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Paraíba

Estudo aponta degradação do Canal das Piabas e alerta para escoamento de poluição ao Açude Velho, em Campina Grande

Publicado em 06/02/2026 às 07:00 Por Redação
A recente mortandade de peixes no Açude Velho, em Campina Grande, reacendeu o debate sobre a qualidade da água que chega ao reservatório. Um estudo da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) indica que o Canal das Piabas, principal afluente do açude, necessita de adequações urgentes para reduzir o aporte de poluentes e mitigar os impactos ambientais.

Segundo a pesquisa, parte do volume que percorre o canal — incluindo efluentes sanitários — segue diretamente para o Açude Velho, contribuindo para a degradação do ecossistema. A responsável pelo estudo, a pesquisadora Gabriele Souza, explicou que o canal tem origem em um riacho natural, mas que, ao longo das décadas, passou a receber despejos de esgoto e outros resíduos, comprometendo a qualidade da água.

Com a urbanização da região, especialmente a partir dos anos 1980, houve ocupação das margens e mudanças estruturais no curso d’água, incluindo a construção do canal. De acordo com a pesquisadora, a ausência histórica de saneamento básico levou ao lançamento direto de efluentes no riacho, o que transformou o local em um vetor de poluição.

Os efeitos não se restringem ao meio ambiente. Moradores de comunidades ao longo do curso do canal relatam prejuízos à qualidade de vida, problemas de saúde e alagamentos frequentes em períodos de chuva. A pesquisadora aponta que já houve registros de acidentes graves durante enchentes e de contaminações bacterianas, em razão do contato com água sem tratamento.

Atualmente, conforme o estudo, o escoamento ocorre de forma dividida: uma parte segue pelo trecho natural ainda preservado, outra percorre o canal construído, que direciona volumes tanto para uma cachoeira na Zona Leste (que deságua no Rio Paraíba) quanto para o Açude Velho. Em análises citadas na pesquisa, o nível de oxigênio em trechos do riacho chegou a zero, o que torna inviável a sobrevivência de peixes e favorece apenas microrganismos adaptados a esse ambiente.

Moradores antigos da região, como lideranças da comunidade Rosa Mística, na Zona Norte, relatam que o local já foi um riacho limpo, usado inclusive para pesca, e que a degradação ocorreu com o crescimento desordenado da área e a falta de intervenções estruturais ao longo do tempo.

Para a pesquisadora, o episódio da retirada de toneladas de peixes mortos do Açude Velho é consequência de um processo acumulado de eutrofização, alimentado pelo recebimento contínuo de água poluída. A principal medida apontada é interromper o lançamento de esgoto nos corpos hídricos que alimentam o reservatório.

Enquanto soluções estruturais de grande porte ainda são consideradas de longo prazo, o estudo propõe alternativas baseadas na natureza, como a implantação de um “jardim flutuante”. A ideia é utilizar plantas para filtrar contaminantes por meio de fitoremediação, melhorando a qualidade da água e, ao mesmo tempo, agregando benefícios paisagísticos ao entorno.

O projeto está vinculado ao CNPq e integra uma iniciativa de incentivo à pesquisa científica desenvolvida por mulheres, segundo a UFCG. A expectativa é que propostas desse tipo possam reduzir impactos ambientais e contribuir para a recuperação gradual do Açude Velho e de seus afluentes.

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