João Pessoa ・ Sabado ・ 18 de abril de 2026 ・ 26º C

Dólar R$ 4,99 ・ Euro R$ 5,88

Paraíba

Ex-aliado agradece a Carlos e Eduardo por deixar bolsonarismo: “Seu pai tá preso“

Atualizada em 09/12/2025 às 10:45 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
O ex-deputado federal paraibano Julian Lemos fez declarações contundentes durante entrevista ao jornalista Heron Cid, na noite desta segunda-feira (8), no programa Hora H, transmitido pela TV Norte Paraíba. Ex-coordenador da campanha de Jair Bolsonaro em 2018, Lemos afirmou que seu afastamento do grupo político do ex-presidente foi resultado direto das interferências dos filhos de Bolsonaro no governo e nos bastidores partidários. Segundo ele, esse processo representou um verdadeiro “livramento”.

Durante a conversa, o ex-parlamentar disse que nunca se encaixou no modelo de “bolsonarista” que se consolidou ao longo do governo. “Porque minha regra não cabe lá. Eu não sou um bolsonarista e nunca fui desse modelo que a gente vê hoje”, declarou. Ele afirmou ter sido tanto “deletado” quanto afastado do bolsonarismo por vontade própria, processo que, segundo ele, começou ainda na transição de governo.

Julian relatou que passou a se distanciar quando não conseguiu “rir de algumas piadas” e ao observar a “interferência desastrosa” dos filhos do então presidente. Ele citou episódios como a indicação do ex-ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, e a fragilidade do então ministro das Relações Exteriores, destacando que decisões importantes eram guiadas pelos herdeiros de Bolsonaro. “Os filhos, na realidade, ajudavam o pai a destruir o governo dele”, afirmou.

O ex-deputado também comentou bastidores sobre o processo que levou ao desmonte da Lava Jato e da possível “Lava Toga”. Segundo ele, houve interferência direta de Jair Bolsonaro com o objetivo de “blindar Flávio Bolsonaro”. Lemos narrou encontros em que o ex-presidente demonstrava preocupação com o avanço das investigações envolvendo o filho. “Pronto, pegaram meu filho. E aí? Eu vou fazer o quê?”, teria dito Bolsonaro, segundo Lemos.

Julian afirmou ainda que integrava o chamado “núcleo duro” do bolsonarismo e que, se tivesse permanecido, poderia ter enfrentado consequências graves: “Eu fui preso, eu fugi do Brasil, eu fui morto se tivesse persistido”, afirmou, em referência às brigas políticas internas. Foi nesse contexto que ele agradeceu diretamente a Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro: “Por tudo que vocês fizeram, por esse motivo eu estou aqui hoje conversando com o Heron — e seu pai está preso”, declarou.

Eleito pelo PSL em 2018 como um dos mais votados da Paraíba, Julian Lemos não conseguiu se reeleger em 2022 pelo União Brasil, quando obteve 36.530 votos e ficou como primeiro suplente da legenda. No período em que esteve na Câmara, votou a favor da Reforma da Previdência (PEC 6/2019), do congelamento de salários de servidores públicos (PLP 39/2020) e contra a proposta que tornaria permanente o auxílio emergencial (PEC 15/2022).

O rompimento de Lemos com Bolsonaro ocorreu em 2019, quando o ex-parlamentar se posicionou ao lado do ex-ministro Gustavo Bebianno nas disputas internas com o presidente e o vereador Carlos Bolsonaro. Desde então, Julian segue crítico da condução política da família Bolsonaro e, segundo ele, hoje enxerga sua derrota eleitoral como um “livramento travestido de derrota”.

Banner

Relacionadas