmou ter solicitado a presença da Vigilância Sanitária assim que percebeu a gravidade da situação. No entanto, o cenário encontrado pelos peritos e técnicos da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) revelou uma série de falhas estruturais e higiênicas alarmantes.
Negligência Sanitária e Riscos à Saúde Pública
Durante a vistoria realizada nesta terça-feira, a equipe da Agevisa constatou irregularidades críticas que explicam a rápida propagação da contaminação. Foram encontrados insetos e pragas circulando na área de manipulação, alimentos armazenados de forma inadequada e, principalmente, insumos mantidos em temperaturas térmicas incorretas. No calor característico do Sertão, o mau acondicionamento de ingredientes como queijos, carnes e molhos favorece a proliferação exponencial de bactérias e toxinas, que podem causar desde desconfortos leves até a sepse (infecção generalizada), como parece ter sido o caso da vítima fatal.O estabelecimento permanece interditado por tempo indeterminado e amostras de diversos insumos foram coletadas para análise laboratorial minuciosa. O resultado desses exames será cruzado com os dados da perícia realizada no corpo de Rayssa para confirmar se o patógeno encontrado na cozinha é o mesmo que causou a sua morte. Juridicamente, o caso pode ser enquadrado como homicídio culposo (quando não há intenção de matar, mas existe negligência ou imprudência) e crimes contra a saúde pública, previstos no Código Penal Brasileiro.
Atualmente, das 114 pessoas atendidas, apenas uma criança de oito anos permanece internada em observação, enquanto os demais pacientes receberam alta após tratamento para desidratação. O clima em Pombal é de revolta e tristeza, enquanto a comunidade aguarda o desfecho das investigações que devem apontar se a tragédia foi fruto de um erro isolado ou de uma conduta negligente recorrente na gestão sanitária do local.

