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Paraíba

Homem internado com suspeita de raiva humana na Paraíba foi mordido por sagui

Atualizada em 17/12/2025 às 22:46 Por Redação
Foto: Ideogram
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Um homem de 50 anos está internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande, no Agreste paraibano, com suspeita de raiva humana. A informação foi confirmada pela Secretaria Municipal de Saúde, que informou haver forte compatibilidade clínica com a doença, embora o caso ainda aguarde confirmação diagnóstica.

De acordo com o diretor de Vigilância em Saúde de Campina Grande, Miguel Dantas, o paciente teria sido mordido por um sagui, animal silvestre considerado um dos principais vetores da raiva no Brasil atualmente. Segundo ele, o contato com animais silvestres representa um risco elevado e deve ser evitado.

“O paciente abordou um animal silvestre, o que é um erro grave. Saguis, morcegos e raposas estão entre os principais transmissores da raiva hoje no país. Existe uma cultura equivocada de alimentar saguis, por serem vistos como inofensivos, mas isso aumenta muito o risco de transmissão”, explicou Miguel Dantas.

Ainda segundo o diretor, a mordida ocorreu em setembro, mas o homem não procurou atendimento médico imediato. Ele deixou de realizar a profilaxia pós-exposição (PEP), que inclui limpeza adequada do ferimento e avaliação para vacinação e soro antirrábico. “Se tivesse buscado o serviço de saúde no momento da mordedura, provavelmente não estaria nesse quadro”, afirmou.

O quadro clínico começou a se manifestar no dia 10, quando o paciente procurou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com náuseas e vômitos, sendo inicialmente liberado sob observação. O agravamento ocorreu nos dias seguintes, com retorno aos serviços de saúde e internação no dia 13, já apresentando falta de ar, irritabilidade extrema e hidrofobia, sintomas clássicos da raiva humana.

No dia 15, o paciente foi transferido para o HUAC, apresentando comprometimento neurológico, espasmos, convulsões severas e queda da saturação de oxigênio. Diante da gravidade, a equipe médica optou por sedação profunda e intubação. Desde então, o quadro clínico segue em agravamento.

Na Paraíba, foram registradas duas notificações de raiva humana entre 2007 e 2020. Em 2015, houve um caso confirmado em uma criança de 1 a 4 anos, residente na zona rural de Jacaraú, com fonte de infecção não identificada. Em 2020, foi confirmado o caso de uma mulher de 68 anos, moradora da zona rural de Riacho dos Cavalos, que relatou mordida por raposa. Ambos os casos evoluíram para óbito.

Diante da gravidade da doença, as autoridades de saúde reforçam medidas preventivas consideradas essenciais:

  • Evitar contato com animais silvestres e com animais domésticos sem vacinação comprovada;

  • Procurar atendimento médico imediato em casos de mordida, arranhadura ou contato com saliva de animais, realizando lavagem do ferimento com água e sabão e avaliação para profilaxia pós-exposição;

  • Manter a vacinação de cães e gatos em dia, conforme o calendário do SUS.

A raiva humana é uma doença grave e quase sempre fatal após o início dos sintomas, mas pode ser prevenida com atendimento rápido e adequado, reforçam as autoridades de saúde.

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