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Golfinhos surpreendem banhistas no litoral da Grande João Pessoa; confira

Publicado em 23/10/2026 às 21:00 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
A aparição de golfinhos no litoral da Grande João Pessoa voltou a chamar a atenção nas redes sociais. Imagens compartilhadas por perfis locais mostram os animais nadando próximos à costa, despertando a curiosidade de moradores e turistas. Embora os registros sejam frequentemente tratados como acontecimentos raros, pesquisas científicas mostram que diferentes espécies de golfinhos e outros mamíferos marinhos fazem parte da biodiversidade do litoral paraibano.

A publicação que repercute nas redes sociais não permite identificar com precisão a praia, a data da gravação ou a espécie dos animais. Entretanto, avistamentos semelhantes já foram documentados em diferentes pontos da costa, incluindo a praia de Cabo Branco, em João Pessoa, e áreas de Cabedelo.

Um dos registros ocorreu em setembro de 2026, quando passageiros de uma embarcação avistaram um grupo de golfinhos nadando próximo ao barco durante um passeio entre João Pessoa e Cabedelo. As imagens foram divulgadas nas redes sociais e repercutidas pelo Portal Ponto PB.

A presença desses animais na região é objeto de pesquisas realizadas por instituições científicas, incluindo a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que mantém registros históricos de cetáceos encontrados no estado.

Um levantamento desenvolvido pela pesquisadora Amanda Cecília Catão Pereira, no curso de Ciências Biológicas da UFPB, analisou dados de encalhes e de coleções científicas entre 1981 e 2017. O trabalho, intitulado "Monitoramento de encalhes e levantamento histórico da diversidade de cetáceos na Paraíba", identificou 23 espécies de cetáceos com ocorrência confirmada no litoral paraibano até aquele período.

Entre os animais estudados estão golfinhos, botos e baleias. A pesquisa reuniu informações da Coleção de Mamíferos da UFPB e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos, vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Dos 121 registros de encalhes analisados, distribuídos entre 17 espécies, o boto-cinza, conhecido cientificamente como Sotalia guianensis, foi o mais frequente, representando 41,3% das ocorrências. Esses números dizem respeito aos encalhes documentados e não significam que a espécie represente essa mesma proporção dos animais vivos no litoral.

O boto-cinza é uma espécie de golfinho adaptada a ambientes costeiros, como baías, enseadas e estuários. Por isso, pode ser observado em regiões próximas ao continente, especialmente em locais com disponibilidade de alimento.

A principal explicação para a aproximação desses mamíferos da costa está relacionada à busca por peixes e outros recursos alimentares. As condições do mar, a distribuição das presas e os comportamentos sociais também influenciam a movimentação dos grupos.

Em entrevista ao ClickPB, em novembro de 2024, a bióloga Isis Chagas de Almeida, técnica ambiental do Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho, explicou que áreas com maior disponibilidade de alimento podem atrair golfinhos tanto para alimentação quanto para interações sociais.

Isso significa que a presença dos animais perto das praias não indica necessariamente alguma anormalidade ambiental. Em muitos casos, trata-se de deslocamentos naturais associados à alimentação e ao uso do habitat.

A ocorrência dos golfinhos também varia conforme a espécie. Enquanto o boto-cinza costuma frequentar águas costeiras, outros cetáceos utilizam ambientes oceânicos mais profundos e podem eventualmente ser avistados em áreas mais afastadas da costa paraibana.

Em fevereiro de 2024, por exemplo, animais registrados por um pescador esportivo a aproximadamente 35 a 40 quilômetros da costa, entre João Pessoa e Cabedelo, despertaram dúvidas sobre a identificação da espécie. Na ocasião, o professor Tarcísio Cordeiro, da UFPB, avaliou que as imagens mostravam golfinhos-de-dentes-rugosos, enquanto outro especialista considerou a possibilidade de serem orcas. O episódio demonstrou a importância da análise especializada para identificar corretamente esses mamíferos.

Os registros disponíveis apontam avistamentos em locais como Cabo Branco, em João Pessoa, a região do Dique de Cabedelo, próxima à foz do Rio Paraíba, e a área marítima entre os dois municípios. Também há registros em outras partes do litoral estadual, como a praia das Trincheiras, em Baía da Traição.

Esses locais, entretanto, não constituem um ranking científico das praias com maior concentração de golfinhos. Para estabelecer quais áreas são utilizadas com mais frequência pelos animais, seriam necessários levantamentos sistemáticos de observação, com identificação das espécies, períodos e condições ambientais.

A frequência desses encontros também reforça a necessidade de preservar as condições ambientais da costa paraibana. Entre as principais ameaças aos golfinhos estão a poluição marinha, o descarte de plásticos, a captura acidental em redes de pesca, o ruído provocado por embarcações e o risco de colisões com barcos e motos aquáticas.

Um episódio recente evidencia esses riscos. Na terça-feira (20), um boto-cinza foi encontrado morto na praia de Ponta de Campina, em Cabedelo. O animal apresentava um ferimento no dorso, e a Guarda Civil Metropolitana levantou a suspeita de que ele pudesse ter sido atingido pela hélice de uma embarcação. Uma equipe do Projeto Peixe-Boi-Marinho realizou uma necropsia para investigar a causa da morte, que não estava confirmada nas informações divulgadas.

A observação desses animais passou a contar com novas regras nacionais em agosto de 2026. A Portaria Conjunta nº 4, publicada pelo Ibama e pelo ICMBio, estabelece distâncias e procedimentos para atividades de observação de baleias, botos e golfinhos em águas brasileiras.

Pela regulamentação, nadadores, mergulhadores, praticantes de esportes aquáticos e usuários de caiaques devem respeitar uma distância mínima de 100 metros dos animais. Para motos aquáticas e embarcações com propulsão por hidrojato, a distância mínima é de 300 metros.

A norma também estabelece limites para embarcações motorizadas convencionais, determina redução de velocidade durante aproximações e proíbe perseguições, cercos e manobras que interfiram no deslocamento dos golfinhos. O contato físico e as tentativas de tocar nos animais também são proibidos.

Para quem presencia a aproximação de um grupo de golfinhos, a principal orientação é observar à distância, sem entrar no mar para tentar nadar com os animais, persegui-los ou oferecer alimentos. Também é importante evitar barulhos intensos e não descartar resíduos na água.

Caso um golfinho seja encontrado encalhado, o ICMBio recomenda que a população não tente devolvê-lo ao mar por conta própria, não toque no animal e acione os órgãos ambientais ou equipes especializadas em resgate.

A aparição desses mamíferos marinhos representa uma oportunidade de aproximar a população da biodiversidade presente no litoral paraibano. Entretanto, pesquisadores destacam que a continuidade dos estudos, o monitoramento dos animais e a redução dos impactos provocados pelas atividades humanas são fundamentais para a conservação das espécies.

Mais do que um espetáculo para moradores e turistas, os golfinhos são parte do ecossistema marinho. A presença deles reforça a importância de proteger as áreas costeiras utilizadas para alimentação, deslocamento e reprodução, garantindo que esses encontros possam continuar acontecendo sem comprometer o comportamento natural dos animais.
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