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Paraíba

Fantástico revela detalhes da operação que apura envolvimento de policiais com o crime na PB

Publicado em 05/06/2026 às 22:16 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
A Paraíba voltará a ganhar destaque nacional no programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo (7). A atração exibirá uma reportagem especial sobre a Operação Perfídia, investigação que resultou na prisão de policiais civis e do delegado Braz Morroni, suspeitos de integrar uma organização criminosa com atuação dentro da própria estrutura da segurança pública estadual.

De acordo com a chamada divulgada pelo programa, a reportagem apresenta uma investigação exclusiva baseada em centenas de áudios e vídeos que mostrariam agentes públicos falando e agindo como integrantes de organizações criminosas. O material também apontaria o suposto uso da estrutura do Estado para proteger assaltantes de bancos e facilitar atividades ilícitas.

Operação apura desvio e venda de drogas apreendidas

A Operação Perfídia foi deflagrada na última terça-feira (2) e resultou em nove prisões. As investigações apuram um esquema envolvendo tráfico de drogas, corrupção, vazamento de informações sigilosas e desvio de entorpecentes apreendidos em operações policiais.

Segundo a decisão judicial que autorizou as prisões temporárias, investigadores da Polícia Civil teriam desviado drogas apreendidas pela corporação para revenda ilegal. O documento também aponta indícios de que parte dos valores obtidos com as vendas seria destinada ao delegado Braz Morroni, que também foi preso durante a operação.

Entre os investigados estão os agentes Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”.

Justiça cita repasses financeiros e conversas interceptadas

Conforme os autos do processo, conversas interceptadas e movimentações financeiras analisadas durante a investigação indicariam a existência de repasses de recursos oriundos da venda ilegal de drogas.

A decisão judicial menciona que, em dezembro de 2025, um dos investigadores teria discutido a possibilidade de omitir uma venda de drogas avaliada em R$ 18 mil para evitar o repasse de parte dos lucros ao delegado. Posteriormente, segundo a investigação, o valor teria sido cobrado e recolhido.

Os investigadores também sustentam que o delegado exercia influência hierárquica sobre o grupo e utilizava sua posição para oferecer proteção institucional às atividades criminosas investigadas.

Defesas negam envolvimento

A defesa do delegado Braz Morroni afirmou que as acusações se baseiam em relatórios policiais fundamentados em conversas de terceiros e que não existe diálogo direto envolvendo o delegado que comprove participação em atividades ilícitas.

Os advogados sustentam que houve falha na individualização das condutas dos investigados e afirmam que o delegado está sendo acusado antes da conclusão das investigações e sem que tenha exercido plenamente o direito à defesa.

Já a defesa dos investigadores presos informou que os clientes negam categoricamente as acusações e confiam que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo. Os advogados também destacaram que as prisões possuem caráter temporário e não representam reconhecimento de culpa.

Pedido de prisão domiciliar foi negado

Durante audiência de custódia, a defesa de Braz Morroni solicitou a conversão da prisão temporária em prisão domiciliar humanitária, alegando que o delegado possui histórico de tratamento contra câncer de próstata.

O pedido foi negado pela Justiça. A magistrada responsável pela audiência considerou que não foram apresentados documentos médicos atualizados que demonstrassem agravamento do quadro de saúde ou condição que justificasse a medida.

Com isso, o delegado permanece preso temporariamente por 30 dias no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.

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